O que é a Engenharia de Custos e como ela influencia o sucesso da obra?

15 de janeiro de 2019

Como você bem sabe, um dos maiores sonhos de todo construtor ou engenheiro é que a sua obra seja concluída exatamente conforme o orçamento e os prazos planejados. Com a ajuda da Engenharia de Custos isso fica muito mais fácil, você pode evitar imprevistos desagradáveis e garantir a rentabilidade dos seus empreendimentos.

Porém, o fato é que o estouro nas contas e atrasos são uma rotina da Construção Civil no Brasil. As consequências são muito graves, comprometendo a credibilidade e desequilibrando as finanças das empresas.

Mas para se manterem competitivas e crescer é imprescindível que as empresas sejam bastante eficientes na sua gestão financeira e planejamento.

Como conseguir isso?

A resposta passa pelo investimento na expertise da Engenharia de Custos. Continue a leitura e eu vou lhe mostrar como ela pode contribuir muito para o sucesso do seu negócio.

Muito além de um orçamento

A Engenharia de Custos tem como sua atribuição mais óbvia, que o próprio nome identifica, fazer toda a estimativa do custeio da obra ou serviço onde está envolvida. Normalmente, associa-se essa atividade à elaboração do orçamento.

Porém, o trabalho do engenheiro de custos vai muito além do orçamento, ele atua em toda a gestão financeira dos empreendimentos. É importante que você tenha clareza disso, para saber utilizar todo o potencial dessa área da engenharia, em benefício da sua empresa.

Na verdade, a Engenharia de Custos participa desde o início do empreendimento, em colaboração com os demais setores, para garantir a sua viabilidade técnica e econômica.

Ok, mas como ela faz isso:

Entre outras coisas, faz a previsão completa dos gastos necessários, aponta as alternativas mais viáveis, contribui com o planejamento, alerta para possíveis riscos, aponta o investimento necessário e também acompanha a execução do empreendimento.

Cronogramas e orçamentos precisos

O Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos reforça que um dos principais objetivos dessa atividade é chegar a cronogramas e orçamentos precisos. “Porém, ela vai além disso e ajuda a gerenciar recursos e apoiar a tomada de decisões”.

Neste sentido, o Ibec explica que a atividade abrange vários aspectos relacionados aos custos de projetos de engenharia, especialmente:

  • Estimativa de gastos: É o cálculo da expectativa de custo de um projeto de acordo com os padrões definidos pelos clientes.

  • Análise econômica: É uma previsão de como estará o mercado e a saúde financeira de uma empresa durante a execução de um projeto.

  • Elaboração de orçamento: Envolve o levantamento detalhado de todos os custos de um projeto para a elaboração de um documento que deve ser entregue ao cliente e aos gestores da obra.

  • Controle de mudanças: Mesmo que o orçamento e o planejamento tenham sido impecáveis, há sempre imprevistos. Por isso, é importante controlar as mudanças que devem ser feitas durante um projeto e calcular o seu impacto econômico.

  • Análise de risco: É um procedimento que avalia os riscos financeiros de cada etapa de um projeto. Por exemplo, é possível que determinado insumo, como o diesel, tenha uma elevação inesperada por uma crise no fornecimento de petróleo. Um engenheiro de custos deve, portanto, elencar os riscos mais prováveis e como eles vão mudar o cenário do projeto.

No que diz respeito aos custos, propriamente, cabe a aos engenheiros da área prever as inversões necessárias para execução dos projetos em itens como:

    • Pessoal: salários, encargos sociais, benefícios e vale-transporte;
    • Materiais: fornecimento e impostos (IPI e ICMS);
    • Equipamentos: fornecimento e impostos – IPI, ICMS, Importação;
    • Taxas e seguros: Crea, Licença, e Seguro de Vida, Predial, Automotiva e Garantia de Obras;
    • Transportes

Para realizar essas tarefas, o engenheiro de custos precisa de uma formação multidisciplinar, dominando conhecimentos de  economia, administração, direito e gestão de projetos, dentre outros custos.

