Como a pandemia influenciará o padrão de consumo quando o assunto é imóveis?

Eng. Jonathan Degani

Eng. Jonathan Degani

CTO da Brasil ao Cubo
Criando inovação na Construção Civil

8 de julho 2020

Investir na compra de um imóvel próprio já foi considerado um dos melhores e mais seguros investimentos a se fazer. Mas, com o passar do tempo, o padrão de consumo mudou e muita gente começou a questionar se o imóvel próprio realmente era um bom negócio em vez do aluguel.

Ainda há muito debate a respeito do assunto e, sem dúvida, varia de de pessoa para pessoa ou negócio para negócio. No entanto, hoje vivemos uma crise que tem grande impacto na forma com que as pessoas e empresas utilizam os imóveis e, consequentemente, afetam seus padrões de consumo.

Por isso, nosso setor deve compreender as mudanças de forma clara para decidir quais os melhores produtos que vão se encaixar nos padrões de consumo do “novo normal”.

Então, trarei a você neste artigo dados e reflexões de diretores das principais construtoras e incorporadoras do Brasil para que você possa tomar melhores decisões. Trarei também possíveis cenários e como nós, da construção civil, podemos aproveitá-los da melhor maneira.

Cenário pré-pandemia

Desde 2015 nosso país está tentando se recuperar de sua crise político-econômica. No ano de 2019 o nosso PIB cresceu cerca de 1,1% segundo o IBGE, como nos dois anos anteriores. A expectativa para o ano de 2020 era de uma aceleração do crescimento onde o PIB deveria chegar a 2,17%, segundo o Boletim Focus.

Muitas construtoras apostaram em novos empreendimentos renovando seus estoques de apartamentos. O ano de 2020 começou com os juros em queda, favorecendo o ramo da construção de duas formas:

  • atraindo investidores em busca de rentabilidades melhores que de suas aplicações;
  • e reduzindo o custo financeiro de quem compra com empréstimo.

Todos estes fatores faziam 2020 ser um ano de grandes expectativas para o setor imobiliário.

Mas, devido a pandemia do novo Coronavírus, houve não só uma pausa econômica do setor como também uma reflexão sobre o futuro do padrão de consumo da população. Como a população vai viver, trabalhar e investir daqui para frente?

Como a pandemia do Covid-19 muda o padrão de consumo geral

Algo que parecia uma distante realidade no início tomou uma proporção mundial chegando a atingir pessoas próximas de nós. A pandemia teve e está tendo um impacto maior do que a maioria imaginava. E isso faz com que a população reflita sobre seus hábitos e necessidades. Essa reflexão passa diretamente por assuntos que interessam a todo o setor construtivo. Veja alguns deles:

Trabalho remoto

A necessidade de isolamento social faz com que profissionais deixem de ir a seus escritórios e empresas para ficar em home-office. Esta expressão, como você sabe, significa literalmente escritório em casa. Muitas pessoas tiveram que adaptar suas salas, quartos e até cozinhas para servirem de base de trabalho durante este período.

Algo que já vinha sendo aderido por profissionais e empresas em uma escala pequena passou a ser algo tão comum quanto pedir comida por delivery.

Apesar de ter muitos pontos positivos, como a economia de tempo no trânsito, possibilidade de horário mais flexível e contato maior com a família, o trabalho remoto tem seus desafios. Um deles é o segundo ponto que vamos abordar.

Nova dinâmica familiar

O ambiente familiar está recheado de distrações, como filhos, companheiro(a), TV, pets, etc. Achar um equilíbrio neste ambiente é um desafio para muitos. Além disso, em tempos de zoom e MS Teams, as pessoas passaram a ver os lares umas das outras, trazendo a atenção para a decoração destes ambientes.

Por buscar a preservação da saúde própria e de suas famílias aliando a possibilidade de trabalho remoto, as pessoas estão começando a mudar sua visão de necessidade. A tendência é que se dê mais valor para imóveis residenciais com um ou dois ambientes que possam ser usados como escritórios.

Futuro incerto, mas com novas possibilidades

Se esta tendência continuará ou não, é uma boa pergunta. Como alguns especialistas apontam, pandemias como esta podem se repetir e, por isso, a população pode ter que repetir estes protocolos de isolamento.

Se isso ocorrerá novamente, quais são os aprendizados desta pandemia? Como e onde as pessoas vão preferir ficar isoladas?

Além de casas ou apartamentos maiores com espaço para conciliar escritório, área de lazer e exercício com as demandas “normais”, a localização dos imóveis tem novo enfoque. Ao invés de buscar estar próximo à sede da empresa, muitas pessoas nem precisam ir mais à empresa todo dia.

Por isso, muitos valores antes sacrificados por conta do local de trabalho agora podem ser atendidos. A qualidade de vida, segurança e tranquilidade das cidades de interior deixaram de ser um luxo de final de semana para ser uma alternativa residencial atrativa, contribuído para um possível êxodo urbano.

