Financiamento de Imóveis: o mercado está aquecido?

Gustavo Prata

Gustavo Prata

Engenheiro Civil com mais de 12 anos de experiência em gerenciamento de obras, planejamentos, controle de cronograma físico-financeiro, orçamentos e organização de obras. Atualmente, é Product Manager no Sienge.

12 de julho 2021

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O financiamento de obra ou compra de imóveis no Brasil é um assunto que nunca perde o apelo. Afinal, o sonho da casa própria, ou mesmo a ideia de investir em imóveis para renda é algo cultural do nosso país.

Mas é claro que cada cenário econômico e político do país faz diferença em quanta gente resolve apostar no financiamento ou prefere esperar por um momento melhor. Por isso, a pergunta que todo o setor da construção civil deve sempre se fazer é: o momento atual é de esperar ou acelerar?

Neste artigo, eu vou te mostrar um panorama geral do financiamento de obra no Brasil em 2021, e como você pode se adaptar ao cenário atual para continuar lucrando.

Entenda o momento dos juros de financiamento no Brasil

Algo muito importante a levar em consideração quando se trata de financiamento de obra é acompanhar as taxas de juros, pois elas afetam os preços das parcelas, das entradas, etc. Em outras palavras, os juros do financiamento acompanham os juros da economia.

juros em alta e mercado aquecido

Alguns especialistas consideram apenas as taxas de juros de médio e longo prazo como relevantes, como aquelas ligadas ao IPCA. Apesar disso, quanto a taxa Selic, de curto prazo, muda de patamar, isso costuma gerar movimento e barulho nos mercados. Esse barulho, por si só, já movimenta discussões sobre o custo-benefício de um possível financiamento.

E, neste respeito, nós tivemos uma mudança recente da Selic que já começa a dividir opiniões sobre o momento ideal de financiar.

Taxa Selic em alta: ameaça ou mudança irrelevante?

Depois de atingir a mínima histórica de 2%, a taxa Selic voltou a aumentar e atingiu no dia 16 de junho 4,25%. Mas o que isso significa, na prática?

Para alguns especialistas, não é motivo para se apressar em financiar logo um imóvel por medo de a taxa subir mais. Por exemplo, para o professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha, em entrevista ao UOL, a taxa só vira sinal de alerta se chegar aos 8,5%.

Ele diz:

“Acima desse valor, o que é muito pouco provável neste ou no próximo ano, a poupança volta a render a TR (taxa referencial) mais 0,5% ao mês, o que dá 6,17% ao ano”.

O motivo de preocupação caso a TR rendesse 0,5% ao mês é que os bancos passariam a cobrar entre 9% e 10% de juros no financiamento de obra. E, segundo especialistas como Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da FGV (Fundação Getúlio Vargas), uma taxa boa de juros seria de até 7%.

Bruno Gama, presidente da Credihome, plataforma de crédito imobiliário, concorda com essa visão. Em entrevista ao Valor Investe, ele disse:

“Essa alta da Selic, que agora está em 4,25%, ainda não deve gerar um repasse para as taxas de crédito imobiliário, uma vez que os bancos ainda têm margens (spreads) boas e suficientemente saudáveis. Além disso, a competição nesse mercado está alta entre os principais bancos de varejo, já que o crédito imobiliário é utilizado como ferramenta de fidelização da base de clientes”.

Financiamento de obra no Brasil: é hora de agir ou de esperar?

Visto que os especialistas concordam que as taxas de juros ainda estão boas, é seguro dizer que o mercado de financiamento de obra continua aquecido. Mas será que é preciso agir logo para aproveitar as melhores condições possíveis ou vale a pena esperar com calma?

Existem alguns motivos

Juros ainda baixos

Como já vimos, os juros de financiamento de obra ainda estão atrativos, mesmo com a Selic em alta. Aliás, a expectativa é que o ano termine com os juros em 6,25%, ainda dentro do que se considera positivo para quem deseja financiar.

Portanto, o momento não é de tanta pressa, mas também não é preciso adiar planos. Quem tiver poder de compra para financiar já, se estiver certo de que vai fazer isso, pode garantir taxas mais baixas do que nos meses à frente.

Déficit de moradia

O déficit de moradia continua grande, e a procura por imóveis residenciais ainda está em alta. Ou seja, enquanto tem demanda forte e concorrência suficiente, a tendência é que a oferta seja mais atrativa.

Déficit de moradia ainda aquece o mercado imobiliário

E, para o setor da construção civil, isso representa uma enorme oportunidade:

Se os clientes ainda querem comprar e o aumento dos juros não é suficiente para frear esse ímpeto, significa que é hora de investir em novos empreendimentos.

Preço de imóveis abaixo do valor

Apesar de os imóveis terem retomado parte do valor de mercado perdido nos últimos anos, ainda não estão no seu patamar normal. Assim, quem deseja financiar pode conseguir uma certa vantagem com imóveis mais baratos do que realmente valem.

Por fim, este talvez seja o maior argumento de quem defende a aceleração no financiamento: a ideia de que esperar muito pode fazer o cliente perder negócios descontados em relação ao valor de mercado.

Qual a expectativa para o financiamento de obras em 2021?

A expectativa do setor para o financiamento de obras até o fim de 2021 é ótimo. Na mesma matéria já citada do Valor Investe, a presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Cristiane Portella, deu alguns números que mostram isso:

Segundo ela, de janeiro a abril de 2021, já foram concedidos quase R$60 bilhões em crédito. Quando comparamos esse valor com os R$124 bilhões financiados durante todo o ano de 2020, dá para perceber o tamanho do crescimento. Estamos falando de uma alta de nada menos que 122% em relação ao ano passado.

E a tendência é que o setor continue crescendo. A previsão de alguns especialistas, como a própria Cristiane, é de aumento de 34% na concessão de crédito para financiamento de imóveis neste ano.

Tudo isso por conta dos fatores que citei acima: juros baixos, déficit de moradias, preço dos imóveis e outros fatores, como o aumento da poupança das famílias durante a pandemia.

O que o momento do financiamento de obra representa para o setor da construção

Se o setor está aquecido, com juros baixos e clientes dispostos a financiar, o que isso significa para o setor? A resposta é uma só: as oportunidades de lucro estão presentes para quem souber aproveitar.

Mais alternativas de empreendimentos

Ao mesmo tempo em que a demanda é crescente por moradias, o cliente atual é mais exigente e tem um padrão de consumo diferente do que era comum algum tempo atrás. Por isso, é importante que as empresas se preparem para lidar com novas demandas.

Uma das soluções para lucrar alto com a forte demanda de moradia é apostar em diferentes alternativas de empreendimentos para conseguir agradar públicos diferentes. Mas quer você prefira se especializar em um tipo de empreendimento ou variar as soluções que oferece, o mais importante é entender o que seu cliente precisa e entregar com excelência.

Assim, fica claro que o momento do financiamento de obra ainda está aquecido no Brasil. É verdade que alguns especialistas discordam quanto à duração da janela de oportunidade para financiar. Mas, mesmo assim, a expectativa para o setor é positiva e a tendência é de crescimento até o fim de 2021.

Pensando em aproveitar o aquecimento do financiamento de obras, veja neste artigo como melhorar a experiência do cliente no mercado imobiliário!

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