Risco Sacado: 8 passos seguros para antecipar recebíveis

Bruno Amate Schmidt

Bruno Amate Schmidt

Product Manager do módulo Financeiro - Contas a Receber, especialista em Custos e Engenharia de Software.

19 de agosto 2020

O pagamento dos fornecedores ocupa grande parte das preocupações dos empreendedores e gestores da construção civil, não é mesmo? Mas o que muitos não sabem ou não conhecem devidamente  é que existe o Risco Sacado, ou antecipação de recebíveis, uma opção bastante atraente para manter suas contas e seu fluxo de caixa em dia.

Esta é uma modalidade de crédito na qual uma empresa consegue antecipar recebíveis futuros junto a um agente financiador, mediante uma taxa de juros, e o agente financiador passa a ser o credor do recebível futuro. Isso acontece, principalmente, quando fornecedores das obras ou as construtoras e incorporadoras, em menor escala, necessitam reforçar o caixa e possuem valores parcelados a receber.

Assim, lançando mão do Risco Sacado, conseguem um capital a um custo menor para resolver seus problemas de liquidez. Além disso, sua implementação funciona de forma relativamente simples, mediante uma rápida operação com os bancos. Em geral, eles oferecem esse crédito como um dos seus produtos aos clientes corporativos.

Tanto que muitas empresas do setor, especialmente as de maior porte, costumam usar essa alternativa, mas que é acessível também para as organizações menores. Na sequência da leitura, você vai conhecer como são os procedimentos para usar o Risco Sacado e as suas principais vantagens. 

Risco sacado facilita a relação com os fornecedores

Não tenha dúvidas que o risco sacado facilita a relação dos empreendedores da construção civil com seus fornecedores. Eles normalmente são tantos que vira uma grande dor de cabeça dos gestores negociar e efetivar pagamentos tão variados.

Neste sentido, as empresas maiores têm vantagem na hora de barganhar preços e prazos, devido às suas compras em escalas  maiores e mais frequentes. Sem isso a seu favor, as médias e pequenas empresas podem se valer do Risco Sacado para facilitar a negociação com quem adquirem os seus insumos.

Como o risco sacado funciona?

O Risco Sacado é uma facilidade que as instituições financeiras oferecem sempre que o cliente tiver títulos com mais de sete dias de prazo para pagar. Os beneficiários desses pagamentos, caso queiram, podem receber seus valores antes da data prevista através do Risco Sacado.

Apesar de haver uma taxa que é variável, os fornecedores ou prestadores de serviços das construtoras em geral gostam dessa alternativa. Principalmente nessa época, quando muitas companhias estão em grandes dificuldades para quitar suas contas devido à crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Os passos do Risco Sacado

Para ficar mais fácil de entender, veja um passo a passo do Risco Sacado:

  1. Uma construtora comprou cimento e tijolos da empresa fornecedora, para pagar em 30 dias.
  2. O fornecedor dos materiais, manda para a construtora a nota fiscal da venda e o boleto do pagamento.
  3. A construtora, então, envia para o seu banco através do EDI financeiro esse e outros títulos com data de vencimento superior a sete dias.
  4. A instituição financeira reserva esses títulos no seu sistema de Risco Sacado.
  5. Ciente disso, o fornecedor pode entrar em contato com o EDI do banco onde estão os títulos, solicitando que o seu pagamento seja antecipado.
  6. Imediatamente, no mesmo dia, o banco paga esse fornecedor, cobrando a taxa pelo serviço que  é descontada do valor do título.
  7. A construtora, por sua vez, vai pagar o valor da conta, sem acréscimos, somente na data que estava definida desde o início, naquele prazo de 30 dias.
  8. Caso, porém, o fornecedor não peça a antecipação, o título sai automaticamente do sistema de Risco Sacado ao chegar no prazo de sete dias até a data do vencimento.

Detalhes que merecem atenção especial

Essa é uma facilidade baseada na boa relação do cliente com seu banco, que leva em conta o lastro financeiro e a confiabilidade da construtora, daí o nome de Risco Sacado para esse processo. Isto significa que a definição do volume de crédito disponível e da taxa referencial passam por essa avaliação da “âncora da operação”, que é a empresa. 

