Os efeitos do Pix na construção civil

Mauricio Borges

Mauricio Borges

Product Manager especialista em produtos financeiros e engenharia de produção.

26 de novembro 2020

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O Pix começou a funcionar oficialmente no Brasil em 16 de novembro de 2020 e busca facilitar e agilizar o processo de pagamento em transações financeiras. A novidade, criada pelo Banco Central (BC), vem para resolver algumas questões inconvenientes. 

Como você sabe, os sistemas bancários funcionam com dia e horário fixos, não funcionam nos fins de semana e feriados, demandam tempo para compensação de pagamentos, entre outras questões. Com o Pix tudo isso muda. 

Por exemplo, as transações e pagamentos ocorrem em segundos, de qualquer instituição, a qualquer dia e horário, inclusive entre instituições diferentes. E a novidade já está se popularizando. Em sua primeira semana de funcionamento, entre 16 e 22 de novembro, o volume financeiro transacionado foi de R$ 9,3 bilhões. Já o total de transações chegou a 12,2 milhões, segundo o BC.

Neste texto, vamos entender um pouco sobre a novidade e, principalmente, quais os efeitos do Pix no setor da construção e na gestão das obras. Antes, vamos entender como ele funciona. 

Como funciona o Pix?

Podemos resumir o Pix como um TED ou DOC muito mais simples e rápido. E quando falo rápido, estou me referindo aos 10 segundos que leva para o dinheiro sair de uma conta e entrar na outra.

Rodrigo Pina, head de Produto da Fitbank, lembra que o pagamento instantâneo não é uma novidade no mercado. A novidade, segundo ele, é fazer isso em escala e em até 10 segundos, 24 horas por dia nos 7 dias da semana. 

A transação do Pix leva até 10 segundo e funciona 24/7

Não se trata de uma ferramenta fechada apenas entre algumas instituições. Pelo contrário, a solução é ampla e aberta a todos. É possível usar o PIX nas transações entre:

  • duas pessoas;
  • uma pessoa e uma empresa ou estabelecimento comercial;
  • duas empresas ou estabelecimentos comerciais;
  • uma pessoa e órgãos do governo.

De forma prática, o Banco Central desenhou a ferramenta para permitir transações de duas formas diferentes: tradicional e por meio de QR Code.

  • Pagamento tradicional: é como estamos acostumados a fazer hoje, com informações como CPF ou CNPJ. Mas também será possível usar dados como e-mail, número de celular ou uma chave aleatória criada automaticamente pela instituição financeira.
  • QR Code: um código que pode ser lido de forma instantânea por meio do celular, também já faz parte dos aplicativos de banco mais modernos. 

Dessa forma, a pessoa ou empresa que vai receber o pagamento deve apresentar o QR Code para quem vai pagar. Esse código pode ser lido por qualquer smartphone. Há dois tipos de códigos QR, segundo o Banco Central:

  • QR Code estático: será possível definir um valor fixo e usar o mesmo código várias vezes. É ideal para transações recorrentes entre duas pessoas;
  • QR Code dinâmico: o código dinâmico pode ser usado para compras e transações comerciais, já que permitirá incluir informações exclusivas de cada transação.

Quais os efeitos do Pix na construção civil? 

Essa questão foi tema central do webinar “Tudo sobre Pix na Construção Civil” com as presenças de Rodrigo Pina, head de Produto da Fitbank, e José Pedro Rego, gerente de Pagamentos e Cash Management do Bradesco. A seguir, vou listar alguns efeitos imediatos. Mas, assim como toda novidade, ainda não dá para determinar um limite para os avanços que os pagamentos instantâneos podem trazer para o setor. 

Venda de imóveis com Pix

Como os pagamentos podem ser feitos em qualquer dia da semana, logo entendemos o quão importante pode ser o Pix para os feirões de imóveis.

Em geral, os feirões são realizados em finais de semana ou feriados e os pagamentos de sinal ou entrada dos imóveis, por exemplo, só são compensados em dias úteis. Com o Pix, o pagamento ocorre instantaneamente, facilitando a execução da transação dentro do próprio feirão.

