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Conheça os perigos de ocupar um “edifício doente”

29 de janeiro de 2018

Você já ficou algum tempo dentro de um prédio e começou a se sentir mal? Teve sintomas como tosse, dor de cabeça e ardência nos olhos? Então, é possível que você estivesse em um edifício doente.

A Síndrome do Edifício Doente (SED) foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1982. Trata-se de um conjunto de doenças desencadeadas pela proliferação de microorganismos infecciosos e partículas químicas em prédios fechados. Geralmente, a enfermidade está relacionada a falhas no sistema de climatização. 

De acordo com a Associação Americana de Pneumologia, a poluição do ar – incluindo nos ambientes internos – custa aos executivos norte-americanos acima de US$ 100 bilhões ao ano devido ao absenteísmo, perda de produtividade e despesas com internações médicas.

No post de hoje, saberemos mais sobre essa doença. Continue a leitura! 

Síndrome do Edifício Doente – Antecedentes

A partir da década de 50, trabalhadores norte-americanos e europeus começaram a relatar problemas de saúde relacionados à permanência no espaço confinado dos escritórios. De fato, nessa época iniciou-se a construção de prédios que isolavam os ocupantes de ruídos externos, com o objetivo de estimular a concentração e a produtividade.

Nos anos 70, veio a crise do petróleo. Então, foram construídos edifícios hermeticamente fechados para auxiliar a reduzir o consumo de energia. Contudo, a diminuição de captação do ar externo começou a prejudicar a saúde dos trabalhadores.

Mas foram dois episódios que, por seu caráter extremo, mostraram ao mundo a importância da correta manutenção dos sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado:

Febre de Pontiac – Em junho de 1968, em Michigan (EUA), o defeito em um sistema de ar-condicionado foi responsabilizado por espalhar a bactéria Legionella pneumophillia, contaminando 114 pessoas. O fato ocorreu em um prédio do departamento de Saúde da cidade de Pontiac.

Entre os sintomas da doença, batizada de febre de Potiac, estavam febre, dores de cabeça e musculares.

Doença dos legionários (legionelose) – Em 1977, na Filadélfia (EUA), o ar-condicionado do hotel Bellevue-Strafford propagou a bactéria Legionella pneumophila durante uma convenção da Legião Americana. Isso causou um surto epidêmico de pneumonia que atingiu 182 pessoas. Delas, 34 morreram.

Descobriu-se que, para se desenvolver, essa bactéria necessitava da presença de algas comumente encontradas em centrais de ar-condicionado. Esses casos colocaram a comunidade médica em alerta, e alguns anos depois a Síndrome do Edifício Doente foi catalogada.

Sintomas 

Fique atento ao sintomas dessa síndrome. Caso eles se manifestem somente no local de trabalho, pode significar que você está em um edifício doente.

  • dificuldade em respirar;
  • dores articulares;
  • dor de cabeça;
  • coceira;
  • irritação de olhos, nariz e garganta;
  • fadiga mental;
  • infecção das vias aéreas;
  • náusea;
  • rouquidão;
  • tontura;
  • tosse;
  • pele seca;
  • sonolência.

 Causas da Síndrome do Edifício Doente

Em um edifício, as fontes para propagação de microorganismos infecciosos e partículas tóxicas causadoras da Síndrome do Edifício Doente podem ser várias: materiais de construção, produtos de limpeza e até o corpo humano.

Além disso, durante o ciclo de vida de uma edificação, é possível que as causas para a SED mudem. 

Entenda: 

Nos primeiros seis a 12 meses, logo após a ocupação do prédio, a enfermidade pode ser gerada pelos materiais de construção particulados acumulados no ar e por poluentes liberados pelo mobiliário

Com o passar do tempo, o envelhecimento, a manutenção incorreta e o uso de filtros inadequados no sistema de climatização podem causar a doença (TEIXEIRA, D.B. et al., 2005). Isso ocorre quando o ar interno não é suficientemente renovado, concentrando carga elevada de poluentes químicos e biológicos. Esse processo é mais acentuado quando se trata de ambientes com aglomeração de pessoas.