Quando se utiliza da antecipação de recebíveis, a empresa devedora passa ter o compromisso com o banco através do débito em conta, ou seja, não há mais boleto bancário e o valor do título será descontado automaticamente da conta do devedor.

Também, por mais que o recebimento futuro seja repassado ao agente financiador, o recebedor original permanece como avalista da operação. Desta forma, é muito importante o recebedor avaliar criteriosamente o pagador do título, para não correr o risco de precisar arcar com o compromisso dele solidariamente.

Principais vantagens do Risco Sacado

Então, feitas essas ressalvas, você já deve ter percebido que o Risco Sacado favorece as duas pontas da operação. Isto é, quem vendeu os insumos dispõe logo do recurso para aliviar um gargalo financeiro, sem precisar pedir empréstimos bancários e pagar altos juros. 

a construtora consegue alongar seus  prazos de pagamento, sem maiores estresses com os fornecedores, e também aliviar a pressão sobre suas finanças, ganhando mais fôlego para organizar o fluxo de caixa. 

Na verdade, são várias as vantagens da utilização do Risco Sacado nos processos de pagamentos.

Vamos a elas:

  • A principal vantagem é que, por se tratar de uma modalidade de crédito com garantia, geralmente possui taxas mais atrativas para as empresas;
  • A construtora ou incorporadora tem mais facilidade para conseguir alongar seus prazos de pagamentos;
  • Quem recebe, ganha a antecipação dos pagamentos das vendas com prazos acima de sete dias;
  • Alto índice de liquidez, com o recebimento no mesmo dia em que for solicitada a antecipação;
  • Nem cliente do banco e nem seu credor se endividam com a instituição, pois a única cobrança sobre a operação é a tarifa de quem recebe a antecipação sobre o valor do título;
  • É uma forma de dispor de capital de giro com rapidez, para dar continuidade às suas atividades e manter os compromissos com os clientes em dia;
  • O crédito com o banco fica inalterado;
  • Existem ainda possíveis benefícios fiscais, como a isenção de IOF.

Fluxo de caixa saudável e capital de giro

Ainda temos mais para conversar sobre isso, em seguida. Mas, como eu sei que a situação das finanças da sua empresa lhe preocupa muito, quero lhe apresentar uma sugestão: o nosso ebook “Como ter um fluxo de caixa saudável e garantir o capital de giro de sua construtora”, que você pode baixar gratuitamente clicando aqui.

Ele  é superindicado para proprietários e sócios, diretores, gerentes e analistas financeiros das empresas do setor. 

Você já notou que o controle do fluxo de caixa das construtoras é bem mais complicado? É porque as empresas da construção civil possuem um ciclo operacional mais longo que a maior parte dos outros setores da economia. Em outras áreas, o período entre a aquisição de matéria-prima, produção, comercialização, até o recebimento dos valores contratados, em geral, é de um ano. Mas no setor construtivo a média desse ciclo é de 5,5 anos.

Mesmo que na sua construtora a média seja menor, o controle de fluxo de caixa precisa ser feito com maior cuidado. Para isso, você vai encontrar neste ebook dicas importantíssimas, bem como planilhas gratuitas para você baixar que vão ajudá-lo nessa tarefa crucial para qualquer empresa.

Risco Sacado nas fintechs

É preciso dizer que houve uma desaceleração na ampliação da oferta do Risco Sacado, que estava se expandindo muito na rede bancária antes da crise do coronavírus, inclusive nas fintechs. Neste momento, está sendo oferecido basicamente o que já havia antes da pandemia, mas ainda assim há uma boa disponibilidade dessa facilidade para quem precisa.

Não é necessário ser cliente de um determinado banco para acessar o produto, mas o ideal é que você procure a instituição bancária com a qual já trabalha, por motivos óbvios. Trata-se de uma boa alternativa para você avaliar neste momento de aperto da economia, porque lhe permite flexibilizar seus prazos, bem como assegurar o caixa que os fornecedores precisam para a roda da economia continuar girando. 

Espero que você tenha gostado do nosso conteúdo. Mas se ficou alguma dúvida, quer uma explicação a mais sobre o tema, faça contato conosco, será uma satisfação ajudá-lo.

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