Bom desempenho do mercado imobiliário puxa PIB nacional para cima

Bruno Loturco

Bruno Loturco

Apaixonado pela Indústria da Construção, atua no setor desde 2002. É especialista em comunicação e acredita que a adoção de tecnologia é o único caminho possível para a transformação da cadeia da construção. Atualmente, é Coordenador de Comunicação Estratégica do Sienge.

30 de junho 2021

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Em seu mais recente informe divulgado, a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) celebrou os bons resultados apresentados por todos os segmentos do mercado imobiliário. De forma geral, o segmento de incorporação registrou alta de 38,8% nos lançamentos e de 21,4% nas vendas.

No período, as unidades enquadradas no programa Casa Verde e Amarela (CVA) representam 82,3% dos lançamentos – com alta de 30,6% no trimestre – e 83,8% das vendas – alta de 25,9% no 1º trimestre de 2021. Entretanto, destaque ainda mais expressivo foi a alta de 64,7% nos lançamentos de Médio e Alto Padrão (MAP).

Em termos absolutos, a alta de quase 40% nos lançamentos totais representa 128.445 imóveis novos, número 10,6% maior do que o volume registrado nos 12 meses imediatamente anteriores. Apenas nos primeiros três meses do ano de 2021 foram comercializadas 34.823 unidades, alta de 21,4% em relação ao mesmo período de 2020.

Mercado imobiliário: melhor maio em 17 anos

A boa onda que o setor vem surfando levou a cidade de São Paulo, um dos principais mercados do País, a registrar o melhor maio dos últimos 17 anos em vendas e lançamentos de imóveis, conforme indicou o Secovi-SP.

De acordo com a entidade, em lançamento de imóveis residenciais, o salto foi de 77,4%, com vendas crescendo na proporção de 44,11% na comparação com o mês de abril. Ao confrontar o número com o mês de maio de 2020, quando os efeitos da pandemia começavam a ser sentidos com mais força na economia, o crescimento nos lançamentos é de 437,8% e nas vendas de 144,6%.

Impacto positivo no PIB brasileiro

Não é à toa que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro apresentou recuperação expressiva no primeiro trimestre do ano, retornando ao seu patamar pré-pandemia após um ano em baixa devido à crise econômica. Assim, no período que compreende os três primeiros meses do ano, o PIB nacional cresceu 1,2% em comparação ao trimestre imediatamente anterior. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 2,048 trilhões.

Com o setor de serviços ainda patinando, são os investimentos, a indústria e a agropecuária que puxam a alta do PIB. No caso da construção civil, a contribuição se deve aos juros baixos para o financiamento à compra de imóveis e ao aumento da demanda das famílias por imóveis maiores.

Na esteira do crescimento do setor vem a geração de empregos, com a construção destoando positivamente na geração de postos de trabalho. Desde janeiro de 2020 até abril de 2021, o setor já registrou a criação de 135.083 vagas de trabalho.

Digitalização do mercado imobiliário segue forte

Outro dado que chamou a atenção no mês de junho foi a divulgação da 4ª rodada da “Pesquisa da Influência do Coronavírus no Mercado Imobiliário Brasileiro”, realizada pelo DataZAP+. Além de registrar crescimento na quantidade de soluções digitais oferecidas para o mercado imobiliário, a pesquisa retratou as preferências e os hábitos de consumo de compradores de imóveis.

Conforme o estudo, as ferramentas preferidas dos futuros compradores e locatários são a visualização de fotos profissionais, busca do endereço completo do imóvel e uso de filtros específicos para pesquisar e encontrar as unidades ideais.

O economista do DataZAP+, Danilo Igliori, afirma que o “mercado imobiliário se adaptou rapidamente ao novo cenário pandêmico” e, com isso, passou a “atender às necessidades e desejos dos clientes durante o isolamento social, indicando o quão resiliente e dinâmico é o setor”.

Além do mercado imobiliário, vale ressaltar que a digitalização também ganhou destaque nos canteiros de obra em meio à pandemia.

“O processo de digitalização já vinha acontecendo nos diversos segmentos da economia, mas em 2020 se acelerou todo esse processo e na nossa indústria não foi diferente. É extremamente importante que nossa indústria se atualize, reveja suas formas de trabalho, os seus processos, e acompanhe todas essas mudanças e transformações”, afirma Ana Claudia Gomes, presidente da Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da CBIC.

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