Entrada e saída de materiais: como priorizar a compra de insumos?

Gustavo Prata

Gustavo Prata

Engenheiro Civil com mais de 12 anos de experiência em gerenciamento de obras, planejamentos, controle de cronograma físico-financeiro, orçamentos e organização de obras. Atualmente, é Product Manager no Sienge.

9 de novembro 2021

Compartilhe

Caso você ainda não saiba, controlar a entrada e saída de materiais do estoque vai além de ser uma boa prática de negócio, é também uma forma de cumprir a lei. Afinal, a NR 18, que fala sobre saúde e segurança no trabalho, tem um item especial sobre isso. O item 24 trata da armazenagem e estocagem de materiais.

Então, é importante não apenas entender o que esse item diz, mas ter as condições e o conhecimento para aplicar na prática suas diretrizes. Assim, além de garantir que a sua construtora ou incorporadora vai estar dentro da legislação, você garante também a eficiência de processos e os custos da obra dentro do orçamento.

Por isso, neste artigo eu vou mostrar para você o melhor modelo de gestão

Como a NR-18 afeta sua gestão de entrada e saída de materiais

A NR 18 traz 9 diretrizes que orientam como tratar os materiais de acordo com suas características, a fim de manter um padrão adequado para a entrada e saída de materiais. Assim, é possível manter um fluxo de armazenagem e movimentação de cada material para prevenir acidentes e desperdícios de todo tipo.

gestão de estoque faz a diferença

Aliás, vale lembrar que, do ponto de vista da norma, a prioridade é justamente evitar acidentes, e evitar desperdícios é apenas um benefício secundário. Apesar disso, seguir as diretrizes com cautela garante os dois benefícios.

Algumas regras do item 24 da NR-18 se aplicam a todos os materiais usados numa obra, enquanto outras orientações se referem a certos itens específicos. Assim, algumas das regras gerais são:

  • o piso do almoxarifado tem de ser nivelado, estável e sem umidade;
  • o armazenamento não pode interferir nas propriedades dos materiais;
  • materiais perigosos têm de ser identificados e isolados em áreas de acesso restrito
  • entre outras.

Conheça o melhor modelo de gestão de entrada e saída de materiais para a construção civil

Há diferentes tipos de controlar a entrada e saída de materiais, então é natural que surja a dúvida: qual é o melhor modelo de gestão de estoque? Primeiro, vou te mostrar de modo breve quais são os 4 sistemas mais conhecidos, e então explicar qual deles é mais adequado para o setor da construção civil.

  1. Número de produtos em andamento: nesse modelo de controle, cada obra pode ser encarada como um produto em andamento.
  2. Produtos finalizados: aqui se considera o escopo do estoque com base em obras já finalizadas.
  3. Produtos de consumo: a prioridade desse controle são os bens não duráveis. Por isso, esse modelo é pouco usado na construção civil, exceto por obras em que a logística de cargas é muito alta e o gasto com combustível é elevado.
  4. Matéria-prima e componentes prontos: esse é o melhor modelo para a construção civil, pois 50% dos custos de uma obra têm a ver com esse tipo de armazenagem.

Ainda dentro desse modelo de controle, existem alguns sistemas, ou metodologias, que você pode aplicar ao sistema de matéria prima e componentes prontos. Vamos falar sobre eles a seguir.

Veja 3 sistemas de controle de estoque que você precisa conhecer para controlar a entrada e saída de materiais

Os 3 sistemas para controlar a entrada e saída de materiais e priorizar a compra de insumos são:

1. Estoque mínimo

Se você precisa aumentar a produção ao mesmo tempo em que precisa manter o capital de giro alto, talvez o estoque mínimo seja para você. A grande vantagem é o baixo custo para guardar as matérias-primas, por conta do estoque limitado.

Além disso, a construtora recebe só o que precisa na hora certa, o que dá tranquilidade e reduz muito a complexidade da logística. Isso traz um grande ganho de produtividade quando comparado com modelos que contam com um estoque mais robusto.

