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Análise de riscos na Construção Civil

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16 de agosto de 2017

Uma coisa é certa! Trabalhar no setor da construção civil oferece muitos riscos. A afirmação vale tanto para as construtoras quanto para os colaboradores.

Há riscos dos mais variados envolvidos em todos os processos. A execução da obra, por exemplo apresenta risco de acidentes aos funcionários. Dentro do escritório, os riscos são financeiros. Como por exemplo, na contratação de prestação de serviços.

Mas, embora a atividade de construção civil apresente muito riscos, é possível evitar a maior parte deles.

E é importante evitar. Afinal, quando um colaborador trabalha em um ambiente seguro e confiável, seu rendimento pode ser ainda maior. Como benefício, você evita problemas graves para ele e sua construtora.

Para te ajudar, no post de hoje nós vamos mostrar os cuidados que você precisa tomar para se precaver quanto aos riscos. Desta maneira, você irá evitar problemas para você e sua construtora.

Vamos começar?

7 riscos comuns no Canteiro de Obra

A indústria da Construção Civil é um dos setores mais importantes da economia do Brasil. Entretanto, é muito dependente de mão de obra. Com isso, consequentemente, os acidentes de trabalho nos canteiros de obra apresentam números bastante significativos.

Alguns fatores contribuem para a incidência de acidentes no local de trabalho. Os sete riscos mais comuns são:

  1. Desorganização: parece bobagem, mas a falta de organização no canteiro de obras oferece muitos riscos aos colaboradores. Os problemas se concentram principalmente na circulação de pessoas e no armazenamento de equipamentos e materiais;
  2. Falta de atenção: o canteiro de obras exige muita concentração e foco dos colaboradores. Ao se distrair um funcionário pode se ferir ou causar um acidente com outro colega de trabalho;
  3. Queda de Materiais: muito comum no canteiro de obras, a queda de materiais pode causar acidentes graves. Por isso, é importante lembrar que seus colaboradores devem seguir as NRs e utilizar os EPIs e EPCs;
  4. Choques Elétricos: nas tarefas que envolvem energia elétrica, a recomendação principal é que: este trabalho seja feito por profissional qualificado, com todos os equipamentos de segurança necessários;
  5. Queda de altura: para os colaboradores que exercem trabalho em altura acima de dois metros é extremamente importante utilizar equipamentos de segurança. Tais como: cintos paraquedistas ou dispositivo de sistemas de ancoragem;
  6. Falta de Sinalização: ao sinalizar de maneira correta e clara o seu canteiro de obras, você informa aos colaboradores os riscos presentes em cada área da construção. Isso pode evitar acidentes. Use e abuse de placas, barreiras, fitas zebradas e outros métodos de sinalização;
  7. Manuseio de Ferramentas: muitos acidentes na construção civil acontecem porque o colaborador não sabia utilizar uma ferramenta e nem sobre os riscos que ela poderia oferecer pelo mal uso. Treine seus colaboradores e tenha certeza de que eles sabem exatamente o que estão fazendo.

Faça uma Gestão de Riscos

Por conta dos prazos muito curtos e do número elevado de acidentes na Construção Civil, tem se tornado comum entre construtoras e empreiteiras elaborar uma estratégia de gestão de riscos. Com este método é possível identificar, ainda na fase de planejamento, todos os riscos que podem haver no canteiro. Com isso, é possível tomar ações para evitar problemas graves.

Com a gestão de riscos você consegue identificar ameaças que podem causar danos, acidentes e prejuízos para a sua construtora. Tudo isso por meio de uma análise física do ambiente.

Mas você deve estar se perguntando, por onde devo começar?

Identifique seus riscos

Os riscos e ameaças devem ser identificados com o máximo de antecedência possível. Para isso, faça uma análise do local de trabalho, levando em consideração:

  • As atividades que serão realizadas;
  • Os materiais que serão utilizados;
  • Máquinas, equipamentos e ferramentas que serão necessárias para a realização do trabalho.

Com essas informações você já consegue prever alguns riscos que oferecem perigo aos seus colaboradores. Mais do que isso, consegue listar as medidas que precisa tomar para evitar acidentes.

Classifique seus riscos

Os riscos que você avaliou inicialmente podem ser classificados de acordo com o seu grau de gravidade por meio de grupos e cores. Por exemplo:

  • Grupo I (Verde) – Físicos: energias com as quais o colaborador terá contato, tais como: ruídos, umidade, pressão, temperatura, entre outros;
  • Grupo II (Vermelho) – Químicos: agentes que podem ser inalados pelo funcionário, como poeira e vapor;
  • Grupo III (Marrom) – Biológicos: bactérias, fungos ou parasitas que podem atingir o operário;
  • Grupo IV (Amarelo) – Ergonômicos: situações que podem causar desconforto no colaborador, como movimentos repetitivos e monotonia;
  • Grupo V (Azul) – Acidentes: qualquer fator que coloque o trabalho em riscos de acidentes, afetando sua integridade física.

