BDI na construção civil: o que é e como usar?

Monica Castro Moura

Escrito por Monica Castro Moura

15 de agosto 2022| 18 min. de leitura

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BDI na construção civil: o que é e como usar?

O cálculo correto do BDI na construção civil é uma operação fundamental para que construtoras e incorporadoras tenham lucratividade nos seus empreendimentos. Mas isso ainda gera muitas dúvidas e há, inclusive, empresas que simplesmente ignoram esse levantamento.

Como você deve imaginar, quem calcula mal ou não inclui nos seus custos os valores de Benefícios e Despesas Indiretas (BDI) pode estar perdendo dinheiro. E pode ser muito grande a perda, principalmente nas empresas que trabalham com margens mais apertadas.

Isso acontece porque, sem esse valor, seus orçamentos não retratam a realidade, além de sinalizar uma falha de gestão que pode estar ocorrendo em outras áreas também. Numa situação dessas, a primeira providência a ser tomada é incluir imediatamente o BDI entre as despesas.

O que é BDI

BDI vem do inglês Budget Difference Income ou Benefícios e Despesas Indiretas, em português. Trata-se de um elemento orçamentário que ajuda a compor o preço de venda adequado, levando em conta os custos indiretos. Ou seja, os não relacionados a materiais, mão de obra etc.

E tem mais: esse índice não é absoluto. Cada obra ou serviço deve ter um BDI próprio, pois as condições de cálculo e o preço de venda são específicos para cada caso.

Nos orçamentos, dois componentes determinam o preço final de um serviço: os custos diretos e o BDI. Vamos entender melhor a seguir.

Custos diretos e indiretos

Antes de falarmos do cálculo do propriamente dito, cabem alguns esclarecimentos sobre os dois grandes grupos de custos ou despesas que compõem o custo total de um empreendimento. 

Os custos diretos são os primeiros nos quais você pensa quando começa a planejar qualquer projeto de construção ou reforma. Eles incluem:

  • materiais de construção
  • mão de obra especializada em cada parte do serviço
  • custo do terreno

Já os indiretos são aqueles mais fáceis de ignorar num primeiro momento, mas que depois sempre chegam e aumentam muito o valor final da obra. Entre eles podemos incluir:

  • administração da empresa
  • seguros de obra
  • garantias do cliente
  • permissões e aprovações municipais, estaduais e federais
  • tributos e encargos legais
  • entre outros

Portanto, é o BDI que ajuda as empresas a garantir um bom custo global e a cobrir as despesas da administração central, custos financeiros, impostos, garantias, seguros, tributos etc. 

Em outras palavras, o BDI é o rateio do lucro mais os custos indiretos aplicados aos custos diretos – e também pode ser admitido pela sigla LCI (Lucro e Custo Indireto).

E atenção: o BDI na construção civil é muito importante quando se trata de licitações. Para entender melhor o papel que o índice tem na empresa contratante e na contratada, é importante conhecer o Decreto Nº 7.983, de 8 de abril de 2013.

O alerta dos especialistas

Em síntese, como já explicamos, o BDI é um um acréscimo aos custos que compõem o orçamento dos empreendimentos. Mas há uma outra forma de ver esse valor, ressalta o engenheiro civil Mozart Bezerra da Silva, autor do Manual de BDI.

Numa palestra online promovida pelo Sienge, ele explicou que as várias despesas indiretas desse cálculo podem ser vistas como indicadores de desempenho das empresas. Elas precisam ter valores adequados ao mercado e, assim, servem para mostrar saúde econômico-financeira das organizações.

Na mesma palestra, a engenheira civil Inaiara Marini, consultora em orçamentos, contou que já viu “diversas licitações nas quais as empresas esqueceram de incluir o BDI”.

Sem esse dado, explica Inaiara, o resultado do empreendimento fica comprometido, por isso o conjunto de despesas indiretas não pode ficar de fora do orçamento, de maneira nenhuma.

Já Fernando Leite, engenheiro de custos e consultor de orçamentos, classificou como “uma falha técnica muito grande você não dominar esse processo tão crucial”.

Ele adverte que se, numa licitação, por exemplo, uma empresa colocar um BDI muito baixo, ela pode ganhar a obra, o contrato, mas pode não conseguir fazer a obra. Ou seja, contrata, mas não entrega.

Como calcular o BDI na construção civil

Antes de entrar na explicação, uma observação importante: se você quiser um modelo para aplicar uma fórmula de BDI de forma mais fácil, nós temos uma planilha desenvolvida pelos nossos especialistas que vai automatizar esse cálculo para você. Você pode baixá-la gratuitamente aqui.

Existem várias formas de calcular BDI na construção civil. Abaixo, por exemplo, está a fórmula sugerida pelo Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC), com base em consenso internacional, para calcular o BDI de serviços para uma empresa contratante. A fórmula para uma empresa contratada é a mesma, apenas sem levar em conta a Margem de Incerteza ou MI.

