- O BIM está sendo adotado em diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.
- As vantagens do uso de BIM incluem banco de dados único, fácil identificação de elementos e alterações de projeto sem estresse.
- A integração de etapas da construção também é facilitada pelo BIM, trazendo ganhos em produtividade e qualidade do projeto.
O BIM já não é opcional para construtoras que participam de licitações públicas no Brasil. O Decreto nº 11.888, de 22 de janeiro de 2024, que atualizou a Estratégia BIM BR, torna obrigatória a utilização do BIM em projetos de obras públicas, com exigências que avançam em fases até 2028.
Desde janeiro de 2024, a segunda fase do Decreto nº 10.306 já está em vigor: o BIM deve ser utilizado na execução de projetos de engenharia e arquitetura e no gerenciamento de obras, abrangendo orçamentação, planejamento, controle das execuções e atualização do modelo como construído.
Mas a adoção do BIM não se justifica apenas pelo cumprimento de normas. Construtoras que implementaram o BIM identificam ganhos concretos na redução de retrabalhos, no controle de custos e na qualidade da gestão do projeto. Este artigo apresenta os principais motivos para começar a usar BIM agora, com foco no que muda na prática de quem projeta e executa obras.
O que você vai ver neste conteúdo
- O que é BIM e por que ele mudou a lógica do projeto
- Motivo 1: Redução de retrabalho por compatibilização antecipada
- Motivo 2: Quantitativos automáticos e orçamento mais preciso
- Motivo 3: Integração entre projeto, cronograma e custo
- Motivo 4: Exigência crescente em licitações e contratos
- Por onde começar a implementar BIM?
O que é BIM e por que ele mudou a lógica do projeto
BIM (Building Information Modeling) é uma metodologia baseada em modelos digitais tridimensionais que centralizam todas as informações técnicas, construtivas e operacionais de um empreendimento. O modelo não é apenas uma representação visual: ele armazena dados sobre materiais, quantitativos, desempenho energético, cronograma e custos associados a cada elemento do projeto.
A diferença em relação ao CAD tradicional está na natureza da informação. Um modelo CAD registra geometria. Um modelo BIM registra componentes com atributos: uma parede tem material, espessura, acabamento, custo unitário e relação com os demais elementos do projeto. Qualquer alteração em um elemento atualiza automaticamente todos os dados associados a ele, eliminando a necessidade de revisão manual em múltiplos documentos.
Essa lógica de banco de dados único conectado ao modelo é o que transforma o BIM de uma ferramenta de desenho em uma plataforma de gestão do empreendimento.
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Motivo 1: Redução de retrabalho por compatibilização antecipada
Retrabalho é um dos maiores geradores de custo e atraso na construção civil. A causa mais frequente é a incompatibilidade entre projetos: uma viga que interfere com um duto de ventilação, uma tubulação hidráulica que cruza uma estrutura de concreto, um shaft que não foi previsto no projeto arquitetônico. Quando essas interferências só aparecem no canteiro, o custo de correção é alto e o impacto no cronograma é imediato.
O BIM resolve esse problema na etapa de projeto. A compatibilização de disciplinas dentro do ambiente BIM permite identificar interferências entre estrutura, hidráulica, elétrica, HVAC e arquitetura antes da execução. A modelagem digital permite identificar erros de projeto, incompatibilidades entre sistemas e falhas de planejamento antes da execução física. Esse processo, chamado de clash detection, gera relatórios automáticos de conflitos com localização precisa no modelo.
O impacto prático é direto: menos ordens de serviço de retrabalho, menos material descartado por erro de execução e menos horas improdutivas de mão de obra. Em projetos com alta densidade de instalações, como hospitais, hotéis e edifícios comerciais de alto padrão, a compatibilização BIM pode representar a diferença entre uma obra dentro do prazo e uma obra com meses de atraso.
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- 7 dicas para fazer a compatibilização de projetos
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Motivo 2: Quantitativos automáticos e orçamento mais preciso
O levantamento de quantitativos é uma das etapas mais trabalhosas e propensas a erro no orçamento de obras. No método tradicional, o orçamentista extrai quantidades manualmente a partir de plantas e cortes, um processo que consome tempo e depende da qualidade de leitura de cada profissional. Qualquer revisão de projeto exige refazer parte do levantamento.
No BIM, os quantitativos são extraídos diretamente do modelo. A extração de quantitativos ocorre de maneira automatizada e atualizada conforme a modelagem do BIM 3D. Cada elemento do modelo, seja uma parede, uma laje, uma porta ou uma tubulação, carrega seus atributos geométricos e de material. Quando o projeto é alterado, os quantitativos se atualizam automaticamente.
A precisão do BIM permite prever custos com até 99% de acerto, além de minimizar o desperdício de materiais e melhorar a logística. Isso significa que o BIM 5D, dimensão que associa custos ao modelo tridimensional, transforma o orçamento em um processo dinâmico: a cada alteração de projeto, o impacto no custo é recalculado em tempo real, sem necessidade de refazer planilhas manualmente.