Além disso, a síndrome pode ter origem em erros de projeto ou de execução da obra, assim com no uso de materiais inadequados ou de baixa qualidade. O prédio apresenta fissuras, rachaduras,  infiltrações ou excesso de umidade? Então, talvez a SED tenha sido desencadeada por um problema estrutural.

Fontes de poluição do ar interno

Os poluentes suspensos no ar dos prédios fechados (causadores da SED) podem ser de origem química ou biológica. Para que você saiba em detalhes quais são as fontes desses agentes e as medidas para eliminá-las, reproduzimos abaixo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):  

Possíveis fontes de poluentes biológicos e medidas de correção:

AGENTES BIOLÓGICOS Principais Fontes
em Ambientes Interiores
Principais Medidas de Correção
em Ambientes Interiores
Bactérias Reservatório com água estagnada, torres de resfriamento, bandejas de condensado, desumidificadores, umidificadores, serpentinas de condicionadores de ar e superfícies úmidas e quentes. Realizar a limpeza e a conservação das torres de resfriamento; higienizar os reservatórios e bandejas de condensado ou manter tratamento contínuo para eliminar as fontes; eliminar as infiltrações; higienizar as superfícies.
Fungos Ambientes úmidos e demais fontes de multiplicação fúngica, como materiais porosos orgânicos úmidos, forros, paredes e isolamentos úmidos; ar externo, interior de condicionadores e dutos sem manutenção, vasos de terra com plantas. Corrigir a umidade ambiental; manter sob controle rígido vazamentos, infiltração e condensação de água; higienizar os ambientes e componentes do sistema de climatização ou manter tratamento contínuo para eliminar as fontes; eliminar materiais porosos contaminados; eliminar ou restringir vasos de plantas com cultivo em terra, ou substituir pelo cultivo em água (hidroponia); utilizar filtros G-1 na renovação do ar externo.
Protozoários Reservatórios de água contaminada, bandejas e umidificadores de condicionadores sem manutenção. Higienizar o reservatório ou manter tratamento contínuo para eliminar as fontes.
Vírus Hospedeiro Humano Adequar o número de ocupantes por m2 de área com aumento da renovação de ar; evitar a presença de pessoas infectadas nos ambientes climatizados.
Algas Torres de resfriamento e bandejas de condensado Higienizar os reservatórios e bandejas de condensado ou manter tratamento contínuo para eliminar as fontes.
Pólen Ar externo Manter filtragem de acordo com NBR-6401 da ABNT.
Artrópodes Poeira caseira Higienizar as superfícies fixas e mobiliário,  especialmente os revestidos com tecidos e tapetes; restringir ou eliminar o uso desses revestimentos.
Animais Roedores, morcegos e aves Restringir o acesso, controlar os roedores, morcegos, ninhos de aves e respectivos excrementos.

Fonte: Anvisa – Resolução nº 9, de 16 de janeiro de 2003

Possíveis fontes de poluentes químicos e medidas de correção:

