Indústria da Construção em 2021: projeções e expectativas

Bruno Loturco

Bruno Loturco

Apaixonado pela Indústria da Construção, atua no setor desde 2002. É especialista em comunicação e acredita que a adoção de tecnologia é o único caminho possível para a transformação da cadeia da construção. Atualmente, é Coordenador de Comunicação Estratégica do Sienge.

21 de dezembro 2020

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A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou recentemente uma retrospectiva sobre o desempenho do nosso setor em 2020 e as projeções da Indústria da Construção em 2021. Em um momento de tantas incertezas como o atual, é essencial que você esteja por dentro dos números do setor. 

Até porque, mesmo em um cenário tão incerto e desafiador, houve avanços. Quer um exemplo? A construção foi o setor que mais gerou empregos no país nos primeiros dez meses de 2020, com a criação de 138.409 vagas formais, de acordo com dados do Ministério da Economia. Esse é o melhor resultado para o período desde 2013, quando a construção gerou 207.787 novas vagas.

A construção foi o setor que mais gerou empregos no país nos primeiros dez meses de 2020
O número de trabalhadores com carteira assinada na Indústria da Construção cresceu 6,4% de janeiro a outubro/2020

E poderia ter sido melhor se o nível de atividade da construção estivesse em níveis mais elevados. Atualmente, as atividades do setor estão 36% abaixo do pico de 2014, quando atingiram seu melhor nível. E o PIB da construção civil no 3º trimestre de 2020 ficou no mesmo patamar do observado no início de 2007. 

“As nossas atividades não foram paralisadas. Em março, imaginávamos que fecharíamos o ano com PIB negativo de até 11%. No entanto, vamos chegar ao fim do ano com projeção de redução de 2,8% e mais de 100 mil vagas geradas”, explica o presidente da CBIC, José Carlos Martins. 

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Desafios da Indústria da Construção em 2021

Para falar dos desafios que as construtoras precisam enfrentar em 2021, é preciso, antes, olhar os problemas de 2020, como a questão do desabastecimento. O desabastecimento é preocupante porque, entre outras coisas, inibe os lançamentos imobiliários

O desabastecimento de materiais preocupa o setor

Na visão dos empresários da construção, conforme sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da CBIC, o principal problema que eles enfrentaram no 3º trimestre de 2020 foi a falta ou o alto custo de matéria-prima, com 39,2% das assinalações.

De acordo com o INCC-Materiais e Equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta de preços no período de janeiro a novembro foi de 17,78%, a maior do período pós-Real. Alguns insumos chegaram a registrar aumentos superiores a 50% no mesmo período.

A alta nos preços dos materiais foi um problema para a construção em 2020
A alta de 17,78% do INCC foi a maior desde o Plano Real

Mas vale lembrar que o INCC mede o custo da construção em sete capitais do país (Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo). Sendo assim, aumentos maiores do que esses podem ter sido observados.

É importante ressaltar que esse cenário de aumento de preços de materiais pode ter contribuído para reduzir o ritmo de atividades do setor, pois gerou instabilidade e incerteza perante os contratos. Então, num país com meta para inflação de 4% em 2020, estes aumentos são excessivos e prejudicam o andamento das atividades.

Dessa forma, a melhora do setor em 2021 passa pela resolução desses problemas e também da elevada carga tributária, que aparece em segundo lugar na lista, com 28,2% de assinalações, seguida da demanda interna insuficiente, com 26,4%.

Projeções: o que esperar do setor em 2021

Mesmo com um cenário ainda incerto, a Sondagem da Indústria da Construção mostra que os empresários do setor possuem expectativas bem positivas para os próximos seis meses. 

Os resultados do trabalho sinalizam aumento na compra de insumos e geração de novas vagas.

Os índices de expectativa também demonstram que os empresários estimam o aumento do nível de atividade e um maior volume de lançamentos de novos empreendimentos e serviços.

PIB otimista 

A perspectiva é que a economia brasileira encerre o ano de 2020 com queda de 4,41% no PIB. A retração aguardada para a construção no ano é de 2,8%. 

