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Coliving e coworking redefinem as maneiras de morar e trabalhar

17 de Maio de 2018

Convenhamos, os locais de moradia e trabalho são duas questões muito importantes na vida de qualquer pessoa, não é mesmo? Nesse sentido, os conceitos de coliving e coworking vêm inspirando muitos empreendimentos, nos últimos tempos.

São dois modos, ou dois estilos de vida, que estão redefinindo a maneira de morar e trabalhar. Mas o que é isso, exatamente? Eu vou explicar a você.

Tanto uma quanto a outra palavra, em inglês, trazem na sua essência uma atitude típica do nosso século XXI: o compartilhamento.

Compartilhar um lugar para morar, compartilhar o local de trabalho, eis um resumo desses dois conceitos.  

É muito mais que isso, na verdade.

Público típico do coliving é a geração y

É inevitável: as pessoas sempre associam o coliving às conhecidas repúblicas estudantis. Têm uma certa razão, pois as duas experiências guardam alguma semelhança, no que diz respeito à vida numa comunidade e o compartilhamento de espaços.

Porém, as semelhanças param por aí. Nas repúblicas o público é quem ainda está em plena formação acadêmica, ou até secundarista. A improvisação e uma certa precariedade são bastante comuns.

No coliving, entretanto, estamos falando de empreendimentos planejados, com alto grau de conforto, praticidade e até um certo requinte, em muitos casos. É dirigido para um público que já sabe o que quer, com a vida profissional mais ou menos encaminhada, que busca também economia e um certo ideal da vida em comunidade.  

coliving e coworking

The Coletive, em Londres (Foto: Wikihaus/Divulgação)

Eduardo Pricladnitzki é sócio da Wikihaus Incorporadora, de Porto Alegre, que está investindo fortemente neste segmento. Segundo ele, o público típico que busca o coliving como opção de moradia é a geração Y.

É uma geração que “valoriza o acesso em detrimento da posse, quer resgatar a convivência perdida pelos laços digitais. Quer mais experiência, mais funcionalidade ao invés de luxo, conveniência no seu dia a dia e um espaço prático para morar”, diz o empresário.

 Também querem colaborar e compartilhar mais. O coliving, por padrão, oferece tudo isso em uma região central, bem localizada e com ótimo acesso. ]

Mas como isso funciona, na prática?

O coliving, na verdade, é um movimento mundial, que ganhou força nos últimos anos mas que nasceu há bem mais tempo. Teve sua origem em  a partir de Saettedammen, o primeiro projeto cohousing do mundo.  

Cohousing é um termo similar ao coliving, que se refere ao compartilhamento de habitações. Numa comunidade com 35 famílias, na Dinamarca, a ideia era manter as moradias privadas, cada família na sua.  

Mas compartilhavam espaços de convivência e atividades, como refeições e limpeza de ambientes. O objetivo era estimular o relacionamento entre vizinhos. O formato foi se adaptando, até chegar à divisão de espaços de uma moradia, projetada para isso.  

Pode ser um edifício, uma grande casa ou mesmo uma mansão.

As pessoas têm seu próprio espaço privado, seus quartos e banheiros, basicamente. Porém, dividem muitos espaços de uso comuns, como cozinha, lavanderia, biblioteca, sala de estar, sala de festas, sala de jogos, bicicletário, piscina, jardins e outras áreas.

Desta forma, além de uma opção de moradia, o coliving é um estilo de vida que estimula o convívio, a sustentabilidade e a colaboração.  

Para a clientela, é uma maneira de viver em locais valorizados, bem localizados, a preços mais acessíveis do que a compra de um apartamento ou casa. Com ótima infraestrutura, qualidade de vida e boas companhias.

Vai ser muito difícil alguém reclamar de solidão num espaço de coliving. Em compensação, pessoas excessivamente individualistas, provavelmente, não vão se dar bem num lugar assim.

Agora, conheça o manifesto coliving 

O manifesto coliving foi criado pela Coliving.org e resume bem os principais fundamentos desse movimento:  

  • Comunidade em harmonia com a individualidade.
  • Aproximação de pessoas e troca de experiências.
  • Consumo pensado na colaboração.
  • Projeção compartilhada de residências.
  • Economia de recursos naturais.
  • Divisão de decisões e tarefas.

Quem está no ramo destaca que todas as bases do coliving se aproximam dos ideais de reaproveitamento e consumo consciente. Ideias identificadas com a cultura da economia colaborativa, outra tendência deste início de século.  

Eu vou apresentar a você algo muito interessante:

The Colletive: o maior projeto coliving do mundo

Nos Estados Unidos e Europa, esse já é um conceito de vida amplamente consolidado. Tanto que em Londres fica aquele que é considerado o maior projeto coliving do mundo: The Colletive Old Oak, com dez andares e mais de 500 quartos.  

Neste lugar, seus moradores compartilham cozinhas comunitárias, salas de jantar, biblioteca, restaurante, spa, lojas de conveniência e outras dependências. Uma equipe contratada faz a limpeza diária.

The Colletive também integra uma rede internacional, que se chama Global Coliving Community, que tem empreendimentos do gênero em Miami, Bali, Tokyo e em breve em São Francisco.  

Para que algo assim dê certo, contudo, as pessoas precisam ter valores parecidos e ter disposição para a vida em comunidade. Devem estar dispostas a dividir tarefas e áreas comuns.

Ficou curioso?  Conheça melhor The Colletive neste vídeo:

Incorporadoras no Brasil descobrem o potencial do coliving

No Brasil, este é um fenômeno recente cujo potencial está sendo rapidamente descoberto pelos empreendedores do ramo imobiliário e construção civil.

