- A construção civil é um setor que gera muitos empregos e impacta a economia do Brasil, representando 6,2% do PIB em 2017.
- Investimentos estrangeiros, públicos em infraestrutura e em moradia são importantes para o crescimento do setor.
- A taxa de juros alta, instabilidade econômica e o impacto ambiental são alguns dos desafios enfrentados pela construção civil.
A Construção Civil iniciou 2026 em ritmo de recuperação. No primeiro trimestre, o setor cresceu 2,9% em relação aos três meses anteriores, revertendo a queda de 2,4% registrada no quarto trimestre de 2025.
O mercado de trabalho também tem mostrado essa força: entre janeiro e abril, a construção respondeu por 20,5% dos empregos formais criados no país. Esses números ajudam a dimensionar a importância do setor para a economia brasileira e para a geração de oportunidades.
Mas quais são os impactos positivos da Construção Civil no Brasil? E quais desafios podem limitar seu crescimento ao longo de 2026? Neste artigo, você encontrará um panorama atualizado do setor, com dados sobre emprego, PIB, infraestrutura e moradia, além dos principais fatores que influenciam o desempenho das empresas.
Confira tudo isso e as principais tendências para o mercado imobiliário, perspectivas para os próximos anos e caminhos para acompanhar esse movimento com mais controle na gestão da construtora. Boa leitura!
Impactos positivos da construção civil no Brasil
A Construção Civil movimenta uma cadeia extensa de atividades e contribui para a geração de empregos, o crescimento econômico e a realização de investimentos em infraestrutura e moradia.
Os indicadores mais recentes mostram que essa participação continua relevante em 2026, com avanço da atividade no primeiro trimestre e resultados positivos no mercado de trabalho. Vamos ver alguns pontos.
Geração de empregos
A geração de empregos é um dos impactos mais visíveis da Construção Civil na economia brasileira. O setor encerrou 2025 com 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, alta de 3,08% em relação ao final de 2024. Entre 2020 e 2025, foram criados 886.709 empregos formais no setor, segundo dados do Novo Caged compilados pela CBIC.
O ritmo de contratação continuou positivo este ano. Entre janeiro e abril, foram criadas 143.547 novas vagas formais, o equivalente a 20,51% dos 699.762 novos empregos registrados no país no período. O resultado colocou o setor na segunda posição entre os segmentos que mais geraram postos de trabalho nos primeiros quatro meses do ano.

Esse volume de contratações evidencia a capacidade da Construção Civil de movimentar o mercado de trabalho em diferentes etapas da cadeia, desde a execução das obras até os serviços especializados e atividades relacionadas ao fornecimento de materiais e equipamentos.
Impacto no PIB
A atividade da Construção também contribui para o desempenho da economia brasileira por meio da produção, dos investimentos e da movimentação de uma ampla cadeia de fornecedores. Depois de encerrar 2025 com alta de 0,5%, o setor registrou crescimento de 2,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, revertendo a retração de 2,4% observada no quarto trimestre de 2025.
Para 2026, a CBIC projeta expansão de 1,2% para o PIB da Construção, o que representaria o terceiro ano consecutivo de crescimento. Entre os fatores que ajudam a explicar esse desempenho estão o mercado imobiliário e os investimentos em infraestrutura.
Em 2025, os lançamentos imobiliários cresceram 13,88%, chegando a 471.769 unidades, enquanto as vendas avançaram 7,18%, com 433.681 unidades comercializadas.
Os efeitos desses lançamentos também se estendem pelos anos seguintes. Como os ciclos de produção dos empreendimentos são longos, a construção de unidades já lançadas mantém demanda por mão de obra, materiais, equipamentos e serviços durante diferentes etapas da execução.
Investimentos em infraestrutura
A infraestrutura representa uma frente relevante de investimentos para a Construção Civil e para a economia brasileira. Segundo estimativa da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), os investimentos no segmento devem ter alcançado R$ 280 bilhões em 2025, crescimento real de aproximadamente 3% sobre 2024.
Desse total, cerca de 84% correspondem à participação do setor privado. E o novo PAC também contribuiu para ampliar a carteira de projetos de infraestrutura.
