O que é Construção Enxuta e Dicas para Aplicar

30 de janeiro de 2019

Você já deve conhecer o termo “construção enxuta”, que há muitos anos transita no setor da construção civil. Mais do que ouvir falar, no entanto, é  recomendável que empreendedores gestores, engenheiros, arquitetos, conheçam e adotem seus princípios.

Afinal, vamos convir, a situação do mercado continua bastante complicada, não é mesmo? A recuperação da economia está sendo muito lenta e ainda há muita indefinição no horizonte.

Sendo assim, as empresas precisam usar todas as estratégias possíveis para reduzir custos, ganhar eficiência e produtividade, como se propõe a construção enxuta.

Mas você deve estar querendo saber o que ela significa, exatamente, e como funciona. Siga a leitura que vou explicar isto para você, da forma mais objetiva possível.

Lean construction

A construção enxuta, também conhecida como lean construction, aplica uma filosofia de produção que ajuda as construtoras a melhorar muito seus processos. Ela traz, quando bem aplicada, uma notável otimização de tempo e economia de materiais.

trabalhador construção enxuta lean construction

Também organiza e estabiliza a produção, previne situações prejudiciais ao andamento das atividades e identifica as principais causas de desperdício.

Neste aspecto, aliás, poucos setores são tão problemáticos quanto a construção civil. Desorganização no canteiro, desperdícios e atrasos são dores-de-cabeça constantes dos gestores.

Para fazer frente a isso os idealizadores da construção enxuta adotaram a metodologia que vinham sendo aplicada com sucesso na indústria automobilística japonesa.

Práticas da Toyota

Mais precisamente, observaram a filosofia que a Toyota colocou em prática, diante das dificuldades que o país enfrentava, após a Segunda Guerra Mundial. Era preciso aumentar a produção e ganhar lucratividade, com o mínimo de consumo de material e eliminar perdas.

Ao contrário do sistema de produção em massa do Fordismo/Taylorismo, que utiliza grandes estoques, a Toyota adotou técnicas de produção perfeitamente ajustadas à demanda.

Isto se deu mediante duas filosofias: a gestão da qualidade total (TQM, sigla em inglês) e o just in time ou “tempo exato’.

Vamos falar um pouco mais sobre elas, porque são muito importantes.

Qualidade total e just in time

A qualidade total pressupõe minimizar os erros ao máximo e entregar o melhor  produto possível. O just in time, por sua vez, determina que tudo deve acontecer no momento certo.

Na qualidade total, todos os componentes do processo produtivo precisam estar bem alinhados, operando em total sincronia. Devem trabalhar focados na busca permanente do erro mínimo, para a entrega do produto perfeito, com a qualidade que agrade o consumidor/cliente.

É dessa maneira que a TQM aumenta a produtividade, reduz custos e aperfeiçoa a cadeia de produção da empresa.

Just in time

Já o just in time é um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa.

Com esta mentalidade, o produto ou a matéria-prima só chega para ser usado no momento exato em que for necessário. Isto significa que não existe estoque parado.

construção enxuta

Nas fábricas, o conceito está relacionado à produção por demanda. Primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria-prima e só depois fabricá-lo ou montá-lo.

O volume de matéria-prima disponível no local é mínimo, para poucas horas de produção. Isso requer fornecedores aptos a realizar entregas de pequenos lotes com a frequência necessária: a quantidade certa, na hora certa.

Com menos estoques diminuem os custos com armazenamento, perdas por ociosidade, desperdício, deterioração, roubo, etc.

Não tenha dúvida, é um sistema que pode ser aplicado em qualquer organização. Acredito que você já esteja imaginando como seria implantar na sua construtora ou incorporadora, não é mesmo?

Vou lhe ajudar com mais informações importantes. Mas antes de prosseguirmos, tenho uma dica muito útil para você, que é o nosso ebook sobre controle de estoque.

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Objetivos e Princípios

É preciso deixar claro que a produção enxuta representa muito mais do que a simples soma da qualidade total e just in time. Ela expandiu e aperfeiçoou ao máximos estes conceitos, com princípios e ferramentas próprias.

A sua transposição para a construção civil, logicamente, precisa de adaptações, pois o local de trabalho, por exemplo, muda a cada obra. Ainda assim, a construção enxuta é extremamente vantajosa.

Aliás, o Sebrae ressalta numa publicação sobre o tema que:

“Com base nos conceitos apresentados, a construção enxuta foi criada com o intuito de promover na construção civil a  produção com qualidade, reduzindo ao mínimo possível os custos e desperdícios no processo, aumentando a satisfação dos clientes, a melhoria da entrega da obra e, finalmente, aumenta as margens de lucro e melhora o posicionamento de mercado da empresa.”

Agregação de valor

Uma diferença fundamental entre a construção tradicional e a construção enxuta está no conceito de agregação de valor.

A construção enxuta considera que só agrega valor ao produto aquilo que o cliente está disposto a pagar. Além disso, para agregar valor a atividade precisa transformar de alguma maneira produto e deve deve ser feita corretamente desde a primeira vez.

Portanto, deslocamentos inúteis, fluxos de materiais, tempos de espera, retrabalho, excessos, defeitos, atrasos, são itens que, nessa visão, não agregam valor algum.

Significam, isto sim, perdas para a rentabilidade das empresas. Desse raciocínio resulta o primeiro dos princípios da construção enxuta, que você vai ver a seguir.

Princípios fundamentais da construção enxuta

Estes são os princípios fundamentais que devem ser observados na implementação da construção enxuta, para você já pensar na aplicação na sua empresa.

