O que é gerenciamento de valor agregado e como fazer

Felipe Gonzales

Felipe Gonzales

Product Manager com mais de um década de trabalho na indústria de tecnologia. Com vasta experiência em projetos de integração da cadeia de suprimentos.

16 de fevereiro 2021

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Desenvolver um planejamento adequado e bem elaborado é o objetivo de todas as obras na construção civil. Mas na prática, como você já deve saber, a tarefa não é tão simples. Por isso que, neste post, nós vamos falar sobre uma ferramenta que funciona como um “alerta” durante o desenvolvimento de uma obra. Trata-se do Gerenciamento de Valor Agregado – ou simplesmente GVA. 

De forma resumida, essa técnica permite que o gestor da obra avalie se o projeto tem consumido mais dinheiro para realizar determinada tarefa, ou se está gastando mais rápido porque o projeto está adiantado. Portanto, é eficaz em avaliar se os desempenhos de custo e prazo estão de acordo com o planejado. Vamos entender melhor isso a seguir!

O que é gerenciamento de valor agregado

O gerenciamento de valor agregado (GVA) é uma ferramenta utilizada para determinar padrões e tendências no passado que possam ser bons prognosticadores do futuro e, dessa forma, analisar o desempenho quantitativo de um projeto. 

Assim, permite que a empresa faça a integração entre escopo, prazo e custo. Tudo por meio de uma comparação do avanço físico da obra com relação ao que foi orçado.

Imagine extrair índices que ajudam na mensuração da obra sobre quão dentro de prazo e custo a obra está. Isso é possível com o GVA, pois a metodologia transforma valor de custo em valor de prazo, traduzindo os custos e prazos em percentual de obra realizada.

Por meio do GVA é possível determinar a viabilidade econômica de uma obra

Por meio do GVA é possível determinar a viabilidade econômica e ter uma previsão de custos aproximada sobre o quanto de recursos financeiros será necessário no projeto, mas isso ainda não representa 100% do desembolso financeiro no caixa, pensando no valor real.

A falta dessas informações pode impactar consideravelmente no andamento da obra, pois o orçamento e o cronograma sofrem variações conforme o projeto evolui. Ou seja, sem um gerenciamento de valor agregado não é possível verificar a viabilidade final do investimento nem do quanto o planejado foi realmente seguido.

Como surgiu o conceito de GVA

O conceito gerenciamento de valor agregado surgiu nos anos 1960 nos Estados Unidos e foi implantado no governo americano por meio do Departamento de Defesa. A ideia era ter um sistema de controle que fosse incorporado aos padrões do Escritório da Secretaria de Defesa da Força Aérea Americana.

Dessa forma, a técnica se expandiu, sendo adotada por diversos órgãos e agências do governo, como um meio de análise e gestão de projetos de investimento. 

O conceito gerenciamento de valor agregado surgiu nos anos 1960 nos Estados Unidos

Na construção civil, como você bem sabe, a medição e a avaliação dos resultados obtidos é um grande desafio. Todos os fatores que envolvem esse processo, como a previsão de prazos, custos, riscos e previsibilidade são dados difíceis de serem alcançados.

Porém, é de suma importância ter acesso a estimativas confiáveis e que mostrem se o projeto tem uma previsão de ser bem-sucedido ou não. Nesse sentido, o gerenciamento de valor agregado surgiu como uma solução capaz de mostrar a relação entre o custo real aplicado e o resultado obtido no projeto. 

Ou seja, a análise permite saber se a relação entre o que foi planejado e o que foi realizado é satisfatória. 

Gerenciamento de valor agregado na prática

O primeiro passo no processo de execução de um empreendimento é a construção de uma linha de base, que é o cronograma inicial da obra. Essa linha será comparada posteriormente a todo o seu processo de desenvolvimento.

Na sequência, é feita uma análise do custo da obra e do valor que a empresa tem disponível para custeá-la. Inicialmente, essa informação pode ser fácil de ser obtida. Basta saber o valor que a empresa tem em caixa, ou a capacidade dela de levantar esse investimento com terceiros.

