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Tenha mais lucratividade nas obras com indicadores de perdas

6 de setembro de 2018

Cá pra nós, poucos assuntos são tão polêmicos na construção civil como os desperdícios nas obras. Mas essa discussão seria mais produtiva se houvesse maior preocupação com a questão dos indicadores de perdas e sua adoção pelas construtoras e incorporadoras.

A verdade é que, apesar de ser um tema antigo, ainda há muitas falhas das empresas na hora de controlar o uso correto dos seus insumos.

Daí decorrem as perdas nas suas mais diversas formas, especialmente de material. Tudo isso representa, ao final, muita perda de dinheiro para o setor.

O fato é que, se não houver vigilância séria sobre esse item, a sua lucratividade pode ser muito comprometida. Por isso, quero insistir com você sobre a adoção de índices no canteiro que identifiquem claramente onde está problema.

Indicadores de desperdício e perda

Indicadores fazem o diagnóstico das perdas no canteiro

Vou explicar melhor como isso funciona.

A evolução do conceito  

Mas antes de chegarmos aos indicadores de perdas, você vai ver que até mesmo as definições de desperdícios – ou perdas – vêm sendo desconstruídas e reformuladas

A engenheira Wanessa Fazinga, mestre em engenharia de edificações e docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica como isto mudou.

Segundo ela, antes, só se falava em desperdícios de materiais. As publicações estavam focadas em criar fórmulas e métodos de medida no canteiro de obras para chegar a percentuais de desperdícios dos materiais mais importantes.

Depois de um tempo, passou-se a tratar do “desperdício incorporado”.

Mas o que  é isso?

Desperdício incorporado é aquele que não vira entulho, mas fica incorporado no serviço executado.

Ela dá um exemplo:  

Quando a parede fica torta se faz uma camada de reboco mais grossa. Essa espessura maior é um desperdício porque o material foi consumido, não virou resíduo. Mas, na verdade, não seria necessário se o trabalho fosse bem executado.

Temos aí o desperdício incorporado. Vamos adiante.

Lean Construction trata o tema como perdas

Desde o ano 2000 mais ou menos a teoria do Lean Construction ou Construção Enxuta começou a ser discutida fortemente e o nome desperdício foi alterado para “perdas”.  

Diz a engenheira:  

“Falar de perdas de materiais passou a ser criticado como uma visão muito simplista. A “onda” agora é que quando se vê a mão de obra envolvida com muitos transportes de materiais dentro do canteiro, isso é perda; quando o trabalhador se movimenta muito, agacha e levanta, sobe e desce de andaimes, isso é perda; quando algo fica pronto mas tem defeito, é perda.”  

Veja aqui um vídeo onde ela trata do tema.

Você vai saber agora qual é o tamanho, realmente, desse  problema no País.

Pesquisa nacional quantificou as perdas

indicadores de perda e desperdício

Mais de 100 canteiros foram observados em vários estados

Uma estimativa antiga, e que muitos ainda repetem, dizia que de cada três prédios construídos se poderia construir mais um com os desperdícios.  

Ou seja, se perdia cerca de 30% do material empregado. Foi o resultado de uma tese defendida na Escola Politécnica da USP, mas sobre o estudo de um único caso.

Porém, outra pesquisa coordenada pela Politécnica com 15 universidades, em mais de 100 canteiros de obras no país, trouxe dados mais realistas.

O levantamento determinou que a perda de materiais que viraram entulho ou foram incorporadas no empreendimento obra chegam a 8%. Não é um número tão absurdo, mas há muitas empresas com índices mais baixos ou mais elevados.

Além disso, não levou em conta as despesas com o pessoal empregado em decorrência desse desperdício, na remoção do entulho ou na realização da tarefa que incorporou perdas à obra.

Perdas com argamassa e cimento ainda são muito altos

No caso da argamassa, por exemplo, as perdas chegaram a cerca de 50% em algumas obras que foram objeto do estudo.

Quanto ao cimento, as perdas variaram de 8% a 288%!

Antes de prosseguir, deixe eu lhe indicar o nosso Ebook “Desperdício na Construção Civil: Descubra onde ocorre e como combatê-lo”. Ele traz dicas fortíssimas para você começar a resolver essa questão agora mesmo na sua empresa.

ebook desperdício na construção civil

Tipos de perdas são muitos

Vamos ver agora, mais detalhadamente, que perdas são essas de que tanto se fala.

Num artigo do Núcleo Orientado para a Inovação da Construção (NORIE) da UFRGS, o engenheiro Carlos Formoso e demais autores classificaram as perdas em nove categorias, pelo menos.

São elas:

  • Perdas por superprodução: ocorrem devido à produção emde materiais, como argamassa, em quantidades superiores às necessárias.
  • Perdas por substituição: decorrem da utilização de um material de valor ou características de desempenho superiores ao especificado.  
  • Perdas por espera: são relacionadas com a sincronização e o nivelamento dos fluxos de materiais e às atividades dos trabalhadores.  
  • Perdas por transporte: estão associadas ao manuseio excessivo ou inadequado de materiais e componentes devido à má programação das atividades ou de um layout ineficiente.  
  • Perdas no processamento em si: decorrem da falta de treinamento da mão de obra ou de deficiências no detalhamento dos projetos.
  • Perdas nos estoques: estão associadas à existência de estoques excessivos, em função da programação inadequada na entrega dos materiais ou de erros na orçamentação, entre outros equívocos.  
  • Perdas na movimentação: decorrem da realização de deslocamentos desnecessários dos trabalhadores, na execução das suas tarefas. Podem ser gerados por frentes de trabalho afastadas e de difícil acesso, falta de estudo de layout do canteiro e do posto de trabalho e falta de equipamentos adequados.  
  • Perdas devido a produtos defeituosos: ocorrem quando são fabricados produtos que não atendem aos requisitos de qualidade especificados.  
  • Outras: existem ainda tipos de perdas de natureza diferente dos anteriores, tais como roubo, vandalismo, acidentes, etc.

