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Sustentabilidade na construção civil: eficiência energética como diferencial para construtoras

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8 de março de 2017

 

Um dos grandes desafios quando pensamos em sustentabilidade na construção civil, é trazer a eficiência energética para dentro do canteiro de obras. Para garantir uma construção em harmonia com o meio ambiente, além da utilização de materiais verdes e reciclados, blocos ecológicos e reutilização da água, é preciso atentar para o consumo de energia que o empreendimento demanda.

 

A situação é urgente. Atualmente, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o setor construtivo é responsável por aproximadamente metade do total de quilowatts produzidos no planeta. No Brasil, o cenário não é menos alarmante. Segundo dados levantados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 44% de toda energia elétrica consumida no país é destinada ao setor da construção civil, seja nos setores residenciais, públicos ou comerciais.

 

A necessidade de reduzir estes indicadores com eficiência energética, além de garantir a sustentabilidade na construção civil, passa também por tornar o empreendimento ainda mais rentável. Selos sustentáveis também agregam valor à obra e são um diferencial para toda construtora. Uma boa etiqueta no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) é fundamental para a valorização do imóvel. Por isso, é hora de buscar fazer mais com menos e aplicar a ideia de eficiência energética no seu empreendimento.

 

O que é eficiência energética

 

Sabe quando a conta de luz vem alta demais? A família se reúne e discute sobre as práticas que mais gastam energia dentro de casa. O ar condicionado que refrigera a sala o dia inteiro, a tevê que fica ligada enquanto quem estava assistindo toma banho, o microondas em stand by 24 horas por dia. Se quem sai da sala desligar a tevê, o ar condicionado for acionado somente quando necessário e a tomada do microondas for plugada só quando alguém quiser esquentar algo, a conta virá mais baixa no mês que vem, certo? E ninguém será prejudicado por isso.

 

Na construção civil funciona exatamente da mesma forma. Eficiência energética na nessa área consiste em, com um conjunto de ações estratégicas, extrair um desempenho superior na obra, porém com um consumo de energia inferior. Aplicar a energia elétrica no canteiro de obras de modo racional e eficiente para diminuir os indicadores de consumo excessivo e fazer com que a obra colabore com o meio ambiente.

 

Como aplicar práticas de eficiência energética

 

Reduzir o consumo de energia e aplicar práticas de eficiência energética em edificações se torna um pouco mais complexo do que se pode observar no exemplo doméstico. Afinal, a eficiência energética nas construções não visa somente reduzir o consumo na obra, mas sim aplicar medidas que garantam uso inteligente de energia após a entrega, quando o empreendimento estará habitado e em pleno funcionamento. Medidas que valorizam o imóvel e garantem a sustentabilidade na construção civil.

 

Simulação de eficiência energética para edificações

 

Uma simulação energética identifica pontos críticos de consumo de energia na edificação. Diversos softwares oferecem este serviço, como o S3E e o Energy Plus. A partir deste diagnóstico, é possível determinar práticas para otimização do consumo de energia e melhores indicadores de sustentabilidade dentro da construção.

 

A simulação energética pode ser realizada anteriormente à construção do edifício, a partir do projeto arquitetônico. Assim, antes mesmo de colocar a mão na massa, a construtora já tem uma projeção detalhada dos efeitos que diferentes ações podem gerar na obra. O que leva a descobrir qual será o impacto no consumo de energia se for utilizado determinado material na fachada, efeitos diretos de estruturas de sombreamento, entre outros fatores que influenciam a gestão de qualidade da obra.

 

Este vídeo produzido pelo PNUD, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, mostra como funciona a simulação energética:

 

 

Envoltória

Quando pensa-se em eficiência energética, é muito importante centrar esforços na envoltória da construção. Afinal, ao entregar um empreendimento ineficaz nesse quesito, tem-se um edifício frio no inverno e muito quente no verão, exigindo um consumo elevado de energia com aquecedores, umidificadores e condicionadores de ar.

As medidas que podem ser tomadas para uma envoltória eficiente variam de acordo com a realidade climática de cada região. A extensão territorial do Brasil e a disparidade climática entre regiões dificulta uma padronização de ações para envoltórias. No entanto, algumas das medidas mais aplicadas são para elevar a etiquetagem de um edifício no PBE são:

  • Cobertura verde: ou telhado verde, filtra o gás carbônico na cobertura do prédio, reduzindo a temperatura e absorvendo até 90% mais calor que sistemas de cobertura tradicionais.

  • Pintura clara: aplicada nas paredes externas e na cobertura do edifício, cores claras não retém calor e auxiliam na redução do consumo de energia do prédio.

  • Vidros inteligentes: vidros eletrocrômicos permitem o controle de luz em determinada área, filtrando a radiação solar que incide sobre eles. Podem ser aplicados tanto na fachada do prédio quanto em ambientes internos.

Iluminação

A lei é quase que universal: “o último a sair, apaga a luz”. No entanto para conseguir uma boa certificação no PBE e firmar o compromisso do empreendimento para com a sustentabilidade na construção civil, ela não vale. É preciso pensar em medidas que garantam o uso mais inteligente da energia elétrica dentro do edifício, otimizando o consumo e aumentando a eficiência energética.

Confira algumas das medidas mais aplicadas para reduzir o consumo com iluminação:

  • Sensores de desligamento automático: sensores de movimento são fundamentais para reduzir o consumo de energia. Luzes de corredores, por exemplo, só serão acionadas em casos de detecção de presença, evitando o desperdício.
  • Energias renováveis: fazendo uso de pequenas turbinas eólicas, painéis fotovoltaicos ou, até mesmo, de sistemas de persianas automatizadas é possível captar e armazenar luz natural. Além da colaboração com a sustentabilidade na construção civil, a medida reduz os custos mensais com energia e ainda acumula uma reserva que pode ser de grande ajuda em casos de queda de energia, mantendo o abastecimento do edifício. Diversas empresas já entenderam o potencial que a luz solar tem para valorizar seus empreendimentos.

 

Condicionamento de ar

Independentemente da região do país onde seu empreendimento seja erguido, uma coisa é certa: entre novembro e março faz muito calor. Neste caso, o uso do ar condicionado será imprescindível para garantir o bem estar de todos que irão trabalhar ou viver no edifício. Ainda assim, existem algumas alternativas para, se não eliminar o uso do ar condicionado, criar situações diminuam a necessidade de manter o ar condicionado ligado o dia inteiro e firmar mais uma vez seu compromisso com a gestão da qualidade e a sustentabilidade na construção civil:

  • Ventilação natural: em dias de clima mais ameno, abaixo dos 25ºC graus, por exemplo, somente a ventilação natural já seria o bastante para arejar o ambiente. Uma alternativa é apostar na ventilação cruzada. Ela se vale de vãos de abertura que permitam entrada e saída de ar fresco, podendo ser opostos ou adjacentes, e sua eficiência vai depender de fatores como frequência, velocidade e direção do vento da região.
  • Isolamento térmico: sistemas de isolamento térmico no edifício são responsáveis por manter a temperatura de um ambiente. Por isso, além da redução do ruído, o isolamento térmico garante um consumo de energia elétrica inferior e, consequentemente, mais sustentabilidade na construção civil.
  • Renovação de ar condicionado: em casos de retrofit de edifícios mais antigos, já aparelhados com condicionadores de ar artificiais, é muito importante promover a manutenção das máquinas. Buscar por aparelhos mais novos, com um consumo de energia inferior, ainda que demande um certo custo, reduz os gastos. É um investimento que se paga ao longo da vida útil do edifício.

Resultados de práticas de eficiência energética: sustentabilidade na construção civil

Sempre que uma construtora busca por alternativas para reduzir o consumo de energia em seus empreendimentos, colabora para melhores indicadores de sustentabilidade na construção civil no Brasil. Eficiência energética é selar um acordo de colaboração com o meio ambiente e compromisso social. Além disso, há vantagens financeiras direta para a empresa que vão além da conta de luz ao fim do mês. Segundo pesquisa do The Regeneration Roadmap, pessoas de países emergentes, como o Brasil, estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis. Daí a importância das etiquetas de sustentabilidade.

Para eficiência energética, os selos são atribuídos pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), do Instituto Nacional de de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), que classifica as edificações com etiquetas de A a E.

Veja mais no vídeo abaixo:

Eficiência energética, portanto, além de colaborar para a sustentabilidade na construção civil, traz benefícios para a construtora e também para os ocupantes do edifício após a entrega e prolonga sua vida útil. Por isso, é hora de fazer mais com menos, e garantir um consumo racional de energia em seu empreendimento.

Brenda Bressan Thomé

  • Editora do blog Sienge
  • Especialista em comunicação em mídias digitais
  • Jornalista formada pela UFSC
  • Filha de Engenheiro Civil e apaixonada por Construção
 

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