Varejo de material de construção: como obter mais inovação tecnológica?

23 de novembro de 2017

Já estou aqui imaginando e acho que você irá concordar comigo, sobre a dificuldade de incluir inovação tecnológica em lojas de material de construção.

Como conseguiremos transformar um mercado com escassez de tecnologia, cultura antiga e mudar o mindset de quem as gerencia? É isso que vamos ver nesse artigo. Vamos lá!

Quando falamos de construção civil no Brasil, sabemos que o preço dos serviços e produtos que existem nesse nicho de mercado é extremamente alto. Estamos falando de produtos de material de construção e serviços relacionados.

Com relação a investimento, segundo o site Valor, em 2016 houve uma retração de cerca de 11,5% no faturamento das indústrias em território brasileiro. Pensando nesse sentido, nos últimos anos o efeito cascata de sobrevivência vem se mantendo.

Avaliando esse mercado com mais detalhes e realizando imersão em algumas lojas, por meio do Construtech Ventures, obtivemos algumas perspectivas interessantes.

Vamos à prática? Como realmente funciona esse mercado…

Durante o processo de imersão e entrevistas, conseguimos captar alguns pontos relevantes e característicos desse mercado. Uma das perguntas que mais ouvíamos dos proprietários  era…

“O importante não é o que a tecnologia vai me proporcionar de ganho e, sim, quanto eu irei gastar por isso? Independente da vantagem competitiva que eu terei”.

Além do mais, verificamos que tudo gira em torno da “crise econômica” do País. Pois  proprietários de lojas de material de construção, muitas vezes, veem a crise como um fator determinante para seu fracasso financeiro e a má gestão de seu comércio.

Assim, listamos para vocês os principais problemas encontrados nessas lojas atualmente, e o que realmente faz com que a tecnologia nem seja sugerida para amenizá-los!

Processo de contratação de funcionários

Esse é um dos principais gargalos que observamos. O processo é simples, o interessado se apresenta no interior da loja e entrega seu currículo.

Sim, é apenas isso! O perfil é composto, em sua maioria, por jovens de 17 a 25 anos, buscando o primeiro emprego. Essa oportunidade será utilizada por eles como um trampolim para a carreira.

Não existe controle de estoque

Uma loja onde não há controle de estoque, na teoria, está fadada ao insucesso. É exatamente isso que ocorre. O sistema atual de controle da loja (ERPs) serve apenas para registrar uma venda e imprimir uma NF.

O controle de estoque está na cabeça de apenas alguns, como o proprietário, gerente e/ou estoquista. O que ocorreria caso existisse um esquecimento ou uma troca de funcionários?

Má gestão dos atendimentos

Na verdade, a gestão existe em apenas alguns casos. Na maioria das lojas que observamos, verificamos que existe uma desqualificação de seus funcionários e gestores e a interação focada no cliente é baixa. Iremos falar sobre isso no próximo item.

A venda geralmente não é construtiva. Não se tem um diálogo com o cliente. Assim, não se sabe o que ele de fato deseja e o problema que ele quer resolver ao comprar um produto.

Profissionais desqualificados

A maioria das lojas não tem um plano de incentivo para seus funcionários. Fica a questão: como engajar esse público a buscar novos conhecimentos?

De fato, grande parte dessas lojas não possuem um plano de carreira para seus funcionários e/ou não possuem um plano de incentivo de educação. Eles, porém, são cobrados pelos resultados semanais ou mensais de vendas.

E principalmente…

Proprietários despreparados e “cansados”  

Geralmente essa persona tem como sua maior experiência o trabalho como funcionário em outras lojas. Para aumentar sua renda mensal, se arriscam como empresários, e sem experiência, começam a lutar com todos os problemas que citamos acima.

Como sabemos, esses problemas podem ser amenizados por meio de tecnologias e novos processos internos. Mas, como engajar um proprietário a realizar um maior investimento e transformar seu pensamento para o mundo atual?

Está aí a “cura” de todos os problemas?

Assim, apresentamos a vocês os principais problemas que ocorrem atualmente no dia a dia das lojas de material de construção e as dificuldades deste mercado.

Mas, atualmente, existem soluções que podem resolver esse problemas? Sim!

Principais soluções tecnológicas para o varejo em geral que podem ser adaptadas ao mercado da construção!

Nesse processo de análise mais detalhada de mercado, nos deparamos com algumas soluções voltadas para o varejo de modo geral. Vamos a algumas delas…

UPPoints

Essa solução utiliza câmeras e redes neurais artificiais que conseguem extrair informações dos consumidores no interior de uma loja. Mesmo atuando em outros mercados, os benefícios da UPPoints podem ser utilizados tranquilamente no mercado de material de construção.