Confira a fórmula:

BDI ={ [ ( 1+ AC + CF + S + MI ) / ( 1 – TM – TE – TF – MBC – G ) ] – 1} x 100

Sendo:

  • AC (Administração Central): É o rateio do custo da sede entre as obras da construtora. Varia de 7% a 15% (empresas com grande faturamento anual) e de 10% a 20% (empresas com pequeno faturamento anual)
  • CF (Custo Financeiro): Caberá, principalmente, em razão das condições de medição e pagamento preconizadas no contrato, bem como o programa de desembolso verificar a necessidade de incluir o custo financeiro.
  • S (Seguros): Representa os custos referentes aos seguros previstos no contrato ou não, por exemplo: performance bond, garantia de execução contra terceiros, etc.
  • G (Garantias): Refere-se ao custo para cumprir o contrato oferecendo as garantias previstas. Podem ser adotadas diversas formas: a caução, o seguro garantia ou papéis selecionados.
  • MI (Margem de Incerteza): Deve ser levada em conta no cálculo do BDI apenas por empresas contratantes. Visa melhorar eventuais distorções no valor aproximado pelo cálculo estimado, devido ao seu caráter genérico adotado pelos contratantes. Geralmente varia de  5% a 10%.
  • TM (Tributos Municipais): Leva-se em contra tributos municipais, como o ISS.
  • TE (Tributos Estaduais): Leva-se em contra tributos estaduais, como o ICMS.
  • TF (Tributos Federais): Leva-se em conta tributos federais, como PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e INSS.
  • MBC (Margem Bruta de Contribuição ou Lucro Bruto Previsto): É um valor aleatório, próprio de cada empresa ou da proposta de preços, e é baseado principalmente em função do mercado.

7 erros que você deve evitar ao calcular o BDI na construção civil

Agora que você já sabe a fórmula para calcular o BDI, vale entender quais erros você deve evitar. Por isso, a lista a seguir deve servir como um importante alerta não só relacionado ao BDI, mas a qualquer tipo de ferramenta ou processo que você decida adotar.

1. Ignorar (ou não conhecer) os custos diretos e indiretos

Esse erro parece impossível de cometer, mas é justamente isso que o torna tão perigoso. Ignorar os custos diretos e indiretos é o erro mais grave, porque é também o mais simples de resolver.

E isso acontece por um motivo bem simples:

Uma lista de custos diretos e indiretos pode ter tantos elementos que os profissionais responsáveis esquecem de itens relevantes no processo. A pressa é inimiga número 1 nesse momento, então tome cuidado especial com orçamentos urgentes.

2. Não ter o devido controle sobre o orçamento 

O segundo grande erro do qual você precisa fugir é a falta de controle sobre o orçamento da obra. Uma vez que você perde o controle do que já foi incluído na conta ou ainda precisa ser considerado, todo o seu trabalho está comprometido.

E depois de terminar o orçamento, garanta que ele foi feito da maneira correta, e continue a acompanhar se ele está sendo respeitado e se concretizando na obra real. Além de ajudar a corrigir excessos imediatos, isso pode servir de lição para futuros projetos.

3. Não saber como precificar corretamente os serviços

Muitas empresas se concentram tanto em conseguir clientes e projetos que acabam se esquecendo de avaliar quanto devem cobrar por seus serviços. Mas cobrar um valor baixo demais pode tirar todo lucro que você conseguiria com a obra.

Por isso, concentre-se em descobrir:

  • quanto cobrar pelos serviços comuns;
  • quanto cobrar por serviços em que a sua empresa se especializa, mas são raros no mercado.

Algo que pode ajudar nisso é descobrir quanto o mercado cobra, em média, pelos serviços que a sua empresa realiza e pensar em que posicionamento você quer adotar: cobrar mais barato para ganhar mercado ou mais caro para se destacar na qualidade.

4. Desconsiderar o custo de possíveis atrasos 

Digamos que a construção civil não é famosa por sua incrível pontualidade na entrega dos serviços. Sendo assim, é muito perigoso fazer um orçamento que não conte com a possibilidade de que a obra se arraste por mais tempo do que o previsto.

Afinal, este é o imprevisto mais previsto que pode existir na construção civil, e cada dia de atraso pode significar prejuízo financeiro. Por isso, leve em conta o quanto pode ser que a obra atrase e inclua o preço extra no cálculo, como uma espécie de taxa de segurança.

5. Usar índices de preço desatualizados

Os índices de preço são ótimas ferramentas para determinar quais são os custos diretos de matéria prima e até mão de obra para qualquer tipo de projeto construtivo. Mas se você usar índices desatualizados vai sair no prejuízo.

Uma forma simples de evitar esse erro, que também é comum, especialmente para quem tem pressa, é sempre ter a tabela SINAPI atualizada. Assim, sempre terá os preços certos para o momento e evitará erros de iniciante em seus orçamentos.

6. Não coletar informações suficientes para elaborar o orçamento

Antes de começar a calcular os custos diretos e indiretos, você precisa garantir que tem todos os dados necessários sobre a obra em questão. Caso contrário, vai calcular os quantitativos de forma errada e, mesmo que tenha a tabela SINAPI atualizada, o preço não vai condizer com o projeto final.