Também conta com o auxílio de tecnologias avançadas como o Sienge Platform, que ajudam construtoras e incorporadoras a realizar uma gestão eficiente de seus projetos.

Definição do investimento necessário

O orçamento de uma obra é a primeira etapa do trabalho da Engenharia de Custos, é quando se define o investimento necessário para realizar o projeto. Isso leva à decisão se o projeto é viável ou não, o seu possível lucro e margem de rentabilidade que pode obter.

Também relaciona os pontos onde é preciso maior atenção quanto aos insumos e serviços, na etapa de execução das atividades.

Isto é, prever e gerenciar os custos é uma das tarefas mais complexas que pode haver para os empreendedores e demais responsáveis pelos projetos.

engenharia de custos

Mas o problema não termina na estimativa das despesas. Depois é necessário gerenciá-las à medida que acontecem, para confirmar se as expectativas estão se concretizando, dentro das margens aceitáveis de erro.

Cálculo do BDI

Uma tarefa crucial da Engenharia de Custos ao elaborar o orçamento é o cálculo do BDI ou Benefícios e Despesas Indiretas.

Você deve estar querendo saber porque ele é tão importante assim. Aqui vai a explicação.

Acontece que o BDI ajuda a compor o preço de venda mais adequado, levando em conta todos os custos indiretos. Somado ao custo direto de um empreendimento, ele permite apurar o seu custo total.

CONTEÚDO ESCOLHIDO A DEDO PARA VOCÊ:

     » BDI na Construção Civil: O que é e como usar

Assim, num orçamento nós temos:

  • Custos diretos: são aqueles que ocorrem especificamente por causa da execução do serviço do orçamento em questão, isto é, mão de obra, materiais e equipamentos.

  • Custos indiretos: são os que não são incorporados ao produto final, mas contribuem para a formação do custo total, entre eles:
    – Administração Central da Empresa
    – Custo financeiro do contrato
    – Seguros
    – Garantias
    – Tributos sobre a Receita

Desta forma, o BDI ajuda as empresas a garantir um custo global aceitável, a cobrir as despesas da administração central, custos financeiros, impostos, garantias, seguros, tributos e também a margem de incerteza.

Provavelmente, você deve estar querendo saber como se chega a este indicador.

Na realidade, existem muitas formas de calcular o BDI, sendo uma das mais utilizadas esta que é sugerida pelo Ibec:

BDI = ([( 1 + AC + CF +S +G + MI) -1] x 100) / 1 – (TM + TE +TF +MBC)
Sendo:
AC – Administração central: É o rateio do custo da sede das obras da construtora. Varia de 7% a 15% (empresas com grande faturamento anual) e de 10% a 20% (empresas com pequeno faturamento anual)

CF – Custo Financeiro: Varia, principalmente, em razão das condições de medição e pagamento preconizadas no contrato, bem como o programa de desembolso verificar a necessidade de incluir o custo financeiro.

S – Seguros: Representa os custos referentes aos seguros previstos no contrato ou não, por exemplo: performance bond, garantia de execução contra terceiros, etc

G – Garantias: Refere-se ao custo para cumprir o contrato oferecendo as garantias previstas, podem ser adotadas diversas formas: a caução, o seguro garantia ou papéis selecionados.

MI- Margem de Incerteza: Deve ser levada em conta no cálculo do BDI apenas por empresas contratantes. Visa melhorar eventuais distorções no valor aproximado pelo cálculo estimado, devido ao seu caráter genérico adotado pelos contratantes. Geralmente varia de  5% a 10%.

TM – Tributos Municipais: Leva-se em contra tributos municipais como o ISS.

TE – Tributos Estaduais: Leva-se em contra tributos estaduais tais como o ICMS.

