Casa Verde e Amarela: de que forma o aumento nos insumos impacta o consumidor final?

Gustavo Prata

Gustavo Prata

Engenheiro Civil com mais de 12 anos de experiência em gerenciamento de obras, planejamentos, controle de cronograma físico-financeiro, orçamentos e organização de obras. Atualmente, é Product Manager no Sienge.

3 de agosto 2021

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O programa Casa Verde e Amarela é uma das formas principais de financiamento de imóveis populares no Brasil. Mas até que ponto a alta de insumos da construção civil pode comprometer isso?

O índice do aumento de preços tem batido recordes negativos, e isso deve pesar no bolso do cliente final. Mas como o mercado da construção civil tem reagido? E o que você pode fazer na sua empresa?

É isso que eu vou te mostrar neste artigo.

Qual a causa da disparada no aumento dos preços de insumos

O INCC (Índice Nacional de Custo de Construção) é o índice que avalia a variação dos preços de materiais e mão de obra da construção civil no Brasil. E no último ano, ele tem mostrado um cenário nada agradável para o setor.

No período de 12 meses encerrado em junho de 2021, o aumento já estava acumulado em 32,92%, um recorde negativo. Mas o que levou a esse aumento tão grande? Se for para destacar um grande motivo, seria a pandemia de Covid-19, pois ela está por trás de vários dos elementos que causaram o aumento dos preços.

Mas, isolando os motivos de forma mais específica, podemos citar fatores como:

  • aumento dos preços de commodities minerais e metálicas que são usadas em matérias primas comuns da construção civil;
  • grande aumento da cotação do dólar com relação ao real;
  • demanda maior por imóveis residenciais, que gera uma procura maior por materiais usados na construção civil;
  • alta no preço dos fretes;
  • e falta de materiais e itens importantes de construção nos países que exportam para o Brasil.

De fato, os efeitos da pandemia geraram uma crise de desabastecimento que ainda vai levar um tempo para corrigir, e isso afeta o mundo todo. Como o Brasil tem uma moeda fraca, o real, e os mercados internacionais negociam em dólares, tudo fica mais caro.

Para o Brasil, isso gera um problema extra:

A maior parte dos imóveis vendidos no país é por meio de programas de financiamento populares, como o programa Casa Verde e Amarela.

Mas, diante da crise dos preços, não tem como fugir da pergunta:

Quanto isso afeta o bolso do cliente final e, por sua vez, a capacidade de as construtoras e incorporadoras continuarem vendendo? É o que vamos ver a seguir.

Como o aumento dos preços de insumos afeta o bolso do cliente final do programa Casa Verde e Amarela

Não tem como negar que qualquer alta, ainda mais uma tão grande e prolongada quanto essa do INCC, vai afetar o bolso do cliente final, mais cedo ou mais tarde. E, em muitos casos, principalmente para quem está construindo por conta própria, o problema já é bem evidente. Em alguns casos, os materiais apresentaram alta de mais de até 91% no preço.

Mas, ao menos até o momento, o programa Casa Verde e Amarela ainda continua ativo e funcionando com os mesmos critérios de antes. Assim, apesar de algumas empresas terem decidido reduzir os planos para o programa e focar em imóveis mais rentáveis, o programa ainda é bem relevante para o cenário nacional.

Além disso, a oferta de imóveis financiados pela iniciativa do governo federal continua grande. Isso se deve, em parte, ao modo criativo com que muitas construtoras e incorporadoras têm reagido ao momento.

Como o mercado da construção civil está encarando o programa Casa Verde e Amarela diante da alta de insumos

O que as construtoras e incorporadoras estão fazendo para manter as vendas mesmo com os problemas causados pela alta dos insumos da construção? Uma das táticas foi reduzir a margem e continuar as vendas, com a confiança de que os preços vão se estabilizar com a retomada da vida pós-pandemia.