E tem outro detalhe: quando você não tem todos os detalhes sobre o projeto, pode ser que desconsidere a necessidade de contar com:

  • profissionais especialistas em certo tipo de trabalho;
  • materiais especiais;
  • ferramentas mais difíceis de conseguir.

Tudo isso representa custos maiores, que se não forem previstos, podem arruinar rapidamente qualquer orçamento. Nunca cometa o erro de deixar para descobrir os detalhes depois, ou considerar todo custo de mão de obra como padrão.

7. Calcular tudo com ferramentas manuais

O último erro é cair na ideia de que você pode realizar seus orçamentos usando qualquer ferramenta, e que isso não terá impacto algum sobre o resultado final. Em teoria, é verdade. Mas na prática, usar papel e caneta, ou um simples documento de texto no computador, pode tornar seu trabalho um verdadeiro pesadelo. Por quê?

Quando se trata de números, basta um erro para que toda a conta se perca. Imagine o estrago que poderia acontecer se você colocasse zero a menos no resultado. Além disso, se errar pequenas somas várias vezes durante o cálculo manual, talvez não ache o erro facilmente mesmo depois de descobrir que o orçamento está errado.

Com uma ferramenta eletrônica mais avançada, como uma planilha ou um sistema de gestão integrada (ERP), é mais difícil acontecer esse tipo de problema. Também é mais fácil perceber e corrigir, caso aconteça.

Como usar o BDI no orçamento

Em resumo, o BDI é a ferramenta ideal para fechar o preço final dos serviços considerando a realidade econômica do momento e os diferenciais da obra. Para aplicá-lo no orçamento, utilize a fórmula abaixo:

Preço de venda = custo direto x (1 + BDI/100)

E antes de continuar a leitura, saiba que o Sienge disponibiliza gratuitamente a Planilha de Planejamento de Obra Gratuita

Todo empreendimento de engenharia apresenta custo direto de produção e custo indireto. Acrescendo ao custo direto o percentual relativo ao custo indireto que incide sobre o projeto, somado ao lucro, impostos e despesas indiretas, extrai-se o preço de venda do serviço.

Resumindo:

Esse preço de venda nunca se repete, variando em função do planejamento do empreendimento, da sua localização, das características administrativas diferenciadas das empresas ou órgãos contratantes e contratados, do edital, do tamanho do serviço, da época de execução do projeto, enfim, de inúmeras variáveis que nunca se repetem identicamente.

Os conceitos e cálculos do BDI na construção civil são, portanto, dinâmicos. Cada orçamentista encontra um preço de serviço diferente dos demais, daí a importância de definir uma estratégia para calcular o BDI e chegar a um preço de venda sustentável.

Ou seja, estamos falando de um preço que esteja dentro de uma faixa que cubra os custos, dê lucro para a empresa e seja socialmente justo para a população.

Como ser ainda mais eficiente no cálculo de orçamentos

As planilhas são uma ferramenta inicial poderosa para controlar as finanças de sua construtora e fazer orçamentos. Você pode transformá-las conforme a necessidade. Tem uma para cada tarefa, por exemplo: viabilidade econômica, orçamento de obra, gestão de custos, medição de obras, cálculo de BDI.

Mas no momento em que você precisa cruzar informações de diferentes planilhas, você cria uma nova , o que só dificulta o controle. Isso gera perda de tempo e de dinheiro. Fazer cálculos e gerar relatórios precisos, quando o cenário aparece fragmentado em várias planilhas, é impreciso e arriscado.

No entanto, basta mudar a abordagem feita dos dados e informações para conseguir enxergar o lucro entre gastos e desperdícios. Essa mudança no modo de olhar para os processos da sua incorporadora ou construtora é facilitada com um ERP. Nele, a integração é uma das características do software, capaz de oferecer à construtora uma visão do todo e precisão nas informações obtidas.

Conclusão

Para finalizar, aqui está um breve resumo do que você precisa fazer para fugir dos erros na hora do cálculo do BDI. Mantenha essa pequena lista sempre acessível e não terá mais problemas com nenhum desses erros:

  1. Use uma planilha ou, de preferência, uma Plataforma de Gestão para calcular e controlar os orçamentos.
  2. Mantenha os indicadores de preço sempre atualizados.
  3. Crie um checklist de custos diretos e indiretos presentes em qualquer obra.
  4. Saiba exatamente quanto os seus serviços custam, principalmente os mais complicados de realizar.
  5. Colete todas as informações do projeto antes de elaborar o orçamento.

Fazer um cálculo correto do BDI é muito importante para que os seus orçamentos sejam à prova de problemas e estabeleçam a base de serviços lucrativos. 

E como já mencionamos, o apoio da tecnologia é fundamental no cálculo de um orçamento, mas também é importante em todo o processo de gestão. O software de gestão mais utilizado no mercado é o Sienge. 

Para saber melhor se o Sienge é adequado para sua empresa, converse com um de nossos consultores e peça uma demonstração gratuita.