O desafio é:

Levantar os custos que a obra vai gerar mensalmente para que a construtora consiga analisar a viabilidade e se planejar.

Nesse caso, é feito um orçamento detalhado, com todos os custos necessários em cada fase. Além disso, deve-se distribuir esse custo ao longo do período. Isso quer dizer que não adianta saber só o investimento total, mas sim quanto a construtora terá de custo ao longo do projeto, em cada mês.

O levantamento desses valores deve ser conectado ao planejamento, assim será possível acompanhar a evolução dos gastos. Essa conexão é importante pois o cronograma pode sofrer ajustes por situações macroeconômicas, andamento das vendas, disponibilidade de recurso para investir, entre outras razões.

Os preços da matéria-prima, por exemplo, podem sofrer alterações, e o tempo estimado para a realização de algumas tarefas pode ser diferente do que foi planejado. Então, a construtora precisa estar preparada para revisar o planejamento a todo momento da forma mais ágil possível. Isso permite a mitigação de atrasos ou prejuízos, e faz parte do cenário de GVA.

Curva S

Uma das estratégias mais implementadas neste sentido é a ferramenta de Curva S. Utilizada para analisar a relação entre o que foi planejado e o que foi executado em termos de tempo. Ou seja, é uma análise do prazo executado e deve ser comparado com a linha de base inicial para identificar as confluências ou não. 

Na mesma análise, é possível saber quanto foi gasto nas fases que já foram entregues e o valor que está previsto para ser gasto a seguir.

A análise do avanço físico da obra permite que diretores, gestores, equipes financeiras e de engenharia atuem de forma mais efetiva. Os profissionais utilizam a análise para conferir se o que foi gasto até o momento corresponde com o orçamento que foi previsto no início. 

A análise do avanço físico da obra permite que diretores, gestores, equipes financeiras e de engenharia atuem de forma mais efetiva.

E o mais importante: entender se o que falta ser entregue pode ser realizado com o orçamento disponível, ou seja, o conceito de tendência financeira.

Variáveis do gerenciamento de valor agregado

Ao fazer um gerenciamento de valor agregado, você precisa considerar três variáveis principais:

  • Valor Planejado (VP): análise entre o cronograma executivo da obra e o orçamento. A avaliação deve considerar o que foi planejado e quanto de reserva financeira tem disponível para a execução da obra.
  • Valor Agregado (VA): a análise é feita a partir do avanço físico da obra mensal e pela medição dos serviços da construtora. Os critérios de medição devem ser definidos no início do projeto para evitar distorções entre o que foi realizado e o que foi medido.
  • Custo Realizado (CR): é feito um levantamento dos custos com relação ao que foi executado. Nesse caso, considera-se também o que foi comprado e utilizado,
  • mas ainda não foi pago. 

Além disso, para fazer o GVA, é necessário ter bem estruturadas quatro tarefas estratégicas e fundamentais para o processo de forma geral. As quatro áreas envolvidas são:

  • Orçamento
  • Planejamento
  • Acompanhamento
  • Financeiro

Uma solução que permite a realização da gestão de todos esses elementos de forma centralizada é o uso de um bom ERP. A plataforma completa consegue conectar diferentes áreas do projeto e facilita muito na visualização final do gerenciamento de valor agregado que vai sendo desenhado.

Passo a passo do gerenciamento de valor agregado

Para facilitar o entendimento, o Sienge preparou um e-book especial com 5 passos práticos para fazer um gerenciamento de valor agregado de forma eficiente.

O material, produzido em parceria com a Prevision, detalha a elaboração do GVA nos seguintes passos:

  1. Monte um orçamento aderente à realidade da empresa
  2. Desenvolva um planejamento das atividades e como serão realizadas
  3. Controle a evolução da obra
  4. Levante todos os gastos
  5. Analise e cruze as informações 

Baixe agora o material para ver o passo a passo completo e entender tudo sobre o gerenciamento de valor agregado na construção civil e a conexão físico-financeira da obra. Até o próximo conteúdo!

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