Por fim, o estoque mínimo ainda oferece a flexibilidade que a construtora precisa para se dedicar a outros projetos e para aproveitar novas oportunidades de mercado.

Por outro lado, é preciso tomar vários cuidados antes de trabalhar com esse tipo de estoque, pois ele exige dois elementos essenciais:

  • um fornecedor que não falha;
  • controle absoluto da entrada e saída de materiais.

Pode ser bem caro e complexo ganhar a consciência necessária do estoque a ponto de manter só o mínimo com precisão. Além disso, usar planilhas ou outras ferramentas manuais é um risco muito alto, pois qualquer erro de preenchimento pode parar a obra por falta de materiais.

2. Curva ABC

O método da Curva ABC (Always Better Control) é a forma mais usada de controlar a entrada e saída de materiais com precisão. Ela usa uma lógica de dividir os itens em grupos para definir quais são as matérias-primas essenciais. A divisão é feita em 3 grupos:

  • A: entre 5% e 10% dos materiais que dominam 70% ou mais do orçamento;
  • B: itens que somam entre 15% e 20% da quantidade do inventário e consomem a mesma porcentagem do orçamento;
  • C: itens que compõem entre 5% e 10% do valor gasto com o inventário.

A partir dessa lista de itens mais importantes, é possível adotar um controle mais restrito nos materiais que são prioridade e adotar a lógica do estoque mínimo nos demais. Afinal, de todos os materiais de uma obra, alguns têm maior importância para o andamento da construção e para a fidelidade do orçamento.

A vantagem desse método é que ele facilita na hora de priorizar a compra de insumos e fazer isso de forma estratégica. Por outro lado, é preciso tomar cuidado para não ignorar os itens menos importantes, porque eles também dão suporte aos materiais do grupo A.

Por exemplo, sem um bom controle, é possível ter um item importante no estoque e ainda assim não poder usá-lo porque é preciso também um material secundário, não disponível.

3. EOQ

O método EOQ (Economic Order Quantity, ou Lote Econômico de Compras) concentra todos os pedidos em um único lote para economizar na parte logística.

Por conta disso, a construtora que seguir o método EOQ prioriza apenas um fornecedor, em vez de comprar de forma “picada”. A vantagem disso é um processo mais simples e que pode render bons descontos.

Por outro lado, é preciso avaliar bem se a economia logística compensa a compra com um único fornecedor. Além disso, o parceiro precisa ser muito confiável e capaz de suprir toda a demanda da obra.

Por fim, construtoras menores, com menor poder de negociação e menor necessidade de materiais em grande quantidade, talvez não tenham vantagem trabalhando com EOQ.

Como trabalhar a entrada e saída de materiais seguindo os princípios do Lean Construction

Lean Construction é uma metodologia de construção focada em reduzir o desperdício e aumentar a produtividade da obra, e tem ganhado espaço com bons motivos. Um deles é acompanhar o fluxo dos materiais na obra para controlar o prazo e os custos.

Para garantir que a entrada e saída de materiais contribua para o maior valor agregado possível ao produto final, a metodologia leva em conta toda a construtora. Assim, não se acompanha apenas o estoque ou o processo de compra dos materiais, mas como isso se encaixa no contexto geral da obra e das decisões da empresa.

Mas isso não funciona só com planilhas. É preciso ter uma solução completa e integrada de gestão, que permita olhar o negócio com visão 360° e tomar decisões assertivas de acordo com isso.

Ou seja, controlar a entrada e saída de materiais é uma missão estratégica de grande valor. Com as dicas que você encontrou aqui, pode agora escolher a melhor forma de priorizar a compra dos seus insumos e definir qual sistema se encaixa melhor nas suas prioridades de negócio.

E se quiser se aprofundar mais no assunto, baixe agora o nosso guia do controle de estoque na entrada e saída de materiais da construção civil!

Compartilhe