Para 2021, as expectativas para o país são positivas: expansão de 3,5% para a economia brasileira e 4% para a construção civil, segundo projeções realizadas pela CBIC.

Assim, caso a estimativa se confirme, essa será a maior expansão para a construção civil desde 2013, quando o setor tinha crescido 4,5%. Tudo indica, então, que a Indústria da Construção em 2021 terá um desempenho melhor que o restante da economia.

O risco para esse desempenho é, de fato, o desabastecimento. “Com esse PIB, seriam abertas cerca de 150 mil novas vagas de trabalho. Estamos otimistas, mas conservadores”, afirma o presidente da CBIC.

Para que a avaliação se concretize, de acordo com Martins, é importante que os programas de concessões e os debates para reformas estruturantes tenham andamento tanto no Poder Executivo Federal quanto no Congresso Nacional. 

CBIC projeto crescimento de 4% para o PIB da construção em 2021

Medidas como a sanção da Lei 13.786/2018, a chamada Lei do Distrato Imobiliário, o Novo Marco do Saneamento e o lançamento do programa Casa Verde e Amarela também contribuem para o cenário favorável para 2021.

Investimentos para melhorar a Indústria da Construção em 2021

A retomada do crescimento da Indústria da Construção em 2021 também passa pelo crescimento dos investimentos. Pois, no 3º trimestre de 2020, a taxa de investimento do Brasil em relação ao seu PIB foi de apenas 16,2%. 

É um número baixo se olharmos para outros países:

  • China: 42,84%
  • Espanha: 20,02%
  • Austrália: 23,31%
  • Canadá: 22,1%
  • Chile: 22,44%
  • França: 23,63%
  • Uruguai: 17,18%

Na última década (2010-2019), no entanto, a construção foi responsável por cerca de 50% dos investimentos no Brasil. Em 2019, esse número foi de cerca de 44%.

Ieda Vasconcelos, economista da CBIC, destaca que quando a taxa de investimento do Brasil foi superior a 21%, a construção civil participava com mais de 50% dessa taxa. “A taxa de investimento, para melhorar, precisa necessariamente passar pelo setor da construção civil”, afirma.

A CBIC também apresentou uma análise da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de Brasil, Canadá, Portugal, Colômbia, Espanha, Israel e México. Os dados mostram que é no Brasil onde a construção tem a menor participação no indicador. 

No Canadá, a participação da construção na FBCF é de 69,25%, em Portugal 52%, na Colômbia 62,65%, na Espanha 49,87%, em Israel 53,16% e no México 55,69%.

No Brasil, a participação da construção na FBCF é de 44,16%. Dessa forma, o país que possui a menor participação da construção na FBCF é, justamente, o país que também possui, nessa comparação, a menor taxa de investimento.

Considerações finais

Para finalizar, quero acrescentar aqui mais alguns dados que corroboram o otimismo para a Indústria da Construção em 2021:

  • O número de trabalhadores com carteira assinada na Construção Civil cresceu 6,4% de janeiro a outubro de 2020.
  • No acumulado dos primeiros nove meses de 2020 observa-se incremento de 8,4% nas vendas de imóveis novos no país.
  • Nos primeiros dez meses de 2020, os empréstimos destinados à aquisição e construção de imóveis, com recursos do SBPE, totalizaram R$ 92,67 bilhões. Isso correspondeu a um incremento de 48,8% em relação a igual período de 2019 (R$ 62,258 bilhões).
  • O volume de financiamento de janeiro a outubro de 2020 já superou o valor total financiado em 2019 (R$ 78,702 bilhões). Além disso, o valor financiado em 2020, até outubro, foi o maior para o período desde 2014.
  • De janeiro e outubro de 2020, foram financiadas 324,6 mil unidades, o que correspondeu a 36,8% de alta em relação a igual período de 2019 (237,4 mil). Foi o maior número de unidades financiadas para o período desde 2014.

Vendas do mercado imobiliário fecham em alta em 2020

Portanto, em um ano que tinha tudo para ser péssimo, notamos que houve avanços e precisamos comemorá-los. Agora, tudo indica que teremos um 2021 melhor que 2020.

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