O programa prevê R$ 1,3 trilhão em investimentos até o final de 2026, reunindo recursos públicos, financiamentos e participação privada em áreas como transporte, saneamento, habitação, mobilidade urbana, energia e infraestrutura social.
Os efeitos desses investimentos alcançam diferentes setores da economia. Uma obra de infraestrutura demanda materiais, equipamentos, serviços técnicos e mão de obra durante sua execução e, depois de concluída, pode ampliar a capacidade de transporte, saneamento, energia ou mobilidade de uma região. Esse encadeamento ajuda a explicar por que os investimentos em infraestrutura têm efeito econômico que ultrapassa o valor aplicado na própria obra.
Investimentos em moradia
A habitação também representa uma frente importante para a Construção Civil. Desde 2023, o Minha Casa, Minha Vida passou por ampliações que aumentaram o alcance do programa. Em 2026, a atualização das faixas de renda elevou o limite para atendimento a famílias urbanas para R$ 13 mil mensais, distribuídas entre três faixas e a modalidade Classe Média. A Faixa 1 atende famílias com renda de até R$ 3.200; a Faixa 2, de R$ 3.200,01 a R$ 5 mil; e a Faixa 3, de R$ 5.000,01 a R$ 9.600.
Os limites dos imóveis também foram ampliados. Para a Faixa 3, o valor máximo passou a R$ 400 mil, enquanto a modalidade Classe Média permite financiar imóveis de até R$ 600 mil. O programa combina linhas subsidiadas e financiadas, com recursos do FGTS e do Fundo Social, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito habitacional.
Para as construtoras, a expansão desse mercado acompanha uma busca por produtividade e eficiência na produção habitacional. A combinação entre políticas de financiamento, subsídios e novas soluções construtivas cria espaço para ampliar a oferta de moradias e, ao mesmo tempo, desenvolver métodos capazes de atender diferentes faixas de demanda.
Desafios enfrentados pela construção civil em 2026
O crescimento da Construção Civil em 2026 acontece junto a fatores que limitam o ritmo de expansão das empresas. Juros elevados, custos de insumos e mão de obra e as exigências ambientais estão entre os pontos que exigem atenção de construtoras e incorporadoras. Esses fatores afetam desde o planejamento de novos empreendimentos até os custos e prazos de execução.
Taxa de juros
A taxa de juros continua entre os principais desafios para o setor. Mesmo com o início do ciclo de redução da Selic, o crédito permanece caro para empresas e consumidores. Em setembro de 2026, o Copom reduziu a taxa para 13,75% ao ano, depois de mantê-la em 15% durante os primeiros meses do ano.
A pressão sobre os juros também alterou as perspectivas. Em fevereiro, a CBIC projetava crescimento de 2% para a Construção em 2026. Em maio, a entidade revisou a estimativa para 1,2%, citando a combinação de juros elevados, pressão inflacionária e incertezas geopolíticas. A projeção de 1,2% foi mantida pela CBIC em setembro, mesmo após a retração de 0,4% registrada pela Construção no segundo trimestre.
Para o mercado imobiliário, o crédito mais caro pode reduzir a capacidade de financiamento das famílias e aumentar o tempo necessário para a decisão de compra. Para as empresas, as condições financeiras afetam o custo de capital e a análise de viabilidade de novos projetos. O efeito combinado aparece na velocidade de vendas, no lançamento de empreendimentos e nas decisões de investimento.
Pressão de custos de insumos e mão de obra
Os custos continuam pressionando as margens das empresas de Construção. O INCC acumulou alta de 5,92% em 2025, acima dos 4,26% registrados pelo IPCA no mesmo período. A mão de obra teve uma alta ainda maior, de 8,98%, sendo o componente que mais contribuiu para o avanço do índice.
Em 2026, essa pressão continuou. O custo da mão de obra acumulava alta de 8,82% nos 12 meses encerrados em março, segundo a CBIC. No mesmo período, a entidade apontou que o componente permanecia acima da inflação oficial, evidenciando a dificuldade de absorver o aumento dos custos sem impacto sobre os orçamentos das obras.
