Saiba o que a FERMA estabeleceu para a Norma de Gestão de Riscos

Rodrigo Campos

Rodrigo Campos

Head of product na Softplan responsável pelo portfólio Sienge. Atua há mais de 20 anos na construção de soluções de TI.

2 de Dezembro

Risco é um dos conceitos mais conhecidos no setor da construção civil. Sempre nos lembramos dele em aspectos como saúde e segurança, que são as principais ameaças em qualquer obra.

Mas há muito mais envolvido no assunto, a ponto de uma organização internacional ter sido criada para lidar com ele: a FERMA. Essa organização europeia tem ajudado a elevar a discussão em torno do tema risco, e isso pode afetar diretamente  a sua construtora ou incorporadora. Como?

Neste artigo, vou te mostrar o que é a FERMA e como as normas de gestão de riscos que ela promove podem ajudar sua empresa a crescer de forma consistente e segura.

O que é a FERMA?

FERMA é a Federation of European Risk Management Associations, ou Federação Européia de Associações de Gestão de Riscos. O objetivo da organização é bem claro pelo próprio nome: ajudar instituições a gerenciar riscos com maior eficácia.

E dá para perceber que a proposta é séria pelo seguinte:

A organização atua em conjunto com várias organizações de gestão de risco, com o objetivo de trabalhar em conjunto pelo desenvolvimento de normas mais inteligentes. Essa colaboração constante tem como alvo melhorar aspectos como:

  • terminologia usada na gestão de riscos;
  • processos para aplicação de iniciativas de gestão;
  • estrutura organizacional necessária para gerenciar os riscos com sucesso;
  • entre outros.

De forma geral, a criação de um padrão reconhecido de forma universal é sempre benéfico para ampliar o entendimento e aplicação do conhecimento sobre um tema. No caso da gestão de riscos, isso significa equipar as instituições para trabalhar com riscos mais controlados.

O que é a Norma de Gestão de Riscos?

A Norma de Gestão de Riscos desenvolvida pela FERMA é, como a própria organização gosta de definir, o resultado de um trabalho conjunto feito com diversos outros órgãos. Na prática, é uma norma padronizada feita em conjunto por várias agências de gestão de risco.

Algo interessante sobre essa norma é sua filosofia principal de que todo risco envolve 2 lados: um positivo, o lado que envolve o retorno potencial, e o negativo, que engloba os possíveis danos. 

FERMA

Isso vai contra o que muita gente normalmente analisa como risco, ao levar em conta só o lado negativo da situação e esquecer da contraparte, que é o possível benefício. Além disso, a norma é bem abrangente, como você vai ver a seguir.

Qual a abrangência da Norma de Gestão de Riscos?

Um ponto de destaque sobre a Norma de Gestão de Riscos da FERMA é que ela não traz uma lista de verificação ou um conjunto específico de regras a seguir. Como o assunto é amplo demais, a Norma se adaptou a isso por se flexibilizar e permitir o mesmo para quem segue suas diretrizes.

E isso é possível da seguinte forma:

Em vez de ser obrigados a seguir um conjunto estabelecido de regras e procedimentos, as instituições podem seguir uma espécie de estrutura de atuação. Dentro dessa estrutura, elas têm liberdade para agir com seus próprios métodos e técnicas a fim de chegar ao objetivo final.

FERMA 1

Outro fator interessante é que o risco existe de muitas formas. Por um lado é importante se preocupar com a saúde dos trabalhadores no canteiro de obras, mas não podemos ignorar fatores como:

  • risco de sequestro de dados: proteger dados  e informações estratégicas é de grande importância para o sucesso comercial e segurança jurídica; 
  • riscos ambientais: mesmo que os trabalhadores estejam seguros, é preciso se preocupar em como a obra vai afetar o meio ambiente;
  • custo de oportunidade: usar ferramentas manuais pode ser um grande risco pela menor eficiência de processos, o que significa um grande custo de oportunidade.

Por que a Norma de Gestão de Riscos é importante para você?

A pergunta que você talvez se faça é por que uma norma de risco de uma organização europeia poderia ser importante para você e sua empresa. E a resposta está no princípio por trás da atuação da FERMA. 

Não se trata de um órgão fiscalizador que vai vir para o Brasil ou algo do tipo, mas de uma entidade que enxerga o assunto com visão ampla e clareza. Aplicar os fundamentos da Norma de Gestão de Riscos na sua construtora ou incorporadora pode trazer grandes benefícios, como:

Sucesso comercial

A gestão de riscos aplicada a uma estratégia comercial tem um potencial enorme de impulsionar a geração de novos negócios e a manutenção de clientes e parceiros. Os riscos comerciais de tomar decisões ruins são enormes, o que impacta ativamente a capacidade da empresa de inovar e se destacar no mercado.

Por outro lado, quem não sabe avaliar os riscos direito e tomar decisões fundamentadas nisso perde oportunidades e enfrenta maiores dificuldades para se manter vivo no mercado.

Boa relação com órgãos fiscalizadores

Como já expliquei acima, a FERMA não é um órgão fiscalizador de empresas brasileiras, mas aplicar os fundamentos dela pode livrar você das mãos desses agentes. 

De certa forma, a gestão de riscos é como um jogo de xadrez:

Você precisa saber posicionar bem suas peças para aproveitar as brechas ao mesmo tempo em que reduz ao máximo a possibilidade de sofrer danos. E, se por um lado, as estratégias comerciais representam as brechas, lidar com a fiscalização se trata de prevenção e controle de danos. 

FERMA 2

Como funciona o processo de gestão de risco na prática

Como já dito acima, o processo de gestão de risco da FERMA segue uma estrutura básica, com 7 etapas. Dentro delas, cada organização tem a liberdade de modelar seus próprios critérios para trabalhar.

Essa estrutura é:

  1. Objetivos estratégicos da organização: o que a organização busca alcançar de forma geral ou com projetos específicos.
  2. Avaliação do risco: nessa etapa os responsáveis identificam, descrevem e dimensionam os riscos do projeto.
  3. Reporte do risco: o reporte inclui as ameaças e oportunidades, ou seja, os dois lados da gestão de risco.
  4. Decisão: diante da avaliação das ameaças e oportunidades, as decisões do que fazer e como fazer são tomadas.
  5. Tratamento do risco: o tratamento é a aplicação de medidas para reduzir ou evitar o risco, que pode ser financeiro, físico ou de outra forma.
  6. Reporte do risco residual: depois do tratamento um novo reporte, com os riscos atualizados, inclusive o que não pôde ser reduzido ou evitado. 
  7. Monitorização: por fim é preciso acompanhar e auditar as mudanças para garantir que os processos possam ser implementados novamente com o mesmo sucesso.

Depois de tudo isso o processo se repete. Afinal, a gestão de riscos não tem fim, sempre há novas oportunidades, ameaças e iniciativas para analisar e aplicar. Assim, quanto mais uma empresa aplica os princípios da Norma, mais fácil se torna replicar essa estrutura e alcançar bons resultados com consistência.

A FERMA é uma organização séria, que preza pela normatização da gestão de riscos de forma abrangente em empresas de todos os setores. 

Na construção civil essas normas fazem todo o sentido, tanto do ponto de vista da segurança física quanto jurídica e comercial. Por isso, vale a pena seguir as orientações da FERMA na construção de um negócio mais saudável e lucrativo.

Uma das melhores formas de gerenciar os riscos com sucesso é aplicar uma política forte de ética e Compliance. Veja como isso pode facilitar seus tratos com a fiscalização!