Casas pré-fabricadas: déficit habitacional favorece o crescimento do setor

Gustavo Prata

Gustavo Prata

Engenheiro Civil com mais de 12 anos de experiência em gerenciamento de obras, planejamentos, controle de cronograma físico-financeiro, orçamentos e organização de obras. Atualmente, é Product Manager no Sienge.

18 de agosto 2021

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As casas pré-fabricadas vêm se afirmando, cada vez mais, como uma boa alternativa para quem quer adquirir a casa própria. É  um setor que cresce porque, além do custo mais acessível, as empresas do ramo também já oferecem grande variedade de modelos, estilos e preços variáveis.

Num país com um déficit habitacional imenso como o Brasil, é importante que não faltem opções para a população escolher quais se adequam ao seu gosto e ao seu bolso. Pois, como mostram dados recentes, são quase 6 milhões de famílias sem casa no Brasil.

O estudo da Fundação João Pinheiro, contratado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, mostra que 25,7% dessas famílias vivem em habitações precárias e 23,1% dividem a moradia ou cômodo no sistema de coabitação.

No maior grupo, 51,7% pagam aluguel excessivo para seu nível de renda.

Mas além do público mais carente de recursos, como esse, há também quem escolha a casa pré-fabricada por outras diversas razões e vantagens, que você vai ver mais adiante.

Casas pré-fabricadas ou pré-moldadas

O senso comum associa as casas pré-fabricadas às que são construídas em madeira. Mas é preciso lembrar que existem também as pré-fabricadas e as pré-moldadas, em concreto, aço e containers.

Casa pré-fabricada não é apenas de madeira
Imagem: Habitíssimo

São múltiplas opções, tanto no tamanho, preço, projeto, como também nos materiais utilizados. Por isso, quem se interessar por um imóvel pré-fabricado precisa levar isso em consideração, para ter um leque maior de opções e fazer a melhor escolha.

A característica comum é que nas casas pré-fabricadas ou pré-moldadas os módulos ou seções são fabricados num local distante. Depois, são montados no local da obra, como peças de um quebra-cabeças.

Uma parte ou até toda a casa pode ser feita numa fábrica, em concreto, madeira ou aço, e depois transportada para o endereço da construção. Ou, então, uma parte é trazida pronta da fábrica, enquanto as outras peças são moldadas no próprio canteiro de obras.

Isso não se aplica apenas a residências, também a prédios de obras públicas, edifícios ou indústrias podem usar o modelo construtivo do pré-moldado.

Diferenças entre elas

À primeira vista, a diferença entre pré-moldado e pré-fabricado não é muito clara, tanto que os nomes chegam a ser usados como sinônimos.

Em ambos os casos, realmente, as estruturas são produzidas fora do local da obra definitiva. Mas na casa pré-fabricada as estruturas vêm todas de uma indústria especializada.

Já na pré-moldada, as peças ou uma parte delas são feitas no próprio canteiro de obras, porém fora do lugar onde serão instaladas.

Além disso, no pré-moldado, o controle de qualidade é menos rigoroso, o que requer uma supervisão e fiscalização maior da obra.

Já quando o material é pré-fabricado, a produção é feita numa linha industrial, numa fábrica mesmo. Com isso, o controle de qualidade é mais exigente.

Por exemplo, cada peça pré-fabricada precisa vir com data da fabricação, tipo de material usado e identificação dos técnicos responsáveis.

Você vai ver agora quais são as vantagens e desvantagens mais destacadas  pelos especialistas nas casas pré-fabricadas, seja qual for o material

Principais vantagens das casas pré-fabricadas

Casa pré-fabricada apresenta diversas vantagens
Imagem: Pixabay
  • A rapidez da obra é um diferencial enorme. Enquanto uma casa convencional, normalmente, leva mais de 90 dias para ser construída, uma casa pré-fabricada pode ser construída em 30 dias, as menores e mais simples, ou até 60 e 90 dias, as maiores
  • Sobre o custo, especialistas afirmam que entre duas casas semelhantes, a pré-moldada ou pré-fabricada terá uma despesa 30% menor que a tradicional.
  • As casas podem ser tanto de alvenaria como de madeira. Em ambos os casos, existem financiamentos nos bancos públicos e privados para contratação.
  • Existe também oferta de variedade de projetos. Já não cabe aquela antiga ideia de que pré-fabricado é tudo igual.
  • As empresas costumam oferecer catálogos de projetos prontos para os clientes. Mas existe flexibilidade, é possível produzir alterações nas plantas e materiais usados.
  • O método também torna a obra mais sustentável. As peças são produzidas com menos desperdício de materiais e sem a enorme produção de entulho das construções tradicionais.
  • Há menor utilização de mão de obra, o que contribui para a diminuição acentuada do preço final.

