Veja os tipos de fluxo de caixa que você precisa conhecer

Mauricio Borges

Product Manager especialista em produtos financeiros e engenharia de produção.

3 de outubro

Com certeza, a saúde financeira da sua empresa está no topo das suas preocupações. Por isso mesmo, você precisa conhecer e saber usar os diferentes tipos de fluxo de caixa.

Fluxo de caixa, como você sabe, é a consolidação de entradas e saídas financeiras de uma empresa. A análise dele permite verificar a situação das suas finanças, a necessidade de aumento de receitas ou redução de despesas, entre outras providências.

Não é exagero afirmar que controlar o fluxo de caixa é uma questão de vida ou morte para as organizações, inclusive as construtoras.

Ele é fundamental para garantir que a companhia possa honrar seus compromissos, planejar necessidades de obter créditos e conseguir taxas mais atrativas. 

Serve ainda para dar visibilidade aos investidores, antecipar receitas, avaliar reduções de custo ou reestruturar as operações.

Neste sentido, conhecer os tipos de fluxo de caixa é um dever de casa para todo empreendedor. Você já vai saber quais são eles e como podem lhe ajudar, seguindo a leitura. 

Tipos de fluxo de caixa quanto à periodicidade

  • Diário
  • Semanal
  • Quinzenal
  • Mensal
  • Semestral
  • Anual
  • Etc.

A periodicidade do fluxo de caixa, na verdade, é extremamente flexível, conforme as necessidades e estratégias da empresa. Especialmente, no caso de construtoras, onde o fluxo de caixa está condicionado a projetos, que têm prazos muito variados.

Além dos seus ciclos financeiros muito longos entre o planejamento, projeto, execução, vendas e recebimento das vendas. 

Completa esse quadro complexo a enorme diversidade de variáveis na cadeia de produção, entre mão-de-obra, especialistas, canteiros de obras, fornecedores e outros itens.

fluxo de caixa 1

Uma recomendação especial

Antes de seguirmos, cabe aqui uma recomendação especial. 

É bastante aconselhável que você tenha o fluxo de caixa diário na construtora, juntamente  com outro ou outros fluxos de prazos maiores. Seja qual for o porte da empresa.

A principal particularidade no setor é que as construtoras possuem muitos fornecedores e geralmente não possuem todo capital em caixa. 

Esse cenário aumenta a necessidade do perfeito sincronismo entre receitas projetadas, despesas projetadas e necessidades de financiamentos.

Neste sentido, o fluxo de caixa vai lhe mostrar, exatamente, os períodos no calendário de maior concentração de pagamentos a fazer. E identificar eventuais faltas de receitas, nessas mesmas datas, para cumprir tais compromissos.

Ao saber disso, você já pode, antecipadamente, renegociar prazos com fornecedores e prestadores de serviços, por exemplo. Ou buscar os recursos necessários, com financiamentos e empréstimos, para efetuar os pagamentos nas datas previstas.

Com isso, você aperfeiçoa o seu planejamento e evita surpresas desagradáveis, com contas volumosas à descoberto. Não corre o risco de cair na armadilha das multas e juros onerosos. 

Aí está, nesse singelo descuido, a razão do insucesso de muitas empresas.

fluxo de caixa 2

Por outro lado, o fluxo diário vai apontar também os momentos em que sua construtora vai dispor de capital para aplicações rentáveis, ao invés de ficar com o dinheiro parado no caixa.

Somente nesses aspectos, já há razões de sobra para redobrar sua atenção para o assunto fluxo de caixa. É fazer isso ou seguir a triste sina de outras organizações que faliram.

Relatório do Sebrae

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra, num dos seus relatórios, que, de cada quatro empresas abertas, uma fecha antes de completar dois anos de existência no mercado.

Outros dados, publicados na revista Exame, apontam que, de 2006 a 2016, mais de 6.8 milhões de novas micro e pequenas empresas foram abertas no Brasil.