Casas de campo podem refletir o novo padrão de consumo pós-pandemia

Maior busca por privacidade e higiene

A concentração urbana foi apontada como um dos fatores agravantes da pandemia. Os efeitos negativos do COVID-19 foram menores nas cidades de interior onde o distanciamento é facilitado e não há tanta aglomeração. Quem pode escolher onde ficar em isolamento levará estes fatos em consideração.

Prédios com áreas comuns menores e áreas privativas maiores para o convívio interno com familiares e amigos são uma alternativa. Soluções que trazem uma torre residencial junto a uma torre comercial, próximos de parques e áreas de lazer ao ar livre, aproximando o trabalho de casa ao máximo sem ser home-office, são uma alternativa.

Para aqueles que optarem pelo home-office, itens como rede ótica de dados, isolamento acústico nos ambientes de trabalho e elevador ou doca exclusiva para delivery, são opções.

Há também opções mais tecnológicas, como câmeras infravermelho que avisam se a pessoa está com febre ou dispositivos de higienização em áreas comuns, elevadores, piscina, etc.

Desafio de saúde pública

Quando tratamos de qualidade de vida e no padrão de consumo, geralmente pensamos no público que pode escolher onde morar.

Mas a maior parte da população brasileira não tem muita opção de escolha e mesmo assim precisa de moradias que possibilitem estudar ou trabalhar remotamente. Este é um desafio importantíssimo para a saúde pública.

Investimentos

E como estará o padrão de consumo daqueles que investem em imóveis?

Muitos acreditam que a demanda reprimida de imóveis nos meses de pandemia causará uma alta na demanda logo após este período.

No entanto, até que se tenha definições maiores do mercado, investidores podem optar por soluções mais flexíveis. Prédios ou casas que possam ser reconfiguradas facilmente ou ajustadas para futuros compradores e inquilinos são uma alternativa mais segura.

Existem métodos construtivos que facilitam esta flexibilidade.

Estruturas flexíveis para investimentos de validação rápida

Prédios que entregam somente a estrutura básica e deixam as divisões internas para seus habitantes representam uma opção. Outra opção muito mais flexível é a oferecida pela construção modular que, além de permitir o ajuste do layout interno, possibilita a ampliação em operação ou até mesmo a realocação.

Na pioneira da construção modular Brasil ao Cubo, clientes já buscam soluções com o enfoque na flexibilidade. Existem obras modulares que já estão em sua quarta localização e possibilitam virtualmente infinitas realocações.

Um ponto muito interessante é que uma obra modular, pela rapidez de sua fabricação e instalação, pode ser ampliada mesmo em operação. Isso possibilita que, por exemplo, um hotel instale 3 andares e se o negócio for bem, pode colocar mais 3 andares sem ter que ficar mais que uma semana fechado.

Desta forma o investidor pode validar cerca de 6 vezes mais rapidamente a sua tese ao invés de fazer uma aposta alta que levará um ano ou mais para ser validada. Terá a segurança de poder realocar o investimento e não ficar com ele imobilizado em um endereço.

O novo padrão de consumo aponta para construções flexíveis e modulares

Imóveis comerciais

Com a mudança no padrão de consumo, campeões de rentabilidade em algumas regiões, os imóveis comerciais passarão por uma ressignificação em muitos negócios. Empresas como a XP Investimentos estão pensando em transferir sua sede na capital Paulista por uma no interior, próximo a capital.

Com a redução da necessidade por escritórios que comporte a maior parte dos colaboradores, empresas maiores estão reavaliando seus espaços. Empresas de menor porte já se beneficiam de coworkings, reduzindo seu custo fixo e se beneficiando de um ecossistema mais colaborativo para os negócios.

Lojas físicas muitas vezes servem como mostruário para clientes que compram online. Isso poderá reduzir o espaço de estoque para aumentar o espaço de showroom. Outros negócios comerciais passam a atuar como microdistribuidores, como no caso das lojas Mormaii e até shoppings centers parceiros da Delivery Center.

As pessoas estão consumindo cada vez mais por delivery. E isso nã se aplica só alimentos, mas também a bens de consumo, como:

  • roupas;
  • maquiagens;
  • acessórios;
  • equipamentos de esporte;
  • entre outros.

Um setor que cresce muito com esta nova tendência são os galpões logísticos que abastecem as lojas e as distribuidoras.

Mudanças no padrão de consumo tornam os galpões logísticos cada vez mais importantes

Independentemente do tipo de construção escolhida, a gestão de custos e monitoramento físico-financeira da sua obra se tornou ainda mais importante.

É através de um planejamento financeiro e monitoramento preciso do que está sendo gasto que você conseguirá otimizar seus custos e se tornar mais competitivo.

Então importante buscar um sistema de gestão que possa atender à sua empresa. Veja agora como um ERP pode dar a você uma visão muito mais nítida do que está acontecendo em tempo real no seu negócio!