É o caso da Wikihaus, que lançou em Porto Alegre o Cine Teatro Presidente, um empreendimento coliving feito para venda que já tem 80% dos apartamentos negociados.

“Em breve, além do Cine Teatro Presidente, teremos outro coliving em Porto Alegre. O objetivo é levar este produto para outras praças no Brasil”, anuncia Eduardo Pricladnitzki.

Conforme o sócio da empresa, o coliving é um mercado muito novo no Brasil, realmente.

“Mas existe uma grande demanda, visto que as pessoas que estão começando a adquirir imóveis têm um perfil diferente das que adquiriam antigamente e valorizam os atributos que estão presentes em um coliving”.

“Além disso, a questão da escassez de terrenos é uma realidade, então as áreas centrais têm que ser bem aproveitadas e mais compartilhadas”, acrescenta.

Aliás, sobre esse assunto temos um material gratuito bem interessante para você baixar, o Modelo do Manual do Proprietário de Imóveis.

Agora, vamos conhecer melhor o coworking.

Crescimento do coworking foi de 400% em dois anos

Alguns projetos de coliving incluem espaços coworking também, que nada mais é que o compartilhamento de escritórios especialmente projetados para isso.  

coliving e coworking

Coworking Casa Vermelha, em São Paulo (Fonte: Coworking Brasil/Divulgação)

“É a revolução que está alterando para sempre a forma que pequenas empresas, profissionais freelancers e autônomos se relacionam entre si, com seus fornecedores e clientes”, define a Coworking Brasil no seu site.  

Trata-se de uma organização que reúne fundadores de espaços coworking e divulga o conceito no País. Na onda das tendências dos freelancing e das startups, esse modelo de negócio alcançou um crescimento de 400% no mundo em dois anos, diz um vídeo do site.  

Estima-se que existam mais de 4 mil espaços do gênero no mundo, sendo mais de 800 no Brasil. Todos são pensados para o trabalho autônomo, que reúna pessoas das mais diversas áreas, criando um ambiente acolhedor, funcional e colaborativo, com muito networking.

coliving e coworking

Ranking por estado (Fonte: Coworking Brasil)

As pessoas alugam os espaços que vão usar por horas, dias, meses, conforme sua necessidade.  Veja um exemplo aqui.

“Todo esse êxito é produto de uma ideia simples: profissionais independentes que procuram um espaço democrático em que possam desenvolver seus projetos sem o isolamento do home office ou as distrações de espaços públicos”, define a Coworking Brasil.

Ali, os usuários encontram toda infraestrutura que precisam para desenvolver suas atividades. Isto inclui as: estações de trabalho, internet, telefonia, copiadoras, salas de reunião e até o bom café e tudo o mais que se possa imaginar. A um custo bem menor que manter um escritório ou uma agência particular.  

Para entender melhor, veja este vídeo:

Você vai ficar impressionado com os dados de um estudo sobre este setor.

Censo do coworking no Brasil mostra crescimento de 114%  

A Coworking Brasil realizou um censo em 2017 que contabilizava 810 espaços ano passado, um aumento de 114% em relação a 2016.  

Veja que interessante este perfil do coworking no País:

  • São 56 mil estações de trabalho;
  • 313 mil metros quadrados ocupados;
  • 82 milhões movimentados (em 2016);
  • 210 mil pessoas circulando;
  • 3.500 empregos diretos e indiretos.

Suas principais características, na média, são as seguintes:

  • 384 metros quadrados de área;
  • 69 estações de trabalho;
  • 9 pessoas no time;
  • 2 sócios, 2,5 funcionários e 3,6 autônomos.

Outras características:

  • 21% são pet friendly;
  • 41% têm atendimento em inglês;
  • 31% têm acesso 24 horas;
  • 3% são kid friedly;
  • 54% têm espaço ao ar livre;
  • 41% têm estacionamento próprio;
  • 66% oferecem endereço fiscal.

Sobre a situação do negócio:

  • 23% iniciaram projeto de expansão ou planejam fazê-lo em breve;
  • 9% declararam que o negócio vai mal;
  • 30% consideram que passaram da fase inicial e vão bem;
  • 30% consideram o negócio ainda iniciante;
  • 8% consideram o negócio maduro e estável;
  • 14% tiveram prejuízo em 2015;
  • 42% lucraram dentro do esperado;
  • 35% consideram o lucro abaixo do esperado.

Finalmente, R$ 235 mil foi a receita anual média em 2016 e R$ 90 mil o lucro anual médio em 2016. Para saber muito mais, veja no link o estudo completo.

Coliving e Coworking encontram receptividade no mundo das conexões 

Enfim, tanto o coliving como o coworking já não podem ser vistos simplesmente como formas alternativas ou, menos ainda, como uma excentricidade. São propostas de morar e trabalhar que encontram grande receptividade num mundo onde as pessoas buscam por conexões e proximidade.

As novas gerações, especialmente, encontrarão nisso opções mais econômicas para morar e trabalhar, sem abrir mão do conforto e das facilidades, em espaços de uso comum que favorecem a interação e a criatividade.  

Tudo isso, aliado a valores que estão se fortalecendo e aos quais os empreendedores devem estar atentos. Como a sustentabilidade, a vida em comunidade e a colaboração em rede.

Coliving e coworking: prepare-se para ouvir mais e mais essas duas palavras. E, quem sabe, investir nessa área também.

Espero que isso tenha sido interessante para você. Se gostou, deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos e amigas. Alguém pode se interessar por essas ideias!

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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