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Mapa de Risco: entenda o que é e como fazer

24 de março de 2017

Você sabe da importância de se fazer um Mapa de Risco em seu empreendimento?

Segurança no canteiro de obras é um assunto urgente. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo mundo, aproximadamente 2,34 milhões de trabalhadores sofrem acidentes de trabalho fatais por ano. No Brasil, segundo o relatório “Estratégia Nacional para Redução dos Acidentes do Trabalho”, 2.797 trabalhadores morreram em seu ambiente de trabalho no ano de 2013.

Fazendo um recorte no setor da Construção Civil, o alerta é ainda mais importante. Trata-se do segundo setor que mais registra acidentes de trabalho no Brasil. Além disso, o índice de ocorrências aumentou em 19% entre os anos de 2008 e 2012, e a taxa de mortalidade alcança 6,53 para cada 100.000 trabalhadores segurados no país.

Os números apontam para um cenário que precisa ser mudado o quanto antes. É preciso que as construtoras façam sua parte no que é cabível para garantir a segurança do trabalho na Construção Civil. Neste sentido, elaborar um Mapa de Risco da sua construção é fundamental. A partir dele, a construtora poderá diagnosticar pontos críticos e promover medidas de prevenção para aumentar a segurança do trabalho no empreendimento e garantir a redução destes indicadores.

 

O que é um Mapa de Risco?

O Mapa de Risco foi criado há mais de cinquenta anos, mais precisamente na década de 1960, por engenheiros italianos. No entanto, levou algum tempo de validação até que se tornasse um instrumento amplamente utilizado para garantir a segurança dos trabalhos na Construção Civil. No Brasil, o mapa só começou a ser aplicado nas empresas por volta dos últimos anos da década de 1970, quando o país passou por um momento de aceleração industrial e, consequentemente, registrou alta no número de acidentes de trabalho. Obrigatório no Brasil desde 1992, o Mapa de Risco deve ser atualizado sempre que houver alterações no ambiente, prevendo multas altíssimas para o caso de não cumpirmento.

O propósito principal do Mapa de Risco na Construção Civil é proteger o trabalhador e garantir a segurança do trabalho no canteiro de obras. Um Mapa de Risco apresenta, por meio de um gráfico com círculos coloridos, um conjunto de fatores que comprometem a saúde dos trabalhadores dentro do ambiente laboral. Estes fatores relacionados podem estar ligados a processos de trabalho, equipamentos demandados e até mesmo questões organizacionais, como métodos, jornada, treinamento, turnos, entre outros aspectos analisados.

Os agentes diagnosticados pelo estudo do Mapa de Risco são classificados em grupos de diferentes cores, da seguinte maneira:

 

 verde

Grupo 1
Riscos Físicos

Riscos relacionados a ruído, vibração, frio, calor, radiação ionizante e não ionizante, pressão do ar e umidade.

 vermelho    

Grupo 2
Riscos Químicos

 

Agentes de risco químico estão relacionados a poeira, neblina, névoas, gases, vapores, produtos químicos, fumos, substâncias composta que possam ser inaladas.

 marrom

Grupo 3
Riscos Biológicos

 

Por agentes biológicos pode-se considerar fungos, protozoários, vírus, bactérias, parasitas, bacilos, entre outros, que podem causar danos à saúde desde infecção alimentar até tuberculose.

 amarelo

Grupo 4
Riscos ergonômicos:

 

 

Os riscos ergonômicos são mais relacionados à organização do trabalho. Entre os agentes de risco, pode-se destacar o esforço físico excessivo, ritmo exacerbado, turno noturno, longas jornadas de trabalho, levantamento de peso.

 azul

Grupo 5
Riscos de Acidentes

 

 

Podem ser considerados agentes de riscos de acidentes as máquinas sem proteção, instalações elétricas debilitadas, ferramentas com defeito, falta de especificação adequada na matéria prima, armazenamento inadequado, falta de EPI, ou EPI inadequado.