Essa classificação vai ajudar você e seus colaboradores no cumprimento de cada etapa do trabalho. Com ela, todos sabem o risco que cada atividade oferece.

Monitore seus riscos

Com a identificação e a classificação dos riscos feitas você deve fazer um monitoramento contínuo. Essa é a melhor forma de garantir que tudo continue em ordem. Como consequência, isso reduz os riscos de acidentes aos quais o colaborador está sujeito.

Esse monitoramento pode ser feito de duas maneiras:

  • Proativo: método que aplica ações preventivas para evitar acidentes. Se dá por meio de fiscalizações e vistorias;
  • Reativo: avalia e acompanha incidentes que já aconteceram. Simultaneamente, propõe uma solução para evitar que ocorra novamente.

6 maneiras de diminuir os riscos no Canteiro de Obras

Além da Gestão de Riscos, existem outras formas de diminuir o risco de acidentes na Construção Civil. Veja como isso é possível:

  • Cumpra as Normas Regulamentadoras: é extremamente importante que sua construtora siga as exigências das NRs, que são normas obrigatórias para a medicina e segurança do trabalho;
  • Crie uma CIPA no seu Canteiro de Obras: a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes está descrita na NR 5 e tem como objetivo prevenir acidentes e doenças no trabalho;
  • Crie também um SESMT: descrita na NR 4, o Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho prevê evitar acidentes de trabalho. Através de palestras, alertas e instruções sobre doenças ocupacionais e acidentes no ambiente de trabalho;
  • Certifique-se da utilização de EPIs: o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual é responsabilidade da construtora e a utilização obrigatória por meio dos colaboradores está determinado na NR 6;
  • Ofereça capacitação e treinamento: outra maneira muito eficiente para evitar acidentes no canteiro de obras é oferecer aos funcionários treinamento e cursos de capacitação.
  • Realize o DDS: o SESMT é composto por uma equipe de profissionais da saúde que realizam o Diálogo Diário de Segurança. O DDS tem como objetivo exercitar a troca de experiências entre você e seu empregado para mapear riscos e neutralizá-los.

Riscos administrativos na Construção Civil

Saiba que, além do canteiro de obras, a atividade administrativa da construção civil também enfrenta riscos. Os mais comuns, presentes na gestão de obras, são:

  • Adoção de premissas no orçamento e planejamento;
  • Flutuação de preço dos insumos;
  • Variabilidade das produtividades;
  • Dependência de terceiros, como fornecedores, subempreiteiros e projetistas;
  • Disponibilidade de recursos financeiros;
  • Riscos técnicos;
  • Riscos legais;
  • Greves de sindicatos locais.

Independente de qual seja o empreendimento a ser construído, é  importante a empresa questionar a possibilidade de cada um desses riscos ocorrer.

Uma das orientações dos especialistas em gerenciamento de riscos é sempre considerar a possibilidade de falhar de alguma forma. Afinal, toda e qualquer atividade tem riscos. Eles podem ser riscos econômicos, de operações financeiras, falhas técnicas, de projeto ou até mesmo moral.

Afinal, o relacionamento entre colegas de profissão nem sempre é harmonioso.

Por isso, é preciso estar preparado para a possibilidade de o risco acontecer.

Gestão de riscos administrativos

Talvez você esteja preocupado com a quantidade de riscos da construção civil, não é mesmo?

Calma! Embora não exista atividade de construção sem risco algum, há formas de trabalhar com alguma tranquilidade na construção. Até mesmo porque, há riscos positivos!

Afinal, a definição diz que risco é qualquer evento que possa ocorrer sob a forma de ameaça ou oportunidade. O certo é que o risco, caso se concretize, vai influenciar o objetivo do projeto. Mas isso não significa que será negativamente.

Como a definição afirma que risco é sinônimo de incerteza, eventualidade e impacto, o resultado pode ser positivo ou negativo.

De qualquer maneira, mesmo para impactos positivos é preciso estar preparado.

Para mitigar os riscos negativos e potencializar os positivos, é imprescindível investir em gerenciamento de riscos. E, consequentemente, nunca deixar a empresa à mercê do acaso.

Para fazer o correto gerenciamento de riscos é preciso seguir quatro passos:

 

  • Identificação:
    • Categorias;
    • Lista de riscos;

 

 

  • Análise:
    • Qualitativa;
    • Quantitativa;

 

 

  • Plano de resposta:
    • Medidas corretivas;
    • Medidas preventivas;

 

  • Monitoramento dos riscos:
    • Atualização da lista;
    • Lições aprendidas.

