Pegada de Carbono: por que é importante para a Construção Civil?

Gabriela Torres

Escrito por Gabriela Torres

22 de maio 2024| 12 min. de leitura

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Pegada de Carbono: por que é importante para a Construção Civil?

A pegada de carbono é uma métrica essencial que mede a quantidade total de emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas direta e indiretamente por uma atividade, indivíduo, organização ou produto ao longo de seu ciclo de vida. Estes gases, principalmente dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), contribuem significativamente para o aquecimento global e as mudanças climáticas que têm acontecido no mundo. 

No contexto da Construção Civil, a pegada de carbono ganha relevância devido ao impacto ambiental substancial associado ao setor. Responsável por aproximadamente 38% das emissões globais de CO2, a nossa área engloba diversas atividades que produzem grandes quantidades de GEE, desde a fabricação de materiais de construção até a operação e manutenção dos edifícios.

Portanto, entender o que é e saber como reduzir a pegada de carbono na Construção Civil é crucial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e também promover práticas sustentáveis que beneficiem o meio ambiente e a sociedade. A conscientização sobre essa questão pode levar à adoção de tecnologias inovadoras, materiais sustentáveis e métodos de construção mais eficientes, resultando em edificações com menor impacto ambiental.

Se você tem interesse neste assunto, chegou ao lugar certo. Neste artigo, exploraremos a importância da pegada de carbono na Construção Civil, como fazer essa medição e quais as estratégias que podem ser adotadas para reduzir esse impacto, promovendo um futuro mais sustentável para todos.

O que é pegada de carbono?

A pegada de carbono é uma métrica crucial que quantifica a quantidade total de gases de efeito estufa (GEE) emitidos direta e indiretamente por atividades humanas. Esses gases, que veremos logo abaixo em detalhes, são os principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas. 

É expressa em toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), criando uma medida uniforme que permite a comparação entre diferentes fontes de emissões e facilita a implementação de estratégias de mitigação. 

Vamos ver abaixo os gases que compõem a pegada de carbono.

Dióxido de Carbono (CO2)

O CO2 serve de referência para mensurar a pegada de carbono, sendo o principal responsável pelo aquecimento global. Suas emissões estão fortemente ligadas ao consumo de combustíveis fósseis em atividades industriais, transporte, construção e geração de eletricidade.

Metano (CH4)

O metano é emitido em grandes volumes na agropecuária, especialmente na criação de gado e cultivo de arroz. Também é liberado durante o processo de decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários e na extração e transporte de gás natural. Embora presente em menores quantidades, o CH4 tem um potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes maior que o CO2 ao longo de um século.

Óxido Nitroso (N2O)

O óxido nitroso é o mais prejudicial entre os gases de efeito estufa mencionados, com um potencial de aquecimento global aproximadamente 298 vezes maior que o CO2. Suas emissões ocorrem principalmente em atividades agrícolas, devido ao uso de fertilizantes nitrogenados, e em processos industriais.

Hidrofluorcarbonetos (HFC)

Os hidrofluorcarbonetos são gases sintéticos criados a partir de carbono, flúor e hidrogênio. São amplamente utilizados em sistemas de ar condicionado, aparelhos de refrigeração, aerossóis e solventes. Apesar de estarem presentes em menores quantidades, têm um impacto significativo no aquecimento global.

Perfluorcarbonos (PFC)

Juntamente com os HFCs, os perfluorcarbonos foram introduzidos como substitutos dos clorofluorcarbonetos (CFC). Eles são utilizados em várias aplicações industriais, incluindo aerossóis, solventes e refrigeradores.

Hexafluoreto de Enxofre (SF6)

O hexafluoreto de enxofre é utilizado principalmente no setor de energia elétrica, onde atua como isolante e refrigerante em equipamentos de transmissão de alta voltagem. É um dos GEE mais potentes, com um potencial de aquecimento global 23.500 vezes maior que o CO2.

Assim sendo, a pegada de carbono é fundamental para compreender e mitigar os impactos ambientais causados por estes gases. Na Construção Civil, a relevância é ainda maior devido ao papel significativo que o setor desempenha nas emissões globais de GEE. 

Por isso, entender a pegada de carbono é tão importante. Somente assim, é possível identificar os principais contribuintes para as emissões e implementar estratégias eficazes para reduzi-las, promovendo práticas mais sustentáveis e um trabalho responsável. 

Calculadora de pegada de carbono

Devido à complexidade e aos múltiplos fatores envolvidos, existem diversos métodos para calcular a pegada de carbono. Em vez de uma medição direta, essa métrica é geralmente estimada, seja para um país, uma empresa ou um indivíduo, baseando-se em critérios estabelecidos pela comunidade científica e padrões internacionais.

Uma referência fundamental são as diretrizes do IPCC (Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas da ONU). Por meio dessas determinações, é possível encontrar os critérios para calcular as emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, a pegada de carbono, utilizando indicadores estatísticos e econômicos. 