Quem faz o mapa – CIPA e SESMT

O agente responsável pela elaboração do Mapa de Risco é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), em conjunto com o Serviço Especializado em Engenharia e Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da construtora, ou vice e versa. Isso é determinado pelo item 5.16 da Norma Regulamentadora 5 (NR 5).

O ideal é que o Mapa de Risco seja elaborado em parceria entre CIPA e SESMT. Ambas as siglas têm autonomia para desenvolver o Mapa de Risco e assinar o documento. Ainda que somente uma das partes participe do processo de estudo e elaboração, o documento final deve, obrigatoriamente, levar o nome da CIPA para cumprimento da NR 5.

Como elaborar o Mapa de Risco no seu empreendimento

Hora de pôr a mão na massa. Em primeiro lugar, é preciso saber por onde começar a elaborar seu Mapa de Risco. Para facilitar, a empresa pode estruturar a elaboração de acordo com os seguintes passos:

  1. Estudo dos tipos de risco: a equipe responsável pelo desenvolvimento do Mapa de Risco deve ter notório conhecimento cinco grupos de agentes de risco que podem comprometer a segurança do trabalho no empreendimento.
  2. Divisão dos setores: dividir a empresa por setores e pavimentos significa segmentar o objeto de estudo da equipe responsável pela elaboração do Mapa de Risco. A setorização facilita o diagnóstico de agentes de risco no ambiente de trabalho.
  3. Levantamento de informações para diagnóstico: há algumas maneiras eficientes de reunir informações para elaboração de um Mapa de Risco. A equipe responsável pela elaboração da Mapa de Risco pode, por exemplo, visitar cada área a ser mapeada, entrevistar colaboradores e anotar suas impressões sobre o local de trabalho, estimulando sua participação no aperfeiçoamento das condições laborais na organização.
  4. Conhecer o processo de trabalho: é preciso que a equipe responsável pelo Mapa de Risco conheça a rotina do colaborador. Para isso, é importante reunir informações a respeito de quem atua no canteiro de obras e por qual processo cada colaborador ingressa na empresa. Neste caso, são indispensáveis informações como: quantidade de colaboradores, sexo, idade, treinamentos oferecidos, jornadas de trabalho, ferramentas, equipamentos, condições do ambiente, entre outros aspectos.
  5. Diagnosticar e especificar riscos: a partir disso, a equipe pode começar a diagnosticar os agentes comprometedores da segurança e da saúde no trabalho que constarão no Mapa de Risco. Em um primeiro momento, é mais importante identificar estes agentes. Posteriormente, a equipe deve apresentar um estudo mais específico, determinando o grau referente a cada um deles, classificando-os de acordo com a Tabela de Riscos Ambientais prevista na Norma Regulamentadora 9 (NR 9).
  6. Determinar medidas para prevenção: a próxima etapa na elaboração do Mapa de Risco é definir medidas que possam prevenir acidentes relacionados aos agentes de riscos identificados anteriormente.
  7. Elaboração: o Mapa de Risco deve conter, para cada setor, um gráfico com círculos coloridos referentes a cada tipo de risco e seu grau de periculosidade.De preferência, o Mapa de Risco deve ser feito a partir da planta da área. No entanto, no caso de ausência do projeto arquitetônico, pode ser feito um croqui do local.
  8. Aprovação: após a elaboração, o Mapa de Risco deve ser apresentado à CIPA para sua aprovação e assinatura. É recomendado que o Mapa de Risco seja apresentado também aos representantes de cada um dos setores avaliados no mapeamento.

 

Seguindo estes passos, elaborar o Mapa de Risco do seu empreendimento se torna uma tarefa muito mais simples. Lembre-se: segurança e saúde no trabalho são questões urgentes para a Construção Civil! Por isso, a elaboração do Mapa de Risco é fundamental, para garantir um ambiente seguro e em conformidade com a legislação.

 

Edson Poyer Sant'Ana

  • Coordenador de Marketing Digital - Unic
  • Especialista em Administração e Negócios pela UNISOCIESC
  • Publicitário formado pela UNISUL
  • Focado na indústria da construção desde 2012
 

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