O que é NR 33 e quando se aplica?

Eng. Jonathan Degani

Eng. Jonathan Degani

CTO da Brasil ao Cubo
Criando inovação na Construção Civil

27 de agosto 2019

Nem todas as pessoas sentem desconforto em um ambiente confinado ou sofrem de claustrofobia. Há quem se sinta bem para trabalhar em ambientes sem muito espaço. No entanto, há diversas questões envolvidas na execução destas atividades que são determinantes para a segurança e qualidade das mesmas.

Para você entender as implicações de uma atividade em espaço confinado e executá-las de acordo com a NR 33, fiz este artigo. Nele, relato como é o treinamento para trabalhos em espaço confinado, para tornar-se resgatista e supervisor, como é uma atividade deste tipo e quais cuidados você como responsável técnico tem que ter.

Em uma de nossas obras, tivemos que fazer um fundo de uma caixa a 2,20m de profundidade passando por uma tampa de apenas 54 cm de diâmetro. Tivemos que treinar um pedreiro para poder, com o apoio de um resgatista e supervisor, executar com sucesso esta atividade.

Mas do que a NR 33 trata exatamente?

Esta norma serve de base para todos os trabalhos em ambientes confinados. Ela traz as instruções tanto de como proceder nestas atividades, equipamentos necessários, resgatista e supervisor, equipamentos para içamento dentre outras informações. São diversos detalhes que devem ser observados para executar a atividade com segurança.

No entanto, para executar atividades como estas de acordo com a NR 33, é necessário fazer um treinamento para espaço confinado. Este treinamento tem duração de dois dias e prepara o profissional para executar as atividades, analisar os riscos e lidar com as adversidades ou acidentes.

Durante o treinamento dado ao nosso pedreiro Valdiney, foram passadas técnicas de descida com cordas e cadeirinha até 10m de profundidade, de cabeça para baixo, etc. Na questão da análise de riscos, foi passada a importância da medição dos níveis de CO2 e de gases tóxicos em ambientes confinados para determinar a necessidade de máscara de oxigênio ou ventilação forçada.

Em casos de acidente ou alguma adversidade, é necessário o resgate do profissional. Por este motivo, atividades em ambientes confinados necessitam resgatista. Em alguns casos, além do resgatista é necessário também um supervisor, que fará a avaliação dos riscos e das atividades junto com o profissional que executará as tarefas.

Para exercer a atividade de resgatista, o profissional deve fazer um curso de cinco dias onde receberá treinamento de primeiros socorros, técnicas para içamento, etc. Com esta formação ele poderá acompanhar qualquer tipo de atividade em espaço confinado e garantir qualidade e segurança.

A atividade de espaço confinado na prática

Sob a responsabilidade e supervisão do nosso Técnico em Edificações João Carlos, o pedreiro Valdiney executou a limpeza a concretagem de um fundo de uma caixa pluvial. A atividade ocorreu na Refrigeranteira Ambev de Jundiaí e contou com o serviço de resgatista e todos os equipamentos da Safety for You.

Previamente, a nossa Técnica em Segurança do Trabalho Pamela e elaborou uma Análise Prévia de Riscos (APR) e apresentaram ao o TST Jackson e ao chefe de segurança da unidade. Com a análise e a aprovação da APR, foi possível dar início à mobilização dos equipamentos e da equipe necessários para a atividade.

NR 33

Esta APR previu, dentre outras coisas, a identificação das fontes e posterior isolamento dos canos que jogavam água naquela caixa. Em uma das caixas isso foi possível pois havia somente uma fonte. Na outra caixa, não foi identificada a origem de um dos canos e por isso o trabalho foi executado posteriormente.

Para se isolar um cano não identificado pode ser utilizado uma ferramenta que se assemelha a um balão. É um objeto que é colocado na boca do cano e inflado até que preencha toda a saída e isole aquele cano. Este objeto permanece ali durante toda a atividade e após concluir e as pessoas saírem do espaço, ele pode ser desinflado. 

Outra questão prevista na APR foram as medições do nível de CO2 e dos gases tóxicos dentro do ambiente com a utilização de um medidor específico. Com os níveis destes gases dentro dos parâmetros permitidos e o ambiente oferecendo segurança para a atividade, foi iniciada a montagem do tripé de içamento.

