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Construção em Steel Frame – Vantagens e desvantagens

18 de outubro de 2017

Imagine a estrutura de uma obra. Provavelmente a imagem na sua mente é de uma obra em concreto armado.

É claro que este método construtivo tem vários benefícios, mas será que ele é o mais indicado para todas as obras?

Para alimentar essa discussão eu gostaria de falar sobre construção em steel frame, quais as principais características deste método construtivo e quando aplicá-lo.

Histórico da Construção em Steel Frame

Durante a primeira metade do século dezenove houve um grande aumento populacional no território norte americano. Para abrigar a crescente população foi desenvolvida a construção em wood frame, que utilizava o material mais abundante no território, a madeira.

Com a evolução da indústria metalúrgica as estruturas de madeira começaram a ser substituídas por outras em aço. O final da segunda guerra mundial gerou um excedente de aço, antes empregado em equipamentos bélicos, o que impulsionou este processo consolidando a construção em steel frame.

Hoje o método é amplamente difundido. Segundo os números do United States Census Bureau em 2016, somente nos Estados Unidos foram construídas 3.000 novas residências unifamiliares e 28.000 novas unidades utilizando este método.

Características

Mas como funciona?

Estruturas

construção em steel frameDurante a obra, você pode reconhecer este método construtivo em um primeiro olhar. Isso porque as estruturas metálicas são muito características.

Os painéis estruturais são produzidos com perfis de aço zincado dobrados a frio. Estes painéis são projetados e produzidos como elementos estruturais estáveis que quando montados conferem resistência mecânica para a edificação.

Um detalhe importante é a forma com que  os painéis estruturais são industrializados, que diminui a complexidade do canteiro de obras.

Fechamento

Existem várias opções de fechamento das obras em steel frame, e muitas delas podem ser combinadas. A escolha vai depender muito da aplicação da edificação e do projeto arquitetônico.

Algumas das opções mais utilizadas são:

  • OSB (Oriented Strand Board): São painéis produzidos com camadas de lascas de madeiras sobrepostas. A cada camada o sentido das lascas de madeira é alterado. Tem um ótimo isolamento térmico e é muito resistente;
  • Placa cimentícia: São placas produzidas em cimento, normalmente reforçadas com a aplicação de fibras sintéticas. São muito resistentes e podem ser revestidas de maneiras diferentes, possibilitando muitas opções de acabamento;
  • OSB + Placa cimentícia: esta combinação oferece as vantagens dos dois revestimentos, mas com uma resistência ainda maior;
  • Painéis de alumínio composto (ACM): O ACM é composto por camadas sobrepostas de alumínio. São muito utilizados para criar fachadas diferenciadas.
  • Painéis do tipo sanduíche: São painéis formados por duas chapas de aço separados por uma camada de Poliuretano (PU) ou Poliestireno (EPS). Oferecem uma ótima resistência térmica.

Divisórias

Mas um chute pode atravessar as paredes?

No Brasil, existe um mito de que as divisórias são frágeis. As divisórias internas, normalmente, não são tão reforçadas quanto os fechamentos, mas mesmo assim elas oferecem uma boa resistência.

Qualquer objeto com até 10kg pode ser fixado diretamente na parede e se for necessário fixar objetos mais pesados podem ser usados reforços.

As paredes são montadas com painéis de gesso acartonado unidos por uma fita microperfurada que é recoberta por uma massa para dar acabamento. Uma grande vantagem destas divisórias é a facilidade de passar tubulações das redes hidráulicas e elétricas.

As divisórias também podem receber um isolamento térmico e acústico para garantir que os cômodos tenham o nível de ruído e temperatura adequado à sua aplicação.

Cobertura

Bem como para o fechamento, para a cobertura também existem várias opções. Normalmente a opção escolhida tem relação com o projeto arquitetônico. A estrutura do telhado também é constituída em perfis de aço e pode ser revestida de diversas formas.

Algumas das opções mais comumente utilizadas são:

  • Telhas cerâmicas: é a opção mais utilizada, bem como nas obras de alvenaria. Uma desvantagem é a fragilidade, é bem comum perder algumas unidades no transporte.
  • Telhas shingle: são telhas leves e resistentes, feitas de material asfáltico presos a uma base flexível. São muito utilizadas fora do Brasil e vem ganhando terreno por aqui;
  • Lajes impermeabilizadas: você pode cobrir a edificação com uma laje, para isso uma manta de material asfáltico ou PVC pode ser aplicada para impermeabilizar a laje.