Os materiais também estão sujeitos a fatores externos. O aço merece atenção especial por sua exposição às oscilações do mercado internacional e às mudanças nas políticas comerciais dos Estados Unidos. A tarifa norte-americana sobre aço, que havia sido elevada de 25% para 50% em junho de 2025, sofreu novas alterações em 2026, mantendo um ambiente de incerteza para as cadeias que utilizam esses produtos.
Para entender como essas variações chegam ao orçamento, vale acompanhar os fatores que formam o preço do aço no mercado brasileiro.
Por fim, a falta de mão de obra qualificada acrescenta outra camada de pressão. O Estudo BDO Real Estate 2025 aponta que 90% das empresas participantes relataram algum tipo de dificuldade relacionada à força de trabalho. A escassez envolve profissionais de campo, como pedreiros, serventes e carpinteiros, e também especialistas técnicos, como engenheiros, projetistas e administradores.
Nesse cenário, um controle de mão de obra mais próximo ajuda a usar melhor as equipes disponíveis e a reduzir a rotatividade.
Impacto ambiental
A Construção Civil utiliza grandes volumes de matérias-primas e também gera uma quantidade significativa de resíduos. Chamados de Resíduos da Construção Civil (RCC), representam uma parcela relevante do lixo gerado nas cidades brasileiras, o que reforça a necessidade de reduzir desperdícios e buscar alternativas com menor impacto ambiental.
Uma das possibilidades está na escolha dos métodos construtivos. A construção industrializada e sistemas como o wood frame permitem maior controle sobre o uso de materiais e a produção dos componentes, reduzindo desperdícios no canteiro.
Construções secas e o uso de madeira de reflorestamento também podem contribuir, a depender das características e da origem dos materiais empregados.
O reaproveitamento de RCC é outra prática que tem ganhado cada vez mais espaço. Concreto, argamassa e outros materiais podem ser separados e processados para reutilização ou produção de agregados reciclados.
Além disso, a sustentabilidade como um todo tem aparecido até mesmo nas condições de financiamento. O Selo Casa Azul+ CAIXA, por exemplo, busca reconhecer os empreendimentos que adotam “soluções verdes” e proporciona condições diferenciadas de financiamento, conforme a modalidade, como um incentivo.
Para as construtoras, essas práticas aproximam a consciência ecológica da rotina do canteiro. Além de ajudar o planeta, o planejamento de materiais, a escolha do método construtivo e uma boa gestão dos resíduos podem reduzir perdas e melhorar o aproveitamento dos recursos utilizados na obra.
Tendências e perspectivas para o setor
A evolução da Construção Civil precisa passar pela adoção de tecnologias, novos métodos construtivos e mudanças no comportamento de quem compra ou utiliza imóveis. Foi assim com a grande maioria dos setores, não seria diferente na construção.
Novas tecnologias e métodos construtivos
A inteligência artificial, o BIM e a industrialização estão entre as tendências que ganham espaço na Construção Civil. A adoção de ferramentas de IA pelas empresas pesquisadas no Termômetro Falconi passou de 15% em 2023 para 38% em 2025, mostrando um avanço expressivo em apenas dois anos. O mesmo levantamento aponta o BIM como a tecnologia mais adotada, presente em 55% das empresas participantes.
A IA pode apoiar atividades como análise de dados, planejamento, orçamento e acompanhamento de obras. O BIM, por sua vez, amplia a integração das informações do empreendimento e facilita a colaboração entre diferentes profissionais e disciplinas. A combinação dessas tecnologias com processos industrializados também abre espaço para maior controle sobre etapas da produção.
A construção modular é um bom exemplo dessa transformação. A fabricação de componentes fora do canteiro e a montagem posterior podem reduzir desperdícios e diminuir a dependência de determinadas atividades manuais. Essa característica ganha relevância diante da escassez de mão de obra qualificada e da busca por métodos com menor geração de resíduos.