TF – Tributos Federais: Leva-se em conta tributos federais tais como PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e INSS.

MBC – Margem Bruta de Contribuição (ou Lucro Bruto Previsto): A Margem Bruta de Contribuição é um valor aleatório, próprio de cada empresa ou da proposta de preços, e é baseado principalmente em função do mercado.

Mas, para descomplicar e facilitar sua vida, tenho esta sugestão para você: uma planilha de cálculo do BDI do Sienge para baixar, gratuitamente. Basta clicar na imagem.

Engenharia de custos

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Tem mais detalhes ainda que você precisa saber sobre a estimativa das despesas. Saiba mais continuando a leitura.

Organização dos custos da obra

No levantamento dos custos da obra, eles costumam ser organizados da seguinte maneira:

Custos de pré obra:

  • Despesas de logística – distância média de transporte, frete
  • Custos-pré projeto – para elaboração dos projetos arquitetônicos, complementares, memoriais, marketing, corretagem, prospecção de clientes
  • Trâmites legais – licenciamentos, outorgas, alvarás

Custos de obra:

  • Etapas construtivas – custos diretos ligados às etapas construtivas,
  • Custos indiretos – que já foram referidos antes.

Custos de pós-obra:

  • Despesas de operação
  • Despesas de manutenção – para correção de possíveis falhas do empreendimento, até o encerramento da obra, até o prazo da garantia contratual de materiais e mão-de-obra.

Tipos de orçamentos

Tudo isso é consolidado nos diferentes tipos de orçamentos, correspondentes à evolução na concepção do empreendimento, que são os seguintes:

1) Avaliação:

Verifica a viabilidade de um empreendimento, dá ao cliente a possibilidade de viabilidade do empreendimento.

  • Margem de erro: 20% a 30% (a mais ou a menos)
  • Índices básicos que são levados em conta:

– Área de construção

Padrão de acabamento

– Custo unitário básico ou custo referencial

2) Estimativa:

Realizada  quando já se tem uma ideia da obra, dando uma estimativa mais aproximada do custo da obra.

  • Margem de erro é menor: 15% a 30%
  • Índices elaborados:
  • O anteprojeto já está elaborado
  • Preços unitários de referência já existentes
  • Índices físicos e financeiros de obras semelhantes estão disponíveis

3) Orçamento Expedito:

  • Considera que já tenha o projeto executivo básico, com projeto arquitetônico resolvido
  • Margem de erro: de 10% a 15%
  • Elementos executivos:
  • Projeto arquitetônico executivo
  • Especificações
  • Composições de preços genéricas
  • Preços de insumos de referência

4) Orçamento Detalhado

  • Considera o Projeto Executivo Definitivo
  • Margem de erro: de 5% a 20%
  • Elementos executivos:
  • Especificações e memoriais
  • Composições de preços e serviços específicos
  • Preços de insumos cotados

5) Orçamento Analítico:

  • Considera os Projetos Executivos Detalhados:  nesta etapa, está tudo muito bem definido, todos os projetos e memoriais foram realizados.
  • Margem de erro: 1% a 5%
  • Elementos executivos: –
  • Conforme orçamento detalhado
  • O planejamento começa a ser efetivado para definir equipamentos, número de pessoas, dimensão de refeitório, plano de admissões, demissões, legislação trabalhista, etc.
  • Plano de ataque: plano estratégico de execução da obra.

Antes de prosseguirmos, deixe eu lhe apresentar outra sugestão muito interessante sobre este assunto: “O Guia Definitivo do Orçamento de Obras”, com ótimas dicas para um bom orçamento.

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Orçamento e Planejamento andam juntos

Vamos em frente. Você já deve ter percebido que, realmente, orçamento e planejamento andam juntos, são inseparáveis. E a Engenharia de Custos está presente, em todas as suas etapas.

Mas, além de um  bom orçamento como base, o que mais  é necessário para que uma obra seja bem planejada?