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MeuAtendimento

Uma solução que iniciou suas funcionalidades em outros ramos do mercado, consegue realizar a gestão do varejo de forma simples e com ricas informações de gestão.

Inserindo, por meio de alguns cliques, informações do atendimento, o sistema gera insights valiosos para a gestão dos proprietários.

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Yonface

Assim como o UPPoints, a Yonface utiliza tecnologia de hardware e software para extrair o máximo de informações dos consumidores. As principais análises são: fluxo de pessoas, análise emocional e atratividade de produtos sem a identificação dos clientes, iniciando sua trajetória no mercado de varejo em geral.

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Loja4D

Uma solução um pouco mais estratégica, a Loja 4D utiliza algumas tecnologias em hardware e software para identificar algumas dificuldades da loja. Busca resolver problemas como produtos mal posicionados, corredores com menos e mais fluxos, entre outros. Também realiza um processo estrutural para adequação da loja, visando a atrair cada vez mais consumidores.

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GoFind

Já a GoFind.online é uma empresa que tem como principal objetivo auxiliar o consumidor a encontrar e/ou ter mais informações dos produtos de outros segmentos. Assim, mune a indústria com informações de seus consumidores. Iniciou seu produto visando à área de alimentos e hoje está em grande expansão para outros mercados.

Atualmente, no mercado não existe uma solução que possa auxiliar os consumidores de material de construção a ter total conhecimento sobre o produto que estão adquirindo, muito menos onde encontrá-los.

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Pensando nessa linha e em como funciona o varejo de material de construção, essas soluções implantadas podem trazer insights muito mais assertivos para a gestão e evolução dessas lojas.

Isso poderia ser facilitado e fortalecido devido ao fato de cerca de 80% de seus consumidores serem pessoas físicas, que na maioria das vezes, buscam uma compra rápida, assertiva e que resolva o seu problema.

O que queremos dizer é que existem cada vez mais soluções no mercado visando ajudar, desde pequenas a grandes empresas, a serem mais competitivas no mercado.

Em algumas conversas que tivemos com proprietários de lojas, eles aparentam ser mais passivos no mercado e muitos comentaram que o seu mau momento financeiro está relacionado à atual crise econômica do País.

Conclusão

Esse trabalho realizado fez com que conseguíssemos entender um pouco mais esse mercado de varejo de material de construção e, principalmente, quais as dificuldades desse setor.

Funcionários e principalmente proprietários demonstraram alguns problemas com seus comércios, como os citados acima. Buscam uma solução que fará com que eles aumentam suas receitas facilmente, sem capacitação ou buscas de novas tecnologias.

No Brasil, algumas startups estão entrando no mercado da construção civil. Ele carece muito de tecnologia e pode ser uma grande oportunidade, em breve.

Para o varejo do segmento, apresentamos algumas soluções que já observaram essa oportunidade e estão trazendo novos conceitos para alavancar e mudar um pouco esse cenário. Embora não sejam soluções para esse nicho específico, há adaptações que podem ser realizadas para adequá-las e gerar vantagem competitiva nesse mercado.

Por fim, devemos estar atentos ao mercado, conhecer cada vez mais os “players” envolvidos e aguardar o momento correto da “virada de chave”. E, sabendo que hoje existem cerca de 200 mil empresas nesse ramo entre produtos e serviços, que possamos olhar para o seu mercado de forma mais consciente, visando a um futuro mais assertivo.

Esperamos que tenham gostado de conhecer um pouco mais sobre o mercado de material de construção, suas dificuldades e, principalmente, as oportunidades que possam surgir.

Para podermos desenvolver esse artigo, foram entrevistados mais de 30 lojas de material de construção em Santa Catarina e cerca de 70 consumidores.

Deste modo, convidamos todos a curtir  e compartilhar o post.

Conheça também o Construtech Ventures e faça parte desse movimento para transformar a cadeia da indústria da construção no Brasil e se tornar referência no setor.

Obrigado e até o próximo post!

Rodrigo Pinter Pereira

  • Especialista em Engenharia de Software
  • Formado pela UNISUL com experiência em cinco anos na área da educação Especialista em Análise de Inteligência de Mercado
  • Consultor de software pela empresa Tech Mahindra
  • Venture Builder no Construtech Ventures
  • Responsável pela criação de quatro iniciativas voltadas para Construção Civil
  • Um dos responsáveis pela startup Vendo Meu Terreno
 

  • Sergio Queiroz

    Parabéns pelo artigo, Rodrigo.
    Particularmente, acredito no poder da automação aliada ao marketing analítico como forma de ajudar as vendas no varejo de material de construção.

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