Como fazer o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC)

Eng. Jonathan Degani

Eng. Jonathan Degani

CTO da Brasil ao Cubo
Criando inovação na Construção Civil

9 de setembro

A construção civil é considerada uma das indústrias com maior impacto ambiental no mundo. Ela é responsável por cerca de um terço da emissão dos gases do efeito estufa segundo a Green Building Council. Só no Brasil, os resíduos gerados pela construção civil seriam suficientes para construir 4 milhões de casas populares.

Neste artigo você saberá para que serve e como fazer um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC). Além disso, você entenderá qual a importância deste plano para a redução da geração de resíduos, as formas de reaproveitá-lo e por fim qual o melhor descarte para cada rejeito. Desta forma, você poderá reduzir o impacto das suas obras.

Através dos exemplos de construtoras que trabalham com reaproveitamento de resíduos dentro de seus canteiros e a destinação correta, você poderá extrair ideias e boas práticas.  Além disso, trarei a você as diretrizes para elaborar um PGRCC de qualidade e guiar a destinação dos resíduos durante a sua obra.

PGRCC 1

Para que serve o PGRCC?

O intuito da legislação federal (Decreto  nº 12.133/98 antecipou-se à Resolução CONAMA  nº. 307/02) que dá as diretrizes do PGRCC é diminuir o impacto gerado pelos resíduos da construção. Para isso, ela cria uma cultura de planejamento da destinação correta destes resíduos. Vou apresentar a você algumas das influências e resultados causados por estas diretrizes.

O PGRCC tem o objetivo de planejar o descarte e a destinação correta dos resíduos da construção civil. Um dos resultados perceptíveis é a preservação ambiental. Isso se deve a diversos fatores, tais como a redução na demanda de materiais devido ao reuso, a destinação correta de materiais não inertes dentre outros.

Para você entender melhor cada um destes resultados, trarei alguns exemplos.

Exemplos de Aplicações e Resultados

O aço, por exemplo, pode ser destinado a reciclagens e ser reaproveitado para criar novas barras de aço.  De fato, o aço é uma das matérias primas com maior reaproveitamento dentro da nossa indústria.

Um outro excelente exemplo é o reaproveitamento de restos de concreto para a geração de agregado. Existem usinas e inclusive construtoras que coletam as sobras de concreto, argamassa e alvenaria para triturar e segregar as diferentes granulações de agregados. Estes agregados são utilizados para novas misturas de concreto ou base para pavimentação, por exemplo.

PGRCC 2

Você pode pensar: mas então porque não faço isso com todo o resíduo da minha obra?

Lembrando um pouco da química dos materiais, existem elementos que são estáveis e elementos que precisam reagir com outros para se estabilizar. O cimento, por exemplo, deve reagir com a água para cristalizar e se estabilizar. Ao utilizar concreto para aterro, o cimento nele presente já sofreu a estabilização através da água que foi usada no concreto.

Por este motivo é possível utilizar concreto e argamassa moídos em aterros.

Quais materiais devemos tomar mais cuidado no descarte?

No entanto, existem elementos que podem desestabilizar a composição química do solo, podendo provocar a sulfurização do solo, contaminação do lençol freático, afetar a fauna e a flora. Um exemplo deste tipo de material é o gesso. https://blog.aegro.com.br/gessagem/

Em pequenas quantidades e com o acompanhamento de um técnico, é possível utilizar o gesso na neutralização das partículas de alumínio presentes no solo. Isso melhora a formação das raízes de plantas e a absorção do cálcio, macro nutriente importante para a saúde das plantas.

No entanto, o gesso também pode alterar a composição do solo de maneira prejudicial e contaminar o lençol freático. Além disso, existem elementos que são tóxicos e nocivos para o homem, fauna e flora. Estes materiais também devem ser destinados para reciclagem ou aterros específicos onde fiquem isolados do meio ambiente.

