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BIM: além do 3D e da compatibilização de projetos

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13 de maio de 2016

BIM, ou Modelagem da Informação da Construção em Inglês, é a nova forma de projetar que está tomando conta do mercado. Os especialistas do Sienge explicam sobre como utilizar esses novos níveis de detalhamento em favor da sua empresa.

Representar em um desenho um espaço, ou como algo deve ser fabricado ou construído, é uma técnica milenar. Ao longo do tempo ela foi evoluindo, até culminar com a utilização de escalas de redução nas áreas de arquitetura e engenharia. Isto possibilitou projetar construções com maior assertividade e orientar os construtores na complexidade e dimensionamento das várias disciplinas de um projeto. Durante muitos anos os projetos foram literalmente “desenhados” no papel, com a ajuda de instrumentos importantes como a prancheta, escalímetros, compassos, dentre outros.

Com a evolução da indústria de computadores, que permitiu uma empresa ou profissional liberal informatizar os processos, as empresas de software começaram a produzir programas para desenho. Empresas como a Autodesk, desenvolvedora do software AutoCAD, auxiliaram na transição da prancheta para o desenho 2D em computadores. Com isto, a produtividade aumentou de forma estrondosa e os profissionais foram obrigados a aprender e utilizar estas ferramentas.

Mas ainda tratava-se de um desenho em 2 dimensões. Posteriormente, estas ferramentas evoluíram e passaram a permitir a criação de desenhos em 3 dimensões. Mas ainda havia a falta de informação integrada aos desenhos, e de forma vinculada, por exemplo, detalhar as camadas de uma parede, de qual material cada camada deverá ser construída, quais as propriedades deste material, seu custo, fabricante, e por aí vai. Além disto, as muitas ferramentas de desenho não se integravam, cada uma desenvolvida em linguagens e tecnologias diferentes. O Building Information Modeling (BIM), em português, Modelagem da Informação da Construção, é um conceito que veio para resolver estas questões. Softwares como Revit, Vector Works e Archicad foram desenvolvidos e trabalham baseados nestes conceitos. A interoperabilidade é uma das premissas desta filosofia e para os projetos poderem ser consolidados em um único modelo, estes e outros softwares geram informações em um formato padrão chamado IFC. Assim, atualmente é possível modelar a construção de uma forma muito próxima da realidade, simulando o comportamento da construção antes, durante a após sua finalização.

Além disto, o BIM permite mais do que 3 dimensões somente. O 4D, 5D e mesmo 6D são realidades deste conceito. Cada uma destas outras dimensões estão relacionadas a informações como planejamento da execução, custo, orçamento e planejamento e até a operação do modelo em BIM. Estamos falando de algo muito além do que simplesmente um projeto em 3 dimensões para facilitar sua compatibilização e identificação de interferências, processo que obviamente passou a ser executado automaticamente por softwares em BIM.

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Como mencionando anteriormente, um diferencial do BIM é a informação inserida no modelo. E como a interoperabilidade é considerada uma das principais premissas do BIM, todos os profissionais envolvidos no projeto interagem com BIM, direta ou indiretamente. Engenheiros, construtores e fornecedores, dentre outros, podem extrair informações do modelo ou tomar decisões baseadas nas simulações e análises feitas diretamente no modelo. Além disto, toda e qualquer alteração de projeto executada no modelo, por arquitetos ou projetistas de outras disciplinas, é processada imediatamente, assim como seus possíveis impactos são analisados de forma on-line. Isto significa economia de tempo e dinheiro. Com o BIM, a construção é “resolvida” ainda no projeto e não no canteiro de obra.Obviamente, para atingir estas outras dimensões, o modelo em BIM precisa de um maior desenvolvimento e detalhamento. Existe um conceito adotado neste mundo chamado LOD: Level of Developement, ou traduzindo, Nível de Desenvolvimento. Originalmente o conceito LOD vai de 100 a 500. Modelar em LOD 100 significa estar em BIM em um nível de Estudo Preliminar, onde as soluções técnicas não foram amplamente definidas, detalhadas, testadas e aprovadas. Como exemplo, pensemos uma parede. Para verificar interferências de um projeto, podemos ter simplesmente a forma geométrica e posicionamento da parede definidas. Para poder extrair quantitativos e custos, precisamos modelar as diversas camadas da parede, como o tijolo, reboco, tinta, etc. Esta modelagem em camadas já caracteriza um estágio de LOD mais alto do Modelo.

Assim, o perfil de empresas e profissionais que podem utilizar o conceito BIM é vasto, desde escritórios de arquitetura, empresas de projetos complementares, construtoras contratadas para executar o projeto e mesmo o “dono” do projeto, como órgãos públicos ou incorporadoras privadas. Normalmente estes últimos, vão utilizar softwares em BIM para consolidar todos os projetos e podem possuir uma equipe ou mesmo uma única pessoa para executar este trabalho, já que o projeto pode ser feito por terceirizados. Neste contexto, surge uma nova profissão, o BIM Manager ou Gerente de BIM. O ideal é que este profissional tenha curso superior em Arquitetura ou Engenharia Civil, experiência em construção, gerenciamento de projetos e certo conhecimento em TI. Ele terá papel fundamental no gerenciamento do modelo, extração de informações para as mais diversas áreas e repasse destes conhecimentos para os demais profissionais da empresa. Esta disseminação de conhecimento é fundamental para o sucesso e evolução da utilização do BIM nos projetos da empresa, já que sua implantação depende do entendimento de todos do novo fluxo de trabalho e da importância do detalhamento e compartilhamento das informações do projeto.

Obviamente, a adoção do BIM impacta em investimentos e mudança cultural nas organizações. E para justificar, é importante salientar as principais vantagens com sua adoção:

Banco de dados único, com todas informações de todas disciplinas consolidadas e atualizadas

Fácil identificação de elementos, pois em BIM um duto não é confundido com uma viga ou outra forma geométrica parecida

Alterações sem retrabalho: ao alterar um componente do projeto, esta alteração é extrapolada para todos os pontos onde o componente está presente

Maior velocidade e assertividade para alimentar outras etapas do projeto, como orçamentos e cronogramas

Diante do exposto, fica claro que o BIM pode contribuir também com a Gestão da Obra, e não somente na fase de projetos. Neste sentido, o software Sienge, ERP voltado para a Indústria da Construção, com mais de 2.500 clientes, está trabalhando em uma funcionalidade que integra ferramentas BIM ao módulo de Orçamento do ERP. Será possível vincular as composições unitárias do banco de dados do Sienge, com elementos construtivos do modelo em BIM. Posteriormente, exportar os quantitativos do modelo e gerar automaticamente planilhas de Orçamento dentro do ERP. O trabalho de levantamento de quantitativos e cadastramento do orçamento, que antes poderia levar semanas, poderá ser feito em minutos!

Concluindo, o recado é simples: o BIM já é uma realidade e veio para ficar. Os profissionais que investirem agora neste mundo, garantirão uma vantagem competitiva enorme em curto prazo.

Os autores deste artigo

fernando ramos arquiteto                         anauri marafon engenheiro

Fernando Ramos,                                  Anauri Marafon,
Arquiteto e Consultor de                  Engenheiro Civil e especialista em Sienge
Implementação de BIM

 

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Brenda Bressan Thomé

  • Editora do blog Sienge
  • Especialista em comunicação em mídias digitais
  • Jornalista formada pela UFSC
  • Filha de Engenheiro Civil e apaixonada por Construção

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