  1. Reduzir as atividades que não agregam valor: como acabamos de ver, são todas aquelas que os clientes não estariam dispostos a pagar e que representam apenas custos extras, perdas, para as empresas.

  2. Considerar as necessidades dos clientes para agregar valor ao produto: devem ser identificadas claramente as necessidades dos clientes e estas informações deve ser contempladas na elaboração do projeto e gestão da obra.

  3. Reduzir a variabilidade: estamos falando de itens como equipes de trabalho, fornecedores e processos de execução, como a duração de certas tarefas, que devem se manter estáveis o máximo possível.

  4. Reduzir o tempo de ciclo: está relacionado ao just in time e significa a diminuição do tempo de ciclo, ou seja, redução da soma de todos os tempos das atividades que envolvem a produção. Reduzindo o tempo gasto por ciclo, é possível entregar antes do prazo, o que vem a ser fator competitivo bastante relevante.

  5. Simplificar e diminuir o  número de passos e de etapas: reduzindo-se o número de passos ou etapas de um processo, a tendência é que diminuam também as atividades que não agregam valor. Isso pode ser obtido, por exemplo, com a utilização de elementos pré-fabricados, planejamento eficaz e disposição dos materiais e ferramentas nos locais mais adequados para sua utilização.

  6. Aumentar a flexibilidade de saída: é a possibilidade de se alterar as características do produto entregue ao cliente sem alteração significativa de preço. A experiência mostra que é possível manter os mesmos níveis de eficiência com flexibilidade de saída.

  7. Aumentar a transparência do processo: faz com que os erros sejam percebidos com antecedência. Essa transparência pode ser com informações ou materiais. Por exemplo, sinalização adequada, indicadores de desempenho e programas de melhoria de organização e limpeza.

Planejamento em três níveis

Para minimizar os desperdícios e aumentar a eficiência, a filosofia lean, que está por trás da construção enxuta, trabalha em três níveis de planejamento da obra:

1- Longo Prazo – Parte do planejamento que aborda principalmente o aspecto financeiro, a partir do detalhamento da execução das atividades.

2- Médio Prazo – Oferece consistência ao planejamento. Costuma ser bastante mutável, adequando-as ao plano mestre, e guiando o curto prazo.

3- Curto Prazo – Geralmente contempla o período de uma semana, com o detalhamento das atividades do período, com informações relativas à data, hora, número de pessoas envolvidas, quantidade de materiais, etc.

Falando em minimizar desperdícios, veja aí outra sugestão que você vai gostar mais bastante, o nosso ebook sobre o tema para ser baixado gratuitamente.

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Ferramentas de apoio

Também existem ferramentas de apoio que facilitam em muito a implementação dessa metodologia.

Você não imagina os avanços que elas trazem quando empregadas corretamente.

 

  • Kaizen – Essa palavra é utilizada para designar o conceito de melhoria contínua. Muito mais que uma ferramenta, é uma mudança de atitude em relação ao trabalho e os processos envolvidos, buscando sempre a perfeição no que se faz. Para o kaizen, é sempre possível fazer melhor. Nenhum dia deve passar sem que alguma melhoria tenha sido implantada, na estrutura da empresa ou no indivíduo. ‘Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje!’, é o seu lema.

  • Kanban – É uma ferramenta, na qual são utilizados painéis e cartões normalmente nas cores vermelho, verde e amarelo. Esses cartões são movimentados entre as colunas de painéis e  indicam atividades que estão por fazer, em andamento e concluídas. Pode ser adaptada às operações de um canteiro de obras, como indicar a falta de um material, por exemplo.

  • Andon (lâmpada, em japonês) – É um equipamento que se utiliza de sinais luminosos e sonoros para avisar quando há algum problema na cadeia de produção. Distribuídos pelos pavimentos ou setores da obra, estão conectados diretamente à sala de controle do canteiro. Quando algo vai mal, acende-se a luz amarela ou vermelha, pedindo a intervenção imediata dos responsáveis pela solução do problema.

  • Metodologia 5 S – A metodologia 5S é assim chamada devido à primeira letra de 5 palavras japonesas: Seiri (Classificação), Seiton (Ordem), Seiso (limpeza), Seiketsu (padronização), Shitsuke (Disciplina). Seus objetivos são melhorar a eficiência com a destinação adequada de materiais (separar o que é necessário do desnecessário), organização, limpeza e identificação de materiais e espaços e a manutenção e melhoria do próprio 5S. Possibilita desenvolver um planejamento sistemático e melhora o ambiente de trabalho. Permite maior produtividade, segurança e motivação das equipes.

Resultados expressivos

Como afirma o Lean Institute Brasil, “a construção enxuta ou lean construction, se destaca por possibilitar resultados expressivos na diminuição de desperdícios, prazos e custos e no aumento da produtividade e da qualidade”.

No entanto, é preciso considerar que ela exige uma mudança de cultura na empresa. Todos os seus agentes devem estar comprometidos com a melhoria contínua, desde os construtores, gestores, arquitetos, até os fornecedores.

Diferentemente do que se costuma fazer, o empreendimento deve ser gerenciado através de seus fluxos de valor, não através de partes isoladas ou departamentos.

A integração de todos os agentes envolvidos no objetivo de alcançar o melhor produto possível para o cliente é um caminho seguro para a excelência operacional.

Então, espero que você tenha gostado desse conteúdo, preparado especialmente para quem quer aprimorar e evoluir neste setor. Qualquer dúvida nos procure, o seu sucesso é o nosso maior objetivo.

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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