Hoje em dia, existem diversos tipos de calculadora de pegada de carbono online que facilitam o processo, oferecendo estimativas automáticas tanto para indivíduos quanto para  organizações. Essas calculadoras automatizadas acabam tornando o processo acessível e ajudam a avaliar rapidamente o impacto ambiental das atividades diárias.

Como reduzir a pegada de carbono

Reduzir a pegada de carbono na Construção Civil é uma tarefa desafiadora, mas essencial para minimizar os impactos ambientais e contribuir para a sustentabilidade do setor. A seguir, apresentamos algumas estratégias eficazes que podem ser implementadas para alcançar esse objetivo:

Uso de materiais sustentáveis

Optar por materiais de construção que tenham menor impacto ambiental é uma das maneiras mais eficazes de reduzir a pegada de carbono. Materiais reciclados, como aço e concreto reciclado, além de madeiras certificadas e produtos que utilizam tecnologias de baixo carbono, são opções que podem diminuir significativamente as emissões. Além disso, a escolha de materiais locais reduz a necessidade de transporte, diminuindo as emissões associadas.

Eficiência energética nos canteiros de obras

Implementar práticas de eficiência energética nos canteiros de obras é crucial. Isso inclui o uso de equipamentos e maquinário modernos que consomem menos energia e a instalação de sistemas de iluminação eficientes, como LEDs. Investir em fontes de energia renovável, como painéis solares, para suprir a demanda energética dos canteiros também é uma excelente estratégia.

Planejamento e gestão de resíduos

Gerenciar de forma eficiente os resíduos gerados durante a construção é fundamental para reduzir a pegada de carbono. Adotar práticas de reciclagem e reutilização de materiais pode diminuir a quantidade de resíduos enviados para aterros. Implementar um plano de gestão de resíduos que inclua a separação e o tratamento adequado de diferentes tipos de resíduos também é uma prática recomendada.

Transporte e logística

Reduzir as emissões de carbono associadas ao transporte é possível através da otimização da logística e do uso de veículos mais eficientes. Planejar rotas para minimizar a distância percorrida e utilizar veículos com menor consumo de combustível ou movidos a energia elétrica são medidas que contribuem significativamente para a redução das emissões.

Construção modular e pré-fabricada

A construção modular e o uso de componentes pré-fabricados podem reduzir o tempo de construção, minimizar o desperdício de materiais e melhorar a eficiência energética. Esses métodos de construção são geralmente mais precisos e controlados, resultando em menos resíduos e menores emissões durante o processo de construção.

Certificações e padrões de sustentabilidade

Adotar certificações e seguir padrões de sustentabilidade reconhecidos, como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), ajuda a garantir que os projetos de construção atendam a critérios rigorosos de eficiência energética e sustentabilidade. Essas certificações incentivam práticas que reduzem a pegada de carbono e promovem o uso responsável dos recursos.

Educação e treinamento

Promover a conscientização e o treinamento dos funcionários sobre práticas sustentáveis e a importância da redução da pegada de carbono é essencial. Capacitar a equipe para identificar oportunidades de melhoria e implementar práticas sustentáveis pode resultar em uma mudança significativa na cultura da empresa e no seu impacto ambiental.

Implementando essas estratégias, construtoras e incorporadoras podem reduzir sua pegada de carbono, além de melhorar sua eficiência operacional, reduzir custos e fortalecer seu compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental.

Pegada de carbono na Construção Civil

A pegada de carbono na Construção Civil é um indicador que mede as emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas às atividades deste setor. Este setor é um dos maiores contribuintes para as emissões globais de CO2, devido à produção de resíduos, transporte, uso de maquinário e operação de edifícios.

A produção de materiais de construção, como cimento, aço e vidro, é particularmente intensiva em carbono. Por exemplo, a produção de cimento é responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO2, devido ao processo de calcinação do calcário. 

Além disso, o transporte de materiais e trabalhadores, realizado principalmente por veículos movidos a combustíveis fósseis, também gera emissões significativas. Durante a construção, o uso de maquinário pesado e equipamentos consome grandes quantidades de energia, resultando em mais emissões de GEE.

A operação de edifícios representa outra grande fonte de emissões. O consumo de energia para aquecimento, resfriamento, iluminação e operação de equipamentos contribui para a pegada de carbono ao longo da vida útil de uma edificação. Além disso, a geração e o descarte inadequado de resíduos de construção podem liberar metano e outros GEE em aterros sanitários.

Para mitigar esses impactos, é essencial adotar práticas e tecnologias sustentáveis. Isso inclui o uso de materiais com menor impacto ambiental, técnicas de construção eficientes, gestão adequada de resíduos e melhoria da eficiência energética dos edifícios. A utilização de energias renováveis e a adoção de certificações de sustentabilidade, como LEED e BREEAM, também são estratégias eficazes para reduzir as emissões.