Urbanismo: saiba como equilibrá-lo com arquitetura e construção

Martha Ramos

Jornalista, Especialista em Marketing
Redatora do Sienge

6 de junho

A rotina de uma obra e a pressa para a entrega, nem sempre possibilitam que o planejamento seja feito da maneira desejada ou mesmo que, o planejado seja executado ao pé da letra. Mas, como profissional da área, você deve saber que, quando o assunto é arquitetura e construção, a palavra-chave é equilíbrio.

Venha comigo e veja quais são os pontos importantes para se levar em conta em todos os processos da sua obra.

Para construir é necessário se levar em consideração o seguinte ponto, num primeiro momento: esse novo empreendimento vai interferir no espaço de uma cidade ou de um bairro que já é consolidado ou será necessário fazer o planejamento do entorno?

Estudo de Impacto de Vizinhança

arquitetura e construcao vizinhosAntes mesmo do início da obra deve-se fazer o Estudo de Impacto de Vizinhança. De acordo com o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), trata-se de um instrumento urbanístico previsto no Capítulo II – artigo 4º da Lei Federal nº 10.257/2001 – Estatuto da Cidade.

Esse levantamento é “caracterizado por um conjunto de estudos e informações técnicas e elaborado por profissional(s) ou empresa(s) habilitado(s) perante um Conselho Profissional, referentes à identificação, avaliação, prevenção, mitigação e compensação dos impactos na vizinhança de um empreendimento ou atividade. Permite analisar as diferenças entre as condições existentes antes e depois de sua implantação”.

A mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Márcia Regina Livramento, fez um estudo de caso em sua dissertação sobre apropriação de espaços públicos. Para ela, quando se pensa em fazer uma intervenção num espaço consolidado, é necessário estudar o entorno para saber o impacto que a sua obra terá.

“Deve-se medir tanto o impacto com relação à adequação daquele imóvel, as condições do entorno, quanto o interesse. Isso porque a procura das pessoas pelo local vai depender do que tem de infraestrutura nas proximidades. Ou seja, não se escolhe um lugar para morar por uma única construção, mas pelo entorno também”, explica Márcia.

Ela acrescenta que, outra situação é quando se faz um planejamento antes do bairro. Nesse caso o planejamento deve prever uma heterogeneidade no que se refere ao uso.

“Os novos urbanistas e os novos conceitos urbanísticos dizem o seguinte: que deve se fazer um espaço que tenha comércio, seja residencial, comercial, tenha boa infraestrutura, calçadas, ruas pavimentadas e possibilite o transporte alternativo, como por exemplo, as ciclovias” argumenta.

Arquitetura e construção

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A tendência quando o assunto é arquitetura e construção é, além de se pensar nos prédios, olhar também para o que pode se encontrar nas redondezas. Valorizar o fato de se ter residências, restaurantes, mercados, lojas variadas e escolas é um exemplo dessa nova linha de atuação. Enfim, é importante a existência de outros empreendimentos na região em que se pretende atrair uma série de famílias para residir.

Atualmente a questão da qualidade de vida e a filosofia de, quanto menos se deslocar, melhor, tanto do ponto de vista do dia a dia das pessoas, quanto da sustentabilidade em geral. Portanto, a questão aqui é fazer os moradores consumirem o que tem nas proximidades e estimular a convivência, os passeios a pé, as interações.

“Tem muita coisa interessante e que leva as pessoas para a rua, a caminhar, a se apropriar do espaço. É isso que devemos promover quando se constrói e, quando se faz um planejamento, se prevê tudo isso. Percebe-se, por exemplo, que é necessário fazer uma calçada boa para trazer as pessoas para a rua, para elas usarem aquele espaço, para ter segurança, inclusive, porque, o fato de trazer as pessoas para a rua, vai promover também a segurança do bairro”, ressalta Márcia.

Em sua visão, esse conjunto de fatores será responsável por trazer a qualidade de vida, sendo este, o maior objetivo.

Arquitetura e urbanismo

O urbanismo é o conjunto das construções, o planejamento da cidade. É o que explica a mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Márcia Regina Livramento.

Segundo ela, o urbanismo contempla o planejamento do todo. A grande vantagem do planejamento é que, com ele, se tem uma ampla visão para investir nas infraestruturas e, essa é a situação ideal.

Já a arquitetura é o planejamento da construção adequada ao usuário. Ou seja