 

Como se vê, o gerenciamento dos riscos empresariais permite criar e implantar mecanismos de análise e controle. Mais do que isso, prevê estratégias de ação para cada tipo de risco.

Identificação dos riscos

Esse é o momento de a empresa listar todos os possíveis problemas que podem vir a ser enfrentados em determinado projeto. Essa atividade tem como base informações de três fontes: visão dos recursos do projeto, visão dos clientes e documentação de avanço do projeto.

O questionamento, nessa etapa, deve sempre se voltar a levantar tudo o que pode ocorrer, mesmo que seja improvável.

Confira alguns riscos negativos aos quais uma obra está sujeita listados pelo Aldo Dórea Mattos no post Gerenciamento de Riscos, publicado em seu blog.

Lista de riscos da construção civil

É possível, ainda, adotar uma estrutura análitica de riscos como a desenvolvida por Thalita Cristina Rodrigues Silva (UFPE) e Marcelo Hazin Alencar (UFPE) no artigo Gestão de Riscos na Indústria da Construção Civil: proposição de uso integrado de metodologias.

Estrutura analítica de riscos

Análise dos riscos

Uma das formas de analisar os riscos é por meio de uma matriz probabilidade e impacto. Afinal, é nessa etapa em que são atribuídas as probabilidades a cada um dos riscos listados. Além disso, a matriz permite avaliar o impacto que cada risco traz ao bom andamento do empreendimento.

O resultado da análise dos riscos é uma clara noção da severidade de cada um dos riscos.

Mas como isso pode ser útil?

Ora, há riscos que apresentam grande impacto potencial, mas têm probabilidade muito baixa de ocorrer. Logo, pode não fazer sentido tomar providências de peso. É o caso, por exemplo, de terremotos no Brasil.

Já a flutuação de preços de insumos, por exemplo, tem alta probabilidade de ocorrer. Entretanto, o impacto pode ser considerado médio em alguns empreendimentos. Esse risco, de acordo com a matriz de de probabilidade e impacto, exige mais atenção por parte da equipe de gestão da obra.

Aldo Dórea Mattos recomenda que a atribuição do grau de impacto não seja arbitrária. Para tanto, ele recomenda a adoção de uma escala baseada em critérios objetivos. Confira o exemplo que ele deu em seu post sobre Gerenciamento de Riscos, publicado em seu blog.

Exemplo de análise de riscos

Plano de resposta aos riscos

Uma vez que todos os riscos estejam mapeados, é hora de definir como tratar cada um deles.

Existem quatro ações possíveis:

  1. Eliminar o risco: o risco deixa de existir. Como exemplo, a contratação de mão de obra 100% própria para evitar problemas com terceirizados;
  2. Mitigar o risco: o risco é atenuado, mas não deixa de existir. É o caso, por exemplo, de estratégias de gestão da saúde e segurança, que não elimina o risco de acidentes, mas reduz significativamente;
  3. Transferir o risco: nesse caso, o risco é passado a outra pessoa ou organização. É o que acontece na contratação de seguros, por exemplo;
  4. Aceitar o risco: nessa estratégia, apenas espera-se o evento acontecer para depois decidir o que fazer. É o que acontece quando a obra não conta com gerador de eletricidade, por exemplo.

Monitoramento de riscos

O processo de gerenciamento de riscos exige monitoramento contínuo. Até mesmo porque os processos internos das empresas não são isolados, é preciso avaliar e monitorar os riscos de cada área.

E é salutar verificar como os riscos se relacionam com os diferentes departamentos.

Com o tempo, é importante rever quais riscos ainda existem e quais já não fazem mais sentido para o empreendimento.

Por isso, é importante haver uma equipe responsável por identificar riscos inerentes ao contrato. Essa mesma equipe deve realizar discussões internas ou com especialistas acerca dos riscos levantados. É esse mesmo grupo de profissionais que responderá pela avaliação e monitoramento dos riscos envolvidos no processo.

Conclusão

Como se vê, é impossível empreender na construção civil sem incorrer em riscos.

Entretanto, há diversas metodologias para identificação, controle e monitoramento de riscos. Por isso, é importante que sua empresa invista em gerenciamento de riscos para evitar ser pega de surpresa.

Afinal, mesmo que o impacto do risco seja potencialmente positivo, é importante estar preparado para aproveitar as oportunidades.

Divida conosco sua opinião sobre os riscos que você enfrenta na sua construtora e caso este post tenha ajudado, não deixe de curtir e compartilhar!

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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