Exemplos de perdas segundo sua natureza, momento de incidência e a origem do problema  

tabela de perda e desperdício na construção civilFonte: NORIE/UFRGS

Você já tinha pensado em todas essas possibilidades de perdas? Pois é, veja quantas variáveis é preciso controlar num canteiro.

Agora, imagine o quanto tudo isso pode significar em dinheiro desperdiçado.  

Você deve estar perguntando agora o que fazer para enfrentar evitar esses problemas. No Ebook que indicamos apontamos seis soluções para isso:

  • Acompanhar seus processos
  • Criar indicadores de desperdício;
  • Modelo atualizado em tempo real;
  • Investir em tecnologia;
  • Ter um bom planejamento;
  • Contratar mão de obra qualificada;
  • Investir na sustentabilidade.

Vamos nos deter no segundo item, dos indicadores de desperdício, que precisam ser levados mais a sério pelo setor.

Você vai ver como isso é importante.

Levantamento de indicadores nas obras

indicadores de perdas e desperdício na construção civil

Segundo o mesmo estudo dos engenheiros da UFRGS, os índices cumprem um papel indispensável na avaliação do desempenho dos processos produtivos.  

Porém, a utilização mais comum desses indicadores tem sido apenas chamar a atenção para o baixo desempenho global do setor construção em termos de qualidade e produtividade.

 

Mas esta não é a principal função dos indicadores. Existem outras finalidades que possibilitam contribuir mais efetivamente para o desenvolvimento do setor.  

Aí estão elas:

Um indicador pode ter a função de visibilidade

Ou seja, demonstrar o desempenho atual de uma organização, indicando seus pontos fortes ou fracos ou chamando a atenção para suas disfunções. Este tipo de avaliação permite estabelecer prioridades em programas de melhoria da qualidade, indicando os setores da empresa nos quais intervenções são mais importantes ou viáveis.

Controle de um processo em relação a um padrão estabelecido

A partir da elaboração de um planejamento, o monitoramento de um indicador ao longo do tempo permite avaliar o desempenho do processo, identificando desvios e corrigindo a tempo as causas dos mesmos.  

Estabelecer metas ao longo de um processo de melhoria contínua

É um componente fundamental de um programa para melhoria da qualidade.  

Identificar as oportunidades de melhorias e verificar o impacto de intervenções no processo

Motivar as pessoas envolvidas no processo

Sempre que uma melhoria está sendo implantada é importante que um ou mais indicadores de desempenho associados à mesma sejam monitorados e sua evolução amplamente divulgada na organização.

Entre os diversos indicadores de perdas na Construção Civil, os autores do artigo acadêmico citam como exemplos os seguintes:  

  • Percentual de material adquirido em relação à quantidade teoricamente necessária.
  • Espessura média de revestimentos de argamassa.
  • Tempo de rotação de estoques.
  • Percentual de tempos improdutivos em relação ao tempo total.
  • Horas-homem gastas em retrabalho em relação ao consumo total.  

Carlos Formoso e seus colegas engenheiros ressaltam o seguinte:  

indicadores de desperdício e perdas

“Quando se mede um indicador de perdas é necessário ter valores de referência ou benchmarks para avaliar o desempenho em relação a outras empresas. Neste sentido, ao se divulgar um indicador de perdas, deve-se explicitar claramente o seu significado, isto é, o conceito adotado e o método de cálculo e os critérios de medição utilizados. É também necessário identificar as causas reais (não as aparentes) dos problemas que resultam em perdas, de forma a atuar de forma corretiva.”

Eles estudaram cinco obras para levantamento de dados e veja os indicadores que encontraram:

indicadores de perda e desperdício na construção civil

Fonte: NORIE/UFRGS

Como calcular as perdas na Construção Civil

A fórmula de cálculo das perdas de materiais pode ser a seguinte:

cálculo de indicadores de perda e desperdício

Para facilitar ainda mais a sua vida, temos um produto especial para você: o Quadro de Indicadores de Desperdício na Construção, que pode ser baixado gratuitamente no link.

Com esta planilha você vai saber o nível de desperdício geral e também obter informações sobre cada tipo de indicador, inclusive perdas relacionadas ao desempenho da mão de obra.

Assim poderá gerenciar sua empresa tendo em vista a correção de distorções no emprego dos insumos que podem estar prejudicando seu desempenho operacional e financeiro.

Conclusão

Como já vimos, os desperdícios ou perdas são um dos maiores problemas do setor. Embora discutidos há muito tempo, muitas empresas ainda patinam nestes quesitos.

Com isso, comprometem a sustentabilidade dos empreendimentos, um dos  princípios básicos da construção civil de hoje, e acumulam prejuízos.  

É hora de dar prioridade para isso, começando pela implementação dos indicadores. A partir daí, com o diagnósticos preciso que os índices oferecem, tomar as medidas corretivas necessárias.

Seu único risco com essa medida é aumentar a sua lucratividade.

Então, o que achou deste conteúdo? Espero que tenha gostado.

Deixe sua opinião, ela é muito importante para nós, e compartilhe com seus amigos, eles também podem estar precisando dessas informações.

Obrigado pela leitura e até o nosso próximo artigo!   

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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