O consumidor de imóveis em 2040
As mudanças demográficas e comportamentais também devem influenciar os imóveis das próximas décadas. Segundo o estudo “Comportamento do consumidor de imóveis em 2040”, elaborado pela Deloitte em parceria com a Abrainc e publicado em 2019, o envelhecimento da população, a redução do número médio de moradores por domicílio e a diversificação dos formatos familiares estão entre os fatores que podem transformar a demanda habitacional.
O estudo aponta tendências como imóveis menores, espaços compartilhados, ambientes modulados e adaptáveis e maior atenção à acessibilidade. Também aparecem entre as características valorizadas pelos futuros consumidores a segurança, a proximidade do trabalho, de centros comerciais e de hospitais, além da presença de tecnologias conectadas.
A pesquisa também indica mudanças na jornada de compra. Mais da metade dos entrevistados poderia abrir mão do corretor em determinadas condições, enquanto 40% demonstraram maior disposição para realizar a compra de um imóvel pela internet.
Essas projeções são de 2019 e devem ser lidas como um estudo de futuro, não como uma fotografia do consumidor de 2026. Ainda assim, ajudam a identificar transformações que podem influenciar o desenvolvimento de produtos imobiliários nos próximos anos.
Ecossistema Sienge: tecnologia para construtoras que crescem com controle
Como vimos neste artigo, os números de 2026 mostram uma Construção Civil em movimento, com geração de empregos e oportunidades de investimento, ao mesmo tempo em que juros, custos e escassez de mão de obra exigem mais atenção das empresas.
A melhor saída é continuar acompanhando cada etapa da operação com informações confiáveis e organizadas a fim de tomar decisões melhores sobre as obras, recursos e resultados.
Nesse sentido, o Ecossistema Sienge reúne soluções para conectar diferentes áreas da construtora, integrando dados e processos em uma mesma plataforma. Com essa clareza, a gestão ganha mais visibilidade sobre o que acontece na operação e pode agir com mais precisão diante das mudanças do mercado.
Para conhecer as soluções e entender como o Ecossistema Sienge pode apoiar a gestão da sua construtora, acesse a plataforma e explore o universo de soluções disponíveis.
Perguntas frequentes sobre construção civil no Brasil
Qual é o cenário da construção civil no Brasil em 2026?
A Construção Civil iniciou 2026 em recuperação. O setor cresceu 2,9% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores e respondeu por 20,51% dos empregos formais criados no país entre janeiro e abril. Apesar do avanço, juros elevados, custos e escassez de mão de obra continuam limitando o ritmo de expansão.
Quais fatores podem limitar o crescimento da construção civil em 2026?
Entre os principais fatores estão juros elevados, aumento dos custos de mão de obra e insumos, dificuldade para contratar profissionais qualificados e incertezas econômicas. Esses elementos podem afetar o financiamento, as margens das empresas, o lançamento de empreendimentos e os prazos das obras.
Como os juros altos afetam construtoras e incorporadoras?
Juros altos encarecem o crédito para empresas e compradores de imóveis. Para construtoras e incorporadoras, isso aumenta o custo de capital e pode reduzir a viabilidade de novos projetos. Para os consumidores, o financiamento mais caro pode diminuir a capacidade de compra e ampliar o tempo de decisão.
Por que a falta de mão de obra qualificada é um problema para a construção civil?
A escassez de profissionais pode elevar custos, dificultar contratações e comprometer produtividade e prazos. O problema atinge tanto funções de campo, como pedreiros, serventes e carpinteiros, quanto profissionais técnicos, como engenheiros, projetistas e administradores.
Quais tecnologias estão transformando a construção civil no Brasil?
Inteligência artificial, BIM, industrialização e construção modular estão entre as tecnologias e métodos com maior espaço no setor. Essas soluções apoiam atividades como planejamento, orçamento, análise de dados, integração de informações e produção de componentes fora do canteiro.
Engenheiro Civil com sólida trajetória na transformação comercial de empresas por meio de tecnologia, dados e processos. Atua há 10 anos com desenvolvimento de negócios, estratégia comercial e digitalização na construção civil, com forte experiência se relacionando com grandes construtoras como MRV, Direcional, Tecnisa, MPD, entre outras.