Para o orçamentista, o ganho não é apenas de velocidade. A rastreabilidade do quantitativo, com origem identificável no modelo, também reduz discussões sobre critérios de medição durante a execução.
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- Quantitativos em BIM: como extrair e aplicar
- Como integrar quantitativos de modelos BIM ao ERP
- Levantamento de quantitativos de obra
Motivo 3: Integração entre projeto, cronograma e custo
Uma das principais perdas de eficiência na gestão de projetos convencionais é a descontinuidade entre etapas. O projeto arquitetônico fica em um arquivo, o orçamento em outro, o cronograma em outro. Cada documento tem sua lógica, sua equipe responsável e sua forma de atualização. Quando uma etapa muda, as demais precisam ser revisadas manualmente, e a chance de inconsistência entre documentos é alta.
O BIM conecta essas etapas em torno de um modelo único. As dimensões 4D e 5D são as extensões mais diretamente ligadas à gestão da execução: o BIM 4D associa o cronograma ao modelo, permitindo simular o avanço físico da obra ao longo do tempo; o BIM 5D associa custos, transformando o modelo em uma ferramenta de controle orçamentário integrado.
Na prática, isso significa que o gestor pode visualizar o estado esperado da obra em qualquer data do cronograma, identificar gargalos de sequência construtiva antes da execução e comparar o avanço físico planejado com o executado. No canteiro de obras, o modelo digital orienta as equipes, garantindo acesso a informações atualizadas em tempo real, o que reduz retrabalho e aumenta a produtividade.
Após a conclusão da obra, o modelo atualizado como construído (as built) reúne dados de materiais, especificações e sistemas instalados, servindo de base para a gestão de manutenção ao longo da vida útil do edifício.
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Motivo 4: Exigência crescente em licitações e contratos
Além dos ganhos operacionais, há um motivo estratégico que afeta diretamente o acesso a contratos: a exigência de BIM está crescendo tanto no setor público quanto no privado.
No setor público, a trajetória regulatória é clara. O Decreto nº 10.306, de 2020, tornou obrigatório o uso do BIM na execução de obras por entidades da Administração Pública Federal, com fases progressivas: a primeira a partir de janeiro de 2021, a segunda a partir de janeiro de 2024 e a terceira a partir de janeiro de 2028. O Decreto nº 11.888/2024 atualizou a Estratégia BIM BR e reforçou os requisitos para cada fase. A Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) também prevê o uso preferencial do BIM em projetos públicos.
No setor privado, incorporadoras e construtoras de médio e grande porte passaram a exigir BIM dos seus subcontratados e projetistas como condição contratual. A compatibilização em BIM está se tornando um critério de qualificação técnica em processos seletivos, da mesma forma que a ISO 9001 foi incorporada como exigência nas décadas anteriores.
Construtoras que ainda não implementaram o BIM enfrentam um risco crescente de perder acesso a contratos relevantes, tanto públicos quanto privados, enquanto o mercado avança nessa direção.
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- LOD BIM: o que é e como aplicar nos projetos
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Por onde começar a implementar BIM?
A implementação do BIM não precisa começar pela adoção completa de todas as dimensões ao mesmo tempo. O ponto de partida mais eficiente para a maioria das construtoras é a modelagem 3D com compatibilização de projetos (BIM 3D), que gera resultados visíveis na redução de retrabalho já nas primeiras obras.
O passo seguinte é a integração com quantitativos e orçamento (BIM 5D), que conecta o modelo ao controle de custos. Para isso, é necessário que o modelo BIM dialogue com o sistema de gestão da construtora, exportando quantitativos no formato adequado para o ERP ou a plataforma de orçamentação utilizada.
Um Plano de Execução BIM define as responsabilidades de cada disciplina, os padrões de modelagem e os fluxos de entrega, evitando que cada equipe trabalhe com critérios diferentes e tornando o modelo uma fonte confiável de informação para toda a cadeia do projeto.
O Construmanager é a plataforma da Sienge para gestão de projetos e obras, com integração nativa ao ambiente BIM. Ele conecta o modelo às etapas de execução, permitindo controlar cronograma, documentos, medições e avanço físico a partir das informações do projeto.
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Profissional com mais de 20 anos de experiência na digitalização da construção civil, atua como Diretora da Unidade de Projetos e Obras na Construmarket, empresa do Ecossistema Sienge. Lidera as áreas de Comercial, Produto e Sucesso do Cliente com foco em crescimento sustentável e excelência na jornada do cliente. Reconhecida por sua habilidade em integrar equipes e estratégias, tem gerado resultados expressivos em receita, retenção e competitividade, sempre com uma abordagem colaborativa, orientada por dados e impulsionada pela inovação.