Do total, 67% foram à falência antes dos 5 anos. As que permanecem, não são necessariamente lucrativas, a grande maioria apenas sobrevive.

Preocupante, não é? Veja as principais causas desse fenômeno, apontadas à revista por Marcelo Henrique, especialista em finanças e estratégia empresarial. 

  • 61% não procuraram ajuda de pessoas ou instituições para abertura do negócio.
  • 55% não planejaram como a empresa funcionaria em sua ausência (durante férias, por exemplo).
  • “Pasmem”, diz ele, “55% não elaboraram um plano de negócios. Dificilmente veremos uma empresa sobreviver sem esse devido planejamento”. 
  • Pouca ou quase nenhuma pesquisa de mercado também é um princípio básico da empresa que quebra. 
  • Boa parte dos empreendedores deixou de levantar informações importantes sobre o mercado antes de abrir a empresa. 
  • 46% dos entrevistados não sabiam o número de clientes que teriam e os hábitos de consumo deles.
  • 39% não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio.
  • 38% não faziam ideia do número de concorrentes que teriam.

Empresas negligentes com as contas

Tem mais, diz Marcelo Henrique. Empresas que começam negligentes com as contas, tendem a seguir o mesmo caminho e fechar as portas, afirma.

“Pode acontecer de a organização ter certo sucesso no mercado e, depois de alguns anos, ver o resultado do descuido financeiro refletido em momentos de recessão ou crise.”

A pesquisa do Sebrae mostrou que 42% dos novos empreendimentos não calcularam o nível de vendas para cobrir custos e gerar o lucro pretendido. 

Muitas empresas ligadas à indústria ou ao varejo não sabem determinar custos de produção ou precificar, por exemplo. 

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Com esse alerta em mente, é hora de você conhecer os tipos mais importantes de fluxo de caixa.

Os 4 principais tipos de fluxos de caixa

1. Fluxo de Caixa Direto (FCD)

É o mais utilizado, tanto na análise de movimentos realizados como a realizar. Ele é o fluxo de caixa que permite mais rapidamente verificar problemas de caixa e necessidades de  redução de despesas, financiamento bancário ou/ antecipação de receitas.

Informa-se no FCD a origem (fonte) e o uso (aplicação) do capital. É um modelo que pode ser analisado com mais facilidade, inclusive por leigos em contabilidade.

Deve apresentar, no mínimo, os seguintes itens:

  1. Recebimento de clientes
  2. Juros, lucros e dividendos recebidos
  3. Pagamentos a fornecedores e empregados
  4. Juros pagos
  5. Imposto de renda pago
  6. Outros recebimentos e pagamentos.

2. Fluxo de caixa indireto (FCI)

Baseia-se no lucro e no prejuízo encontrados na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), com ênfase no aspecto fiscal, fazendo ajustes na DRE.

Apresenta o fluxo de caixa líquido oriundo da:

  • Movimentação líquida das contas que influenciam nos fluxos de caixa das atividades operacionais, tais como estoques, contas a receber e contas a pagar.
  • Movimentação líquida das contas que influenciam nos fluxos de caixa das atividades de investimentos e de financiamentos. 

3. Fluxo de caixa projetado (FCP)

Este pode ser construído a partir dos dois anteriores. Porém, olha somente para o futuro, ou seja, apresenta as entradas e saídas a realizar e não o realizado.

Funciona como um acompanhamento diário do fluxo de caixa,  mas com as contas a serem pagas, incluindo pessoal, fornecedores, insumos e todos os demais gastos previstos. 

O mesmo em relação às receitas, são informadas as contas a receber de clientes, rendimentos de aplicações e outras. 

Como já falei ao tratar do fluxo de caixa diário, isso ajuda a prever os momentos de aperto no caixa, que exigem reserva maior de recursos para os pagamentos.

4. Fluxo de caixa descontado (FCDesc)

Serve para medir o tempo de retorno do capital investido numa empresa e também para a avaliação das empresas, quando ocorre a venda ou fusão de negócios.