Por este motivo é que o descarte de materiais não inertes e tóxicos tem um custo mais alto. Este custo é o reflexo de todo o trabalho e investimento necessários para se ter uma estrutura e receber, tratar e destinar esses materiais corretamente. Este custo, há algum tempo atrás, era desconsiderado pois não havia tanta consciência do impacto causado no meio ambiente.

Hoje temos consciência deste impacto e temos diversos exemplos de danos ambientais provocados pelo descarte inadequado de materiais da construção civil. Isto reflete na legislação ambiental que se torna cada vez mais completa e detalhada, como também as sanções e a fiscalização mais rígidas.

Os resultados já são muito positivos e vem contribuindo para melhorias nas práticas da construção civil.

Onde e quando é necessário fazer um PGRCC?

O PGRCC é uma exigência de alguns municípios para a aprovação do projeto de uma edificação. Muitas vezes é disponibilizado um modelo, manual ou uma lista de itens que devem constar no documento. Apresentarei a você quais os itens normalmente exigidos neste documento.

  •         Dados do contratante
  •         Dados da contratada
  •         Dados do responsável técnico da obra
  •         Dados do responsável técnico do PGRCC
  •         Dados do empreendimento
  •         Cronograma
  •         Descrição das quantidades e tipos de resíduos
  •         Triagem e acondicionamento
  •         Transporte
  •         Empresa de destinação

Independente de onde for requerido o PGRCC, os dados requeridos não variarão muito. Por isso, para elaborar este documento, você antes precisa ter o projeto da edificação definido para saber quais materiais serão descartados. Além disso, você precisa definir qual a empresa que fara o recolhimento e destinação dos resíduos.

Neste caso, vale ter em mente alguns critérios como: existência de certificação ambiental, se será destinado a uma usina de reciclagem ou se será depositado em um aterro. Caso a empresa não apresente certificados ambientais de destinação correta, pode significar que o destino não seja correto. Sempre prefira a que recicle ao invés da que descarte em aterro.

Obrigatoriedade para Certificações de Sustentabilidade

Para você conseguir uma certificação LEED de sustentabilidade, por exemplo, um dos requisitos é apresentação do plano da correta destinação dos resíduos da sua obra. Para isso, é necessário fazer o levantamento detalhado dos materiais que serão utilizados e buscar a melhor destinação para cada um deles.

Esta é uma forma de incentivar ainda mais a busca de soluções cada vez mais sustentáveis e com menor impacto ambiental possível. Algo que facilita isso é a escolha da utilização de materiais e processos que reduzam a geração de resíduos. Pré-fabricado apresentam um consumo mais racional de materiais e reduzem a geração de resíduos.

Como construir gerando pouco resíduo?

PGRCC 3

Como mencionei, a construção pré-fabricada apresenta uma redução de resíduos em obra. Se pensarmos em uma edificação feita de placas de concreto, o desperdício na alvenaria será mínimo. Se formos além e pegarmos o exemplo das edificações modulares, o resíduo gerado no local da obra é virtualmente zero.

Devido a utilização de materiais industrializados sob medida em sua fabricação, a construção modular tem a capacidade de reduzir de 20% (construção convencional) para apenas 5% de desperdício. Os resíduos gerados muitas vezes são reaproveitados dentro da linha de produção em outra obra ou módulo, reduzindo ainda mais as perdas.

Por todos estes aspectos, a construção modular tem grande vantagem na redução de resíduos e precisa de um PGRCC mais enxuto.

Grande negócio!

Para você engenheiro ou profissional da área da construção, a legislação ambiental e consciência sustentável são grandes oportunidades de desenvolver negócios. A reciclagem dentro do canteiro, por exemplo, pode representar uma economia. Você pode encontrar novas utilidades dentro de suas obras para reutilizar resíduos e reduzir o descarte gerado.

Espero que este artigo tenha passado o conceito do que é e para que serve o PGRCC para que você possa elaborar o seu em sua próxima obra. Sem dúvida, este será uma exigência cada vez mais comum e importante.

Agradeço a Engenheira Agrônoma, Ane Carine Rocio, pela contribuição para este artigo e parceria na área ambiental.