Como trabalhar com Open Banking

Mauricio Borges

Mauricio Borges

Product Manager especialista em produtos financeiros e engenharia de produção.

14 de abril 2020

A economia depende de forma direta da capacidade tecnológica e operacional das instituições financeiras. Ou seja, toda e qualquer empresa tem a necessidade de ficar atenta ao que acontece de novo no sistema financeiro. Felizmente, as novidades são boas e neste texto vamos falar sobre uma delas, o open banking.

Open banking é um novo sistema, que promete revolucionar a maneira como as pessoas lidam com as instituições financeiras, está prestes a ser regulamentado. E isso também será útil para os demais setores.

Neste artigo eu vou te mostrar o que é isso, como ele funciona e quais são as aplicações práticas do Open Banking.

O que é Open Banking?

O Open Banking, ou sistema bancário aberto, tem uma ideia central muito simples, mas também poderosa: tirar as informações financeiras e bancárias dos bancos e deixá-las no controle dos clientes.

Na prática, isso significa o seguinte:

Até hoje os clientes precisarem construir relações do zero com cada instituição bancária. Isso serve até como trunfo de muitos bancos. Afinal, é comum encontrar pessoas que só não trocam de instituição por causa do longo histórico como cliente, e de alguns benefícios que isso traz.

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É o famoso “ruim com ele, pior sem ele”, já que em outro banco a relação começaria do zero, o que muitas vezes inclui limites menores de crédito e taxas mais altas. O Open Banking vai trazer o fim desse problema, já que o cliente pode levar seu histórico financeiro para onde quiser. As empresas só poderão acessar esses dados com sua permissão.

Como o Open Banking funciona?

Tecnicamente falando, o Open Banking funciona por meio de APIs (sigla em inglês para interfaces de programação de aplicações). As APIs são programas feitos para conectar um aplicativo ou sistema em outro.

Por exemplo, qualquer pessoa ou empresa consegue criar um mapa que funciona em tempo real, graças à API aberta do Google Maps. Ou seja, a API permite que o aplicativo da pessoa ou empresa “converse” com o Google Maps e pegue os dados que precisa usar.

No Open Banking aconteceria a mesma coisa. As instituições usariam a API como ponte para “conversar” com o servidor no qual ficam guardados os dados de cada cliente. Ao acessar esses dados, elas podem oferecer produtos e serviços personalizados de acordo com o perfil e histórico de pagamentos de cada pessoa.

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Modelos de Open Banking

As nações mais desenvolvidas do mundo já estão implementando o Open Banking em larga escala. Mas, como se pode imaginar, isso depende de uma regulação muito bem estruturada para garantir o apoio e o cumprimento das regras pelas instituições.

De forma geral, tem-se considerado dois tipos de sistema, um mais restrito e outro mais aberto. Veja quais as características de cada um:

Mais restrito

Esse modelo mais restrito é aplicado no Reino Unido. Nele, o Banco Central (responsável por regular o sistema bancário) determina alguns elementos essenciais do Open Banking, como:

  • linguagem de programação das APIs;
  • tipos de plataforma que podem solicitar acesso aos dados de um cliente;
  • e mais.

Com esse modelo, o Banco Central detém um poder maior sobre o sistema e controla mais de perto suas diretrizes básicas.

Mais aberto

O segundo modelo é mais aberto e sem as restrições acima. Nele, a API fica disponível para todas as instituições reguladas pelo Banco Central. É assim que funciona na União Européia, em que existe apenas uma API aberta para todos. Isso aumenta muito a gama de opções e serviços disponíveis para o público, sem favorecer os grandes bancos.

Mas qual destes o Brasil vai adotar?

O Banco Central brasileiro parece buscar uma espécie de meio termo, no qual regula alguns aspectos e permite que as próprias empresas se autorregulem na maioria dos casos. Um exemplo de autorregulação é com a implementação tecnológica do novo sistema.

Quais são as aplicações práticas do Open Banking?

Entender o funcionamento do Open Banking ainda não dá a noção completa do que é capaz fazer com o novo sistema. Mas isso fica mais claro conforme fazemos uma análise dos limites que a tecnologia envolvida tiraria das operações financeiras.

Hoje em dia é comum que uma única pessoa use vários aplicativos de finanças pessoais, possua conta em vários bancos e corretoras. Com o Open Banking isso poderia ser simplificado de muitas formas.

Por exemplo, apenas um aplicativo poderia acessar os dados financeiros do usuário em todas as suas contas e instituições diferentes. Seria uma varredura mais completa, ao mesmo tempo em que seria mais simples e ocuparia menos espaço no aparelho.

Além disso, outras possibilidades incluem:

  • surgimento de mais instituições especializadas em apenas um tipo de produto financeiro, sem necessidade de oferecer pacotes de soluções;
  • maior liberdade de escolha de produtos financeiros para o consumidor final;
  • redução drástica da burocracia para contratar serviços (como empréstimos) e trocar de instituição;
  • desenvolvimento de produtos e serviços que até hoje não seriam viáveis no mercado.

Possibilidades do Open Banking para o mercado imobiliário e de construção

Por enquanto o Brasil ainda não conta com casos bem-sucedidos de Open Banking da forma como ele funcionará depois de completo. E o motivo é simples: ainda não há regulação com respeito às APIs.

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O que podemos encontrar são exemplos de parcerias privadas que já nos dão a possibilidade de olhar para o futuro e ver o que seremos capazes de fazer em larga escala.

Algumas dessas parcerias foram feitas entre Banco do Brasil e empresas como ContaAzul, Bom Pra Crédito e BxBlue. Com elas, o banco pode oferecer empréstimos e outros serviços dentro das plataformas das empresas.

Mas e as possibilidades para os setores imobiliário e construtivo? Algumas delas são:

Oferecer casas e apartamentos de acordo com o padrão de gastos

Os padrões de consumo de uma pessoa são importantes na hora de buscar uma casa ou apartamento. Com as iniciativas do Open Banking, pode ser possível que as imobiliárias e incorporadoras apresentem soluções ideais para os compradores, de acordo com suas condições e preferências de gastos.

Financiamentos, consórcios e empréstimos facilitados

Outra possibilidade pode ser facilitar a venda de produtos e serviços financeiros relacionados à construção civil, como financiamentos e consórcios. Isso serviria como incentivo ao setor, com redução de burocracia e aumento nas vendas.

Além disso, essas compras poderiam ser feitas por mais canais e de forma mais rápida, aumentando a capacidade produtiva do setor. Algo assim pode ajudar as empresas a fortalecer o fluxo de caixa ou expandir.

Simplificação tributária

Ainda não sabemos o quanto o Open Banking pode impactar em questões como simplificação tributária. Mas é possível que  com o sistema financeiro descomplicado e mais robusto, o governo crie soluções para facilitar ainda mais a prestação de contas das empresas.

De qualquer forma, as possibilidades são praticamente ilimitadas. O que importa é entender que a mudança é inevitável, positiva e se preparar para aproveitá-la a melhor forma.

O Open Banking faz parte da evolução natural que acontece em todos os mercados. Quanto mais acesso à informação e à tecnologia, mais poder o consumidor final ganha. Adaptar-se a essa realidade o quanto antes é o único jeito de as empresas de qualquer setor, inclusive da construção, continuarem relevantes no mercado.

Assim como o Open Banking vai transformar os serviços financeiros, a Transformação Digital já transformou a construção civil. Sabe como? Veja agora tudo que você precisa saber sobre o assunto!