China aumenta domínio no mercado de construção do Brasil

16 de março de 2018

Que a China está a caminho de se tornar a maior potência econômica do mundo, como uma alternativa ao modelo americano, não é novidade. O gigante asiático vem expandindo seu poder e influência em ritmo acelerado.  

Você sabia que o interesse dos chineses pelo mercado da construção no Brasil é cada vez maior?

Agora que o governo de Pequim decidiu incluir a América Latina no programa de investimentos “One Belt, One Road” (“Um cinturão, uma estrada”), esse processo deverá se intensificar ainda mais.

Como exemplo, veja o que afirmou o grupo CCCC, um dos maiores conglomerados de construção do mundo, em nota enviada ao G1:

“O Brasil tem o enorme mercado de construção, o que significa mais oportunidades para as empresas chinesas. Para a CCCC, gostaríamos de participar da construção de infraestrutura, parques industriais, imóveis e outros projetos de investimento”.

China e seu plano de rotas comerciais

One Belt, One Road” (“Um cinturão, uma estrada”) é o novo plano de rotas comerciais chinês, lançado pelo presidente Xi Jinping em maio de 2017. A iniciativa pretende integrar quase 70 países orientais e ocidentais. O investimento total chega a U$ 900 bilhões.  

Além de escoar produtos fabricados na China, a rota servirá para financiar projetos de infraestrutura no mundo. Isso irá impulsionar a participação de empresas chinesas em licitações no Brasil.

Assim, abre-se a oportunidade para que construtoras nacionais desenvolvam parcerias de negócios com as empresas de engenharia chinesas.

Fundo chinês inclui construção civil

Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. No final do ano passado, o governo chinês e o grupo Huayang disponibilizam US$ 3 bilhões por meio de um novo fundo voltado a empreendimentos no Brasil ou a empresas nacionais interessadas em investir na China. Entre as atividades prioritárias, estão infraestrutura e construção civil.

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Fusões, parcerias e aquisições

No mercado externo, os investidores chineses investem principalmente, em fusões, parcerias e compra de empresas. Conforme estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), eles preferem adquirir ativos locais já consolidados do que investir em projeto novos.

No Brasil, algumas das empresas protagonistas dessas negociações são a CCCC, CRBC, CRCC, HNA, Merchants Port Holdings e State Grid.

Em 2017, a China investiu US$ 20,9 bilhões no Brasil. Foi o maior valor desde 2010. De acordo com o Ministério do Planejamento, o país asiático teve participação em 250 projetos no Brasil entre 2003 e 2017. Os negócios totalizaram US$ 123,9 bilhões. 93 projetos foram confirmados,  somando US$ 53,5 bilhões.

De acordo com o governo federal, a redução do preços dos ativos, causada pela recessão, ajudou a atrair os investidores.

Em 2017, grupos chineses já haviam adquirido, até meados de setembro, 12% das companhias vendidas no Brasil. Conforme a consultoria britânica Dealogic, os negócios somaram US$ 8,5 bilhões.

Pouco depois, o grupo chinês Spic venceu o leilão da usina de São Simão por R$ 7 bilhões. A empresa já tem parques eólicos no Nordeste desde 2007. Conforme declarou ao G1 a representante do grupo no Brasil, Adriana Waltrick, a intenção é adquirir também usinas hidrelétricas e eólicas.

Com isso, de janeiro a setembro de 2017, os investimentos realizados por chineses representaram 35% do valor gasto por estrangeiros em aquisições no Brasil.

China e a desindustrialização no Brasil

É verdade que a competição chinesa prejudicou de forma decisiva alguns aspectos da economia nacional, tendo parcela de responsabilidade no processo de desindustrialização que enfrenta o Brasil.

Ainda assim, um estudo lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e divulgado pelo jornal Valor Econômico aponta que o Brasil foi o país da região onde o comércio com a China teve o maior impacto positivo na geração de empregos

Intitulada “Os efeitos da China na qualidade e quantidade do emprego na América Latina e Caribe”, a pesquisa revela que, entre 1995 e 2011, considerando os empregos gerados e perdidos, houve um saldo positivo de 1,35 milhão de vagas geradas devido ao comércio do Brasil com a China. Ou seja, 4,83% dos total de empregos gerados no período.

Contudo, a pesquisa também evidencia que esses empregos estão associados a salários mais baixos.

Mandato vitalício

O passo mais recente para transformar a China em uma superpotência foi a aprovação, no dia 11 de março, de uma emenda constitucional que permite ao presidente Xi Jinping, do Partido Comunista, permanecer no cargo por tempo indefinido.

Com a possibilidade do cargo vitalício, Xi Jinping deterá o poder necessário para promover mudanças na fechada economia chinesa, entre as quais estão reformar estatais e abrir o mercado nacional para investimentos e empresas estrangeiras.

Yuan, a moeda chinesa

Conforme explicou a matéria do site Sputnik News, o yuan vem reforçando sua posição desde 2016, quando o Fundo Monetário Internacional o incorporou a sua cesta de moedas com direitos especiais de saque (DES), na qual ocupa o terceiro lugar em peso (10,92%).

Depois de sua inclusão às reservas de vários bancos centrais da Europa, a taxa de câmbio do yuan vem batendo recordes. Mas o que realmente deverá impulsionar a moeda é sua entrada em contratos futuros de petróleo no mercado internacional.

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 Conclusão

A ambição expansionista da China, associada ao ambiente que se criou no Brasil com a crise econômica e a Operação Lava Jato, facilitaram a entrada dos investidores chineses no País.

Além disso, como o governo não possui recursos para recuperar o déficit de infraestrutura, conta com a participação de empresas estrangeiras nas licitações de grandes projetos. Tanto que pretende apresentar projeto de lei para facilitar o ingresso de engenheiros estrangeiros no País.  

Por isso, é aconselhável que as empresas e os profissionais do setor de construção se preparem para negociar com os chineses. Conhecer modelos de contrato internacionais, assim como estudar mandarim – além do inglês -, tornaram-se, mais do que nunca, grandes vantagens competitivas.

 

 

Helena Dutra

  • Jornalista
 

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