Projeto personalizado encarece pré-fabricadas

O arquiteto Ralph Dias, contudo, ressalta que o processo construtivo de uma casa pré-fabricada pode ficar mais barato se for construída em série numa linha de montagem.

Mas se a obra contiver peças muito específicas, de um projeto muito personalizado, o custo médio da pré-fabricada pode ficar até mais caro que uma casa convencional.

“A vantagem que eu acho que é mais expressiva para esse tipo de construção é a rapidez na construção, ao ter as peças já construídas com antecedência basta você chegar lá na obra e fazer a montagem dela”, afirma o arquiteto.

Algumas desvantagens

Há algumas desvantagens ainda que costumam ser apontadas por engenheiros e arquitetos.

Entre elas, o transporte das peças prontas, que normalmente é mais complexo e mais caro que o deslocamento de materiais brutos para uma obra.

Além disso, embora as empresas apresentem alternativas de personalização, a flexibilidade dos projetos ainda é considerada pequena pelos mais críticos deste sistema.

Por fim, dizem que a casa pré-fabricada exige mão de obra especializada, que ainda não é tão disponível quanto a demanda. Isso poderia comprometer a qualidade das construções.

Financiamento público e privado

Quanto ao financiamento para aquisição da casa pré-fabricada, ele está plenamente disponível no modelo público ou privado, assim como as demais modalidades de moradia.

Pelo modelo de financiamento tradicional, é necessário apenas que a construtora esteja credenciada na Caixa Econômica Federal e apresente esta modalidade de empréstimo aos seus clientes.

O financiamento pode utilizar o FGTS, através do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Mas só é permitido a pessoas com renda familiar máxima, que varia de região para região do País.

Outra possibilidade é através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que garante até 80% do valor total do imóvel.

Nestes caso, o prazo máximo para o pagamento vai até 35 anos, mas o valor da parcela não pode passar de 30% da renda do consumidor.

Existe ainda o financiamento próprio das construtoras, que muitas vezes é oferecido também como opção para o consumidor.

Estas vantagens, o crédito disponível e a necessidade de novas moradia vêm aquecendo este setor em ritmo acelerado. Isto já despertou o interesse de grandes empreendedores.

Gerdau investe em startup de casas pré-fabricadas

É o caso da Gerdau, que anunciou recentemente investimentos numa startup para a construção de casas pré-fabricadas inteligentes e sustentáveis.

Por meio da Paris Ventures, sua Corporate Venture Capital (CVC), a Gerdau co-liderou a captação de US$ 30 milhões para a Plant Prefab. Ela tem sede na Califórnia, Estados Unidos, e atua na construção de casas pré-fabricadas com projetos, materiais e operações sustentáveis.

Casa pré-fabricada da Plant Prefab
Imagem: Plant Prefab

O fundo da empresa brasileira capitaneou o investimento, que contou ainda com nomes como Asahi Kasei, Amazon Alexa Fund e Obvious Ventures.

“Estamos muito felizes em anunciar a parceria com a Plant Prefab, uma iniciativa que faz parte das estratégias de diversificação de negócios da Gerdau e do seu compromisso com a construção de um futuro cada vez mais sustentável. A companhia constrói casas sustentáveis e extremamente eficientes por meio de processo único e tecnologicamente avançado. ”, disse o diretor da Gerdau Next para a América do Norte, Rafael de Castro.

Segundo ele, a Gerdau acredita firmemente no crescimento do mercado de casas pré-fabricadas sustentáveis nos próximos anos. 

No Brasil, a companhia já investiu na empresa de construção modular off-site Brasil ao Cubo, que finalizou em 2020 com R$ 200 milhões em vendas.

Também tem outras posições no segmento de construtechs, como os fundos focados em tecnologia da construção e eficiência para a vida urbana Terracota Ventures e Urban US.

“É um grande passo para o setor de construção civil customizada, fazendo com que a construção de edificações saudáveis e com belo design seja muito mais rápida, fácil e sustentável”, afirmou Steve Glenn, fundador e CEO da Plant Prefab.

Setor muito amplo

Como você vê, é um setor muito amplo, que não se resume às casas de madeira, com muitas alternativas. E em franco processo de crescimento, com toda a demanda represada de moradias.

Neste sentido, aparece como opção também para empreendedores em busca de um nicho para expandir os negócios, como fez a Gerdau.

Complementos como energia solar, captação da água da chuva, materiais certificados e outros fortalecem a marca da sustentabilidade dessas residências.

Enfim, vale a pena olhar com atenção para o setor das casas pré-fabricadas, seja como consumidor ou construtor.

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Obrigado pela leitura e até o próximo artigo.

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