Bem, isto por si só rende um artigo inteiro ou um E-book. Vou apontar para você o que é essencial,  pelo menos.

Para começar, é fundamental que seu planejamento contenha informações muito bem detalhadas sobre todas as fases da obra. Também é imprescindível que todos os responsáveis pelo empreendimento tenham conhecimento delas.

O engenheiro de custos Gustavo Martins ressalta que é muito é importante definir todas as atividades da obra, sem deixar NENHUM serviço para trás. Caso isto aconteça, a obra certamente sofrerá atrasos, adverte.

Portanto, entre os pontos que devem estar especificados no seu planejamento estão:

  • Cronograma de execução detalhado da obra;
  • Cronograma físico financeiro;
  • Ferramentas e equipamentos que serão utilizados na obra;
  • Necessidade de contratação de mão de obra e/ou terceirização;
  • Licenciamento e regularização da obra;
  • Planejamento do canteiro de obras;
  • Projetos arquitetônico, estrutural, hidráulico, elétrico, ambiental, prevenção de incêndio etc.;
  • Necessidade de financiamento.

Fiscalização e monitoramento o tempo todo

Também não pode faltar um bom controle das etapas dos serviços que estão sendo realizados, bem como a organização de toda a logística. Isto inclui, por exemplo, a  organização do canteiro de obras, o fluxo de materiais, a proporção das instalações provisórias e a seleção de equipamentos de transporte.

Finalmente, oriente seus gestores para que sigam à risca todo o planejamento até o fim da obra, fiscalizando e monitorando o tempo todo, diretamente no canteiro. E que todos estejam atentos e preparados para resolver possíveis imprevistos, mantendo a previsão do cronograma de execução.

Disto também se ocupa a Engenharia de Custos, uma vez que o profissional da área analisa e monitora os projetos em andamento. Ele realiza visitas ao canteiro de obras para acompanhar a evolução do empreendimento e apontar os ajustes que sejam necessários.

Engenharia de Custos e obras públicas

Num artigo no Fórum da Construção, o engenheiro João Bosco Vieira da Silva aponta que falta usar melhor a Engenharia de Custos nas obras públicas do País. Segundo ele, isto evitaria tantos problemas com obras mal orçadas e que resultam inacabadas tantas vezes.

engenharia de custosMuitas empresas vencem licitações com preços muito baixos e depois recorrem aos conhecidos aditivos. É impossível uma obra já mal orçada pelo órgão público e reduzida pela a empresa ganhadora em até 50% ser concluída dentro desse custo, afirma.

Porém, com as técnicas da Engenharia de Custos os órgãos públicos podem fazer uma estimativa de gastos com um grau de risco menor e assim fazer um bom uso do dinheiro público, defende.

O engenheiro de custos deve assumir um posto mais importante dentro dos processos licitatórios e também possuir autonomia na definição do preço de referência e composição do BDI (Lucro + Despesas indiretas), defende o autor do artigo.

Qualificação com a Engenharia de Custos

Infelizmente, no Brasil os prazos e orçamentos estouram com frequência e já virou até folclore a quantidade de obras inacabadas. Tudo aponta para a necessidade de maior qualificação na sua orçamentação, planejamento e acompanhamento.

Como você viu, estimar e gerenciar os custos é uma das atividades mais importantes e mais complicadas para empreendedores e gestores dos projetos. Está na hora, portanto, das empresas investirem na Engenharia de Custos como meio de preservar sua rentabilidade e ganhar mercado.

Além de elaborar orçamentos minuciosos e realistas, ela monitora os empreendimentos para que cumpram os seus cronogramas de execução.

Ganham os clientes e as empresas, que deixam de desperdiçar tempo com mais profissionalismo nessa área.

Então, espero que você tenha gostado do nosso conteúdo. Agora, compartilhe e deixe seu comentário, queremos muito saber sua opinião sobre esse tema.

Até o próximo artigo.

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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