Assim, muitas empresas não repassaram os aumentos de custos ao cliente final, na confiança de que os investimentos pelo programa ainda serão rentáveis no longo prazo. Prova disso é que, segundo matéria da Jovem Pan, o programa Casa Verde e Amarela representou 85,3% dos lançamentos imobiliários e 83,6% das vendas residenciais nos últimos 12 meses.

aumento de insumos não parou a construção civil

Já outras empresas adotaram uma estratégia mais direta e deixaram o programa um pouco de lado. Para estas empresas, faz mais sentido focar em empreendimentos que no momento são mais rentáveis. Em outras palavras, elas passaram a focar nos imóveis de padrão mais alto, cujo impacto do INCC é menor para diminuir o ímpeto do comprador.

Mas uma coisa é certa:

O mercado da construção civil não parou por causa da alta dos insumos. E nem o programa Casa Verde e Amarela. Pelo contrário, o otimismo é tanto que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) retomou a confiança no crescimento do setor e projeta uma alta de 4% em 2021, a maior em 8 anos.

Recentemente, essa projeção tinha caído para 2,5%, justamente por conta dos aumentos de insumos e incertezas relacionadas com a pandemia. Mas agora já há evidências de que o setor pode crescer mais.

3 dicas para a sua construtora ou incorporadora continuar vendendo pelo programa Casa Verde e Amarela

Diante do cenário, e depois de ver os diferentes caminhos que muitas construtoras e incorporadoras estão tomando para manter as vendas, é hora de você decidir: vale a pena continuar no programa Casa Verde e Amarela ou é melhor investir apenas em outros projetos?

É claro que a resposta certa vai depender de vários fatores, que só você pode avaliar. Por um lado, para algumas empresas faz muito mais sentido trabalhar com o programa do que para outras. Por outro lado, as moradias populares ainda são, de longe, a maior fatia do mercado da construção residencial no Brasil.

Então, se você está pensando em como continuar trabalhando com o programa Casa Verde e Amarela, mas ainda não sabe como, estas 3 dicas podem ajudar:

1. Empreendimentos para as faixas 2 e 3 do programa

A primeira coisa que você pode fazer para se adaptar sem precisar sair do programa é fazer lançamentos para as faixas 2 e 3 do programa, as que miram uma renda mais alta. A faixa 3, por exemplo, é para famílias com renda de até R$7 mil mensais. Logo, os imóveis têm um padrão mais alto e podem ser mais rentáveis para justificar o empreendimento.

Empresas como a Direcional adotaram essa abordagem, ao deixar de lado alguns projetos voltados para a faixa 1 e focar mais em lançamentos de imóveis para as faixas 1 e 2 do programa.

2. Reduzir os custos de gestão para ser mais agressivo nas vendas

Outro ponto importante que pode ajudar a sua construtora ou incorporadora a se manter no programa sem repassar tanto os custos para o cliente final é reduzir os custos de gestão. Com uma plataforma integrada é possível reduzir muitos processos que não funcionam, ganhar agilidade nas obras e reduzir custos.

A partir daí, reduzir as margens não se torna um custo que pode levar a empresa à ruína. Antes, vira uma oportunidade de ser mais agressivo nas vendas para recuperar o lucro no volume de unidades vendidas.

3. Aproveitar tendências de mercado para inovar e se destacar

A ideia de que toda crise traz grandes oportunidades é bem conhecida, e é verdade. Uma das oportunidades que a alta dos preços de insumos traz é a de usar novos insumos ainda pouco conhecidos e inovadores.

O mercado de materiais construtivos está aumentando. Entre as novidades, muitos materiais sustentáveis podem servir de alternativa e até ser mais baratos neste momento. Além do custo, a demanda por construções verdes cresce a cada dia e servir a essa fatia de mercado é um bom modo de inovar e se destacar.

Assim, o programa Casa Verde e Amarela foi afetado pela alta dos insumos usados na construção civil, mas não há motivo para pânico entre as empresas do setor. Há vários caminhos a seguir, e com as informações que você viu aqui hoje, será mais fácil decidir como manter os lucros.

Quer saber mais sobre os benefícios de realizar uma gestão integrada na construção civil? Veja agora neste artigo sobre o tema!

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