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Perfil da Construção – Daniel Furletti: um economista dedicado à construção

6 de novembro de 2018

 

perfil da construção

Crédito: CBIC/Divulgação

O advogado e economista Daniel Ítalo Richard Furletti contabiliza mais de 38 anos de trabalho no Sinduscon-MG, onde atualmente é coordenador sindical.

Também é coordenador do Banco de Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) desde sua fundação, em 1992. Além disso, atua como professor de Economia na PUC Minas.  

Furletti possui graduação em Ciências Econômicas pela PUC Minas (1979) e em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1981).


Nesta entrevista para o blog do Sienge, ele conversou conosco sobre sua trajetória profissional e sobre a atuação do Sinduscon-MG. Acompanhe!

SIENGE – Por que você escolheu atuar no setor da construção civil?

D.F. – Escolhi a Construção Civil porque é um setor estratégico do ponto de vista socioeconômico, principalmente para as economias em desenvolvimento, como é o caso da brasileira.

Para entendermos a importância social desse segmento da economia, basta constatarmos que o déficit habitacional brasileiro é de mais de 6 milhões de moradias. Além disso, temos uma grande necessidade de obras viárias, de saneamento básico e de infraestrutura. Neste último caso, precisamos principalmente de projetos que melhorem a logística do País. A greve dos caminhoneiros, em maio deste ano, deixou isso bem claro.

A construção civil também é estratégica no aspecto econômico, pois além dos empregos gerados de forma direta, sua cadeia produtiva é muito extensa e necessita de vários outros setores, como o cimenteiro, siderúrgico, de vidro, cerâmica, fios e asfalto. Isso vai provocando um efeito positivo de emprego, renda e tributo em todos os setores da economia.

SIENGE – Após tantos anos atuando no Sinduscon-MG, que conquista da entidade você destacaria?

D.F. – Por sediar o Banco de Dados da CBIC, o Sinduscon-MG tornou-se uma referência na base de dados estatísticos e macroeconômicos do setor da construção civil. Muitos usuários, inclusive de outros países, acessam nosso site em busca de informações. Por isso, destaco o papel do Sinduscon-MG como difusor de informações técnicas acerca desse setor fundamental para a consolidação do desenvolvimento econômico.

SIENGE – Como você vê o futuro dos Sinduscons com o fim da contribuição sindical obrigatória?

D.F. – Todos os sindicatos perderam uma fonte de receita compulsória, mas essa medida, certamente, fortalecerá aquelas entidades que realmente prestam serviços a seus associados. Portanto, é uma oportunidade para que os Sinduscons mostrem sua importância no dia a dia das empresas de construção civil. Destaco a convenção coletiva de trabalho, que regula as relações trabalhistas da categoria, como um dos principais serviços dos Sinduscons.

SIENGE – Nos últimos quatro anos, as atividades da Construção Civil no País caíram 20,1%. O que é necessário para que o setor se recupere?

D.F. – O País precisa voltar a crescer, e mais de 50% dos investimentos brasileiros passam pela indústria da construção civil. Mas a retomada dos investimentos exige um ambiente de negócios favorável. Isso significa proporcionar mais recursos, confiança, governança corporativa e desburocratização.

Precisamos formar uma poupança interna e atrair poupança externa. Para tanto, é necessário realizar as reformas estruturais que há tanto tempo estão pautadas na economia brasileira. Começamos com a reforma trabalhista, mas faltam as reformas previdenciária, tributária e administrativa.

Tais medidas irão permitir que as empresas invistam em tecnologia e desenvolvimento, capacitando mais força de trabalho e incorporando mais produtividade e competitividade.

Sienge – Por que a revisão da ABNT NBR 12721:2006, que estabelece a metodologia para o cálculo do CUB/m², é tão necessária?

D.F. – A ABNT NBR 12.721:2016 é responsável pelo cálculo e divulgação do Custo Unitário Básico (CUB), através do qual as incorporações são registradas no cartório de registro de imóveis, conforme a Lei das Incorporações. O registro das incorporações imobiliárias é o primeiro estágio do processo produtivo da indústria da construção civil.

A última revisão dessa norma foi feita em 2006. Ela necessita ser atualizada principalmente no que diz respeito aos materiais, pois nesse período tivemos várias evoluções tecnológicas no processo produtivo. Existe um comissão de estudos para isso, mas se trata de uma revisão bastante detalhada e elaborada, que demanda tempo.  

Sienge – Neste ano, o Banco de Dados e a Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC lançaram a cartilha “Encargos Previdenciários e Trabalhistas no Setor da Construção Civil”. Como essa publicação pode ajudar os empresários do setor?

D.F. – O objetivo dessa cartilha gratuita é ser um instrumento técnico para que os empresários do setor da construção possam apropriar os custos previdenciários, trabalhistas e também aqueles provenientes dos benefícios negociados em convenções coletivas do setor.

Sua metodologia possibilita que os cálculos sejam adaptados para cada caso específico, tanto em obras quanto em empresas. Com isso, esperamos ajudar a otimizar a tomada de decisões nas construtoras, no âmbito da gestão de seus custos.

Helena Dutra

  • Jornalista
 

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