Este equipamento serve como suporte para o sistema de roldanas necessário para içar o profissional para dentro e para fora da caixa pluvial. Ele consiste numa estrutura com esta da imagem. Ela é própria para este tipo de atividade, no entanto existem outras formas de estruturas que podem ser utilizadas também.

NR 33 2

Como você poderá ver nos vídeos a seguir, a atividade foi um sucesso. O fundo da caixa foi limpo, a armação foi posta e concreto derramado sem nenhum problema. Para desempenar o concreto houve um detalhe interessante já que não se pode pisar no fundo da caixa. Foi içado o Valdiey até que ficasse um pouco suspenso e pudesse desempenar.

Nesta atividade não foi necessário o uso de máscara ou de ventilação forçada. No entanto, cada atividade que você for executar deve ser avaliada individualmente por um profissional habilitado. A existência de alto nível de CO2 ou algum gás tóxico pode causar o desmaio de quem está dentro do ambiente.

Erros comuns

Os erros mais comuns são causados por desconsiderar ou menosprezar os riscos envolvidos. Posso exemplificar a você alguns destes erros:

  •         Falta de análise prévia e planejamento
  •         Incapacidade técnica da equipe
  •         Preparação inadequada do ambiente
  •         Falta de equipamentos adequados
  •         Pressa

A falta de análise prévia consiste em executar algo sem o devido preparo e leitura do ambiente. Através da leitura do ambiente da atividade é que são percebidos os riscos e possibilidades de execução segura. Com isso é possível fazer o planejamento adequado da atividade. Dentro da Ambev somos exigidos uma APR exatamente para isso.

Em valas recém-abertas no solo, além das dificuldades de acesso e demais dificuldades já mencionadas, existe também o risco de desmoronamento. Para mitigar este risco, é necessário avaliar o tipo de solo. Com isso é possível determinar a inclinação máxima do talude para se trabalhar em segurança.

No entanto, não basta tentar fazer uma análise prévia se a equipe não está devidamente capacitada. Como mencionei anteriormente, existem treinamentos para trabalhos em espaço confinado e para resgatista. Portanto, para executar alguma atividade como esta, é necessário ter o treinamento.

Somente através destes treinamentos é que os profissionais estarão preparados para perceber os riscos existentes e traçar a melhor estratégia para executar a tarefa. Sem isso, o risco de ocorrer um problema é muito maior.

É também através dos treinamentos e da experiência que o profissional terá a capacidade de preparar o ambiente para a atividade. Preparar o ambiente consiste em limpar, organizar os materiais a serem utilizados, adequar a iluminação, posicionar os equipamentos para içamento e resgate dentre outras atividades.

Outro ponto fundamental para a segurança da atividade é a utilização de equipamentos adequados. Sem estes, a atividade tende a ser ou mais insegura e muito mais lenta. Como na maioria dos casos o tempo é limitado, a atividade sem equipamentos adequados se torna insegura.

Por fim, o que pode comprometer a segurança mesmo tendo os melhores profissionais e equipamentos, feito toda a análise e preparo é a pressa. Atividades como estas que envolvem içamento, uso de máscara de oxigênio, medidores de gás, etc, um simples deslize no procedimento pode comprometer a atividade.

Portanto, tenha em mente que atividades como estas deve ser executada em um ritmo mais lento do que uma atividade normal. De que qualquer erro pode se tornar um grande problema e que, por isso, deve ser mantida a calma para executar bem o que foi planejado e lidar com os imprevistos da melhor forma.

Espero que você tenha aproveitado este artigo e que com isso possa buscar melhorar ainda mais as suas atividades em espaços confinados. Há muitos trabalhos que caracterizam espaço confinado e necessitam de um cuidado maior por parte do responsável técnico.

Para auxiliar na redução dos riscos em trabalhos assim o ideal é contar com um profissional especializado ou com experiência na área ou atividade a ser desenvolvida. Nós engenheiros civis não aprendemos em nossa formação como analisar todos os riscos envolvidos nestas atividades e, por isso, temos que contar com o apoio dos TST.

Desta forma você evoluirá e ganhará experiência para realizar as atividades em espaço confinado com cada vez mais segurança e qualidade.