O consultor do Sebrae-SP João Carlos Natal explica que o FCDesc traduz a projeção da quantidade de recursos que serão gerados pela empresa no futuro.

A isso se soma o seu valor estimado nos dias atuais. Após, subtrai-se o tempo e o risco associado a essa estimativa.

Muita atenção para essas observações dele:

  • Em primeiro lugar, é muito importante o acompanhamento de uma auditoria contábil e jurídica para avaliar todos os aspectos do negócio existente. Especialmente para evitar uma sucessão de tributos e riscos trabalhistas pré-existentes.
  • É preciso fazer uma análise de todos os contratos, obrigações trabalhistas, previdenciárias e de impostos. 
  • Os contratos, especialmente de locação do ponto, fornecimentos e outros do local, devem ser todos examinados. Isto para assegurar que podem ser cedidos ou assumidos pelo novo dono sem a necessidade de autorização da outra parte.
  • Na análise das obrigações trabalhistas, previdenciárias e impostos, caso seja identificado algum imposto e obrigações a pagar, tal passivo deve ser descontado do preço, quitado ou negociado. Isso assegura que a compra seja livre de encargos inesperados.

Particularidades do FC na construção civil

Você viu que cada um desses fluxos de caixa cumpre uma finalidade. Para o dia-a-dia, na programação de receitas e despesas, funcionam o fluxo de caixa direto e o projetado. 

Para análise de resultados, o indireto (visão líquida) e o direto (visão bruta). Para projetar cenários de mercado, o fluxo de caixa descontado e outros indicadores.

Quanto à construção civil, a principal particularidade é que as construtoras possuem muitos fornecedores e geralmente não possuem todo capital em caixa. 

Este cenário aumenta a criticidade do sincronismo entre receitas projetadas, despesas projetadas e necessidades de financiamentos

O maior problema no setor costuma ser a realização de receitas, as vendas de unidades na planta, fase em que acontece grande parte dos gastos. 

Essa previsão de receitas precisa ser muito bem dimensionada, para que a empresa calcule a sua real necessidade de crédito e não seja surpreendida por problemas de caixa durante a obra.

Alternativa do ERP Sienge

Para realizar essa tarefa na sua empresa, existem as planilhas em Excel e outras alternativas mais simples. 

Porém, num setor tão sensível às oscilações de fluxo de caixa e disponibilidade de capital de giro, convém pensar em soluções mais eficazes. 

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Neste caso,  uma ótima opção é o ERP (Enterprise Resource Planning) ou Sistema Integrado de Gestão Empresarial do Sienge. 

O ERP Sienge facilita o controle de fluxo de caixa consolidando automaticamente todos os movimentos de contas a pagar, contas a receber e avulsos. Isso permite uma visão atualizada e rápida tomada decisão, tanto na forma analítica como na forma sintética

Seus módulos, como Engenharia, Recursos Humanos e Contabilidade,  funcionam em total sincronia, inclusive o acompanhamento do fluxo de caixa.

Todas as informações dos demais módulos são replicadas instantaneamente no Módulo Financeiro

Com isso, o Sienge garante que não há falha no repasse dos números, aumenta a  produtividade, reduz a quantidade de erros e controla de forma confiável toda a empresa.

Eu recomendo: pense seriamente na possibilidade de implementar o ERP na sua empresa. Isso vai representar o salto de qualidade que ela está precisando para se tornar mais competitiva e crescer.

Fluxo de caixa: implante ou aperfeiçoe

É preciso reforçar que entre as três principais razões de falência ou insucessos das empresa no Brasil, uma delas é a falta de planejamento financeiro. Isso inclui a ausência de fluxo de caixa com a previsão das receitas e despesas.

Sendo assim, se você não tem um FC de caixa confiável, providencie um, com urgência. Se já tiver, aperfeiçoe.

Dessa maneira, poderá prever com segurança o que tem a receber, o que vai ser pago, quando terá disponibilidade de recursos, para aplicações e novos investimentos. Faça isso e a saúde financeira do seu negócio será melhor protegida.

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