Pix acelera as vendas de imóveis em feirões

“Esse dinheiro não passa por compensação, diferentemente de um boleto. Se o cliente paga um boleto no sábado, esse dinheiro será compensado na segunda-feira e cai na conta da incorporadora na terça-feira. No Pix, pagou no sábado, recebe no sábado”, explica José Pedro Rego, gerente de Pagamentos e Cash Management do Bradesco.

Talvez poucas pessoas percebem isso, mas o fato é que quanto mais fácil é realizar pagamentos, mais fácil fica para comprar e vender. Para as incorporadoras e imobiliárias, isso representa uma quebra de barreira natural para vender.

Quem souber explorar melhor as condições facilitadas de pagamento sem demora com o PIX terá vantagem em aumentar a percepção de valor junto aos clientes.

Compra de materiais  

Ao fazer uma compra em qualquer e-commerce, a liberação do produto para entrega só ocorre quando compensa o pagamento, certo? Quando trazemos esse exemplo para a realidade das construtoras, acontece a mesma coisa com a entrega dos insumos na obra.

Com o Pix, porém, as construtoras podem mudar o planejamento de compras e de estoque. Isso porque, com o Pix, o pagamento é instantâneo e, portanto, a liberação da entrega também é imediata. Dessa forma, o insumo chega mais rápido à obra. 

Então, a construtora pode trabalhar com um estoque menor de insumos, porque tem um ciclo menor entre a compra e o recebimento dos materiais. Portanto, há impacto direto no canteiro e no planejamento da obra.

Compra de materiais também sofre impactos do Pix

Do lado de quem vende, é prática padrão de qualquer empresa embutir os custos operacionais nos preços de venda. E com iniciativas como o Pix, as tarifas bancárias vão cair, o que significa que pode haver uma melhora nos preços de insumos, ou ao menos um argumento a mais de negociação para flexibilizar os acordos de compra e venda.

Portanto, quem souber tirar bom proveito disso poderá ter maior controle sobre o fluxo de caixa.

Ganho de eficiência operacional com o Pix

O Pix também representa um ganho de eficiência operacional. Para fazer uma transferência padrão por TED ou DOC, a empresa precisa de mais informações para realizar a transação na comparação com o Pix, que exige apenas uma chave.

Então, se a área de contas a pagar de uma construtora ou incorporadora tem um volume grande de operações a realizar, o Pix pode ajudá-la nesse sentido, reduzindo o esforço operacional e também os erros nas transações. Portanto, há uma facilidade operacional significativa, em especial para empresas de menor porte, com time reduzido. 

Agilidade no processo de pagamento

Em geral, as empresas utilizam ciclos fiscais para pagar funcionários e prestadores de serviços. Mas como os pagamentos “caem” na conta apenas em dias úteis, isso muitas vezes representa problemas, seja para quem paga ou para quem recebe.

Como o PIX, o financeiro das empresas não enfrentará mais esse tipo de problema. Pois basta agendar os pagamentos para o dia determinado no mês, e não importará se é um dia útil ou não.

Isso também tem o potencial de acabar com um problema visto em muitas empresas: a necessidade de criar uma conta salário para todos os colaboradores na mesma instituição. Assim, já entra um pouco no conceito de Open Banking, e deve tornar possível que cada um receba o salário onde já tem conta corrente, sem que isso complique a vida da empresa.

Conclusão

Como falei anteriormente, vimos apenas alguns efeitos do Pix na construção civil. E, para finalizar, não poderia deixar de falar da facilidade para integração dos sistemas de pagamento e gestão, já que a estrutura do sistema de pagamento como um todo se simplifica.

Assim, a gestão das empresas de construção civil, em especial as que já usam plataforma integrada, como o Sienge Plataforma, deve ficar ainda mais organizada e eficiente.

Por falar em Sienge Plataforma, além de ser a ferramenta de gestão integrada mais completa do mercado, ela é a única do país que tem suporte ao PIX desde o início. Nela a sua empresa terá acesso a uma função que se parece com internet banking para realizar pagamentos e controlar suas obras. Dessa forma, reduzirá o tempo de trabalho e custos operacionais da sua construtora.

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