Porém existem diversas outras formas de cobrir a sua obra, você pode optar, por exemplo, por um telhado verde.

Velocidade

Talvez esse seja o grande diferencial deste método. Alguns estudos apontam que o prazo de uma obra em steel frame chega a um terço de uma obra de mesmo porte em alvenaria.

Este ganho de performance se deve, em boa parte, pela industrialização dos componentes da obra. A maioria deles chegam ao canteiro prontos para serem aplicados na construção, e exigem poucos tratamentos no canteiro.

A execução da obra também contribui para a performance. Um exemplo prático disso são as tubulações hidrossanitárias e elétricas. Elas são passadas pela estrutura das divisórias antes do acabamento, evitando que as paredes sejam cortadas posteriormente.

Mas é rápido mesmo?

Você pode ter uma ideia de como uma obra deste tipo evolui rapidamente no vídeo abaixo.

Um cuidado a se tomar é o fato que esta velocidade pode impactar no fluxo de caixa da obra, já que os custos se concentram em um período de tempo menor. Você pode utilizar o cronograma físico/financeiro para avaliar esses impactos.

Custo

E quanto custa isso tudo?

Vários estudos apontam um custo direto reduzido em comparação ao custo de métodos como alvenaria ou blocos estruturais. Ainda assim, para descomplicar a comparação, vamos supor que o custo direto seja o mesmo de uma obra de alvenaria.

Existe ainda uma grande vantagem nos custos indiretos. Se considerarmos os prazos reduzidos das obras é fácil perceber que gastos com transporte, por exemplo, são bem menores.

A  obra mais organizada também contribui com a redução de gastos. O desperdício de materiais é muito menor e a demanda de contêineres para descartar resíduos é também.

Este método tem um custo ainda mais interessante para grandes obras. Como o método é muito industrializado, quando a escala de fabricação é maior o custo por unidade caí, reduzindo o custo global da obra.

Mercado

Porque é pouco utilizado no Brasil

O mercado brasileiro ainda não tem uma boa adesão deste método construtivo e as principais causas para isso são culturais. As empresas e os profissionais normalmente não estão dispostos a utilizar materiais e técnicas diferentes daquelas com as quais estão habituados.

Outro fator que restringe a adoção da construção em steel frame é a baixa qualificação da mão de obra. Este problema, tão conhecido do mercado, fica ainda mais evidente, já que o método demanda conhecimentos que a maioria dos profissionais não possuem.

Além disso, dependendo da sua região de atuação, podem não haver fornecedores preparados para atender as necessidades de quem pretende trabalhar com steel frame.

Oportunidades

A construção em steel frame tem sido muito utilizada em projetos que visam reduzir o déficit habitacional, isso porque a velocidade de execução das obras possibilita que um volume grande de residências seja entregue em pouco tempo.

Existem ainda outras oportunidades na cadeia de suprimentos, pois muitas regiões ainda não possuem fornecedores de produtos e serviços para construção em steel frame. Existe um mercado a ser explorado.

Conclusão

Mas quando eu devo optar pelo aço?

Quando você tem fornecedores e mão de obra preparada para trabalhar com este método construtivo, existe uma outra verificação a fazer, o seu cliente está disposto a consumir uma obra em steel frame?

Se você está executando uma obra para um cliente final, talvez seja uma oportunidade para vender a ideia de uma construção mais moderna. Já se você tem uma grande obra para executar para investidores os prazos e custos podem te ajudar a convencê-los.

Talvez o ponto de atenção seja se você está fazendo um investimento, nesse caso, vale a pena adicionar no estudo de viabilidade um estudo do perfil de mercado da região. Clientes mais jovens podem ser mais propensos a adquirir um imóvel desse tipo.

Se você gostou curta o post e de qualquer forma, compartilhe conosco suas experiências e opiniões sobre este método construtivo. Obrigado!

João Gabriel Dias

  • Product Owner dos módulos de Engenharia e Gestão de Ativos do Sienge
  • Bacharel em Sistemas de Informação formado pela UFSC
  • Trabalha para a Indústria da Construção desde 2009
  • Certified Scrum Product Owner e Certified ScrumMaster pela Scrum Alliance
 

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