AGENTES |
QUÍMICOS
Principais Fontes
em Ambientes Interiores
Principais Medidas de Correção
em Ambientes Interiores
CO Combustão (cigarros, queimadores de fogões e veículos automotores) Manter a captação de ar exterior com baixa concentração de poluentes; restringir as fontes de combustão; manter a exaustão em áreas em que ocorre combustão; eliminar a infiltração de CO proveniente de fontes externas; restringir o tabagismo em áreas fechadas.
CO2 Produtos de metabolismo humano e combustão Aumentar a renovação de ar externo, restringir as fontes de combustão e o tabagismo em áreas fechadas; eliminar a infiltração de fontes externas.
NO2 Combustão Restringir as fontes de combustão; manter a exaustão em áreas em que ocorre combustão; impedir a infiltração de NO2 proveniente de fontes externas; restringir o tabagismo em áreas fechadas.
O3 Máquinas copiadoras e impressoras a laser Adotar medidas específicas para reduzir a contaminação dos ambientes interiores, com exaustão do ambiente ou enclausuramento em locais exclusivos para os equipamentos que apresentem grande capacidade de produção de O3.
Formaldeído Materiais de acabamento, mobiliário, cola, produtos de limpeza Selecionar os materiais de construção, acabamento e mobiliário que possuam ou emitam menos formaldeído; usar produtos que não contenham formaldeído.
Material particulado Poeiras e fibras Manter filtragem de acordo com NBR-6402 da ABNT; evitar isolamento termo-acústico que possa emitir fibras minerais, orgânicas ou sintéticas para o ambiente climatizado; reduzir as fontes internas e externas; higienizar as superfícies fixas e mobiliários sem o uso de vassouras, escovas ou espanadores; selecionar os materiais de construção e acabamento com menor porosidade; adotar medidas específicas para reduzir a contaminação dos ambientes interiores (vide biológicos); restringir o tabagismo em áreas fechadas.
Fumo de tabaco Queima de cigarro, charuto, cachimbo, etc. Aumentar a quantidade de ar externo admitido para renovação e/ou exaustão dos poluentes; restringir o tabagismo em áreas fechadas.

 

Compostos
orgânicos
voláteis
(COV)
Cera, mobiliário, produtos usados
em limpeza, solventes, materiais de
revestimento, tintas, colas, etc.
Selecionar os materiais de construção, acabamento e mobiliário; usar produtos de limpeza que não contêm COV ou que não apresentem alta taxa de volatilização
e toxicidade.
Compostos
orgânicos
semi-voláteis
(COS-V)
Queima de combustíveis e
utilização 
de pesticidas.
Eliminar a contaminação por fontes pesticidas, inseticidas e a queima de combustíveis; manter a captação de ar exterior afastada de poluentes.

Fonte: Anvisa – Resolução nº 9, de 16 de janeiro de 2003

Em resumo: 

Todos sabemos que a ventilação natural é muito importantes para manter a salubridade de um ambiente. A renovação do ar interno permite que as partículas tóxicas presentes nos recintos se dispersem e não afetem nossa saúde.

Mas o que fazer no caso dos modernos edifícios fechados, nos quais a ventilação ocorre somente através de sistemas de climatização? Para agravar a situação, essas construções frequentemente recebem pouca ou nenhuma luz solar (que combate bactérias, fungos, ácaros e outros microorganismos).

Como vimos, prédios com tais características são propícios a desenvolver a Síndrome do Edifício Doente. Nessa circunstância, os aparelhos de climatização podem ser veículos para propagar diversas doenças pelo ar. Além dos danos à saúde dos trabalhadores, essa enfermidade gera muitos prejuízos financeiros às empresas. 

Mas não se assuste! Para evitar esse problema, a medida mais eficaz é simples: a realização de manutenções periódicas nos equipamentos, conforme orientação do fabricante.

Por isso, se você trabalha no setor da construção civil, busque incluir orientações completas sobre os sistemas de ar-condicionado no Manual do Proprietário de Imóveis

 

Referências bibliográficas:
ANVISA. Resolução nº 9 de 16 de Janeiro de 2003. Diário Oficial da União, 2003.
TEIXEIRA, D.B. et al. Síndrome dos Edifícios Doentes em Recintos com Ventilação e Climatização Artificiais: Revisão de Literatura. Inmetro, 2005.
STELING, T.D. et al. A epidemiologia dos “edifícios doentes”. Rev. Saúde públ., 56-61, 1991.

Helena Dutra

  • Jornalista
  • Redatora e revisora
  • Especialista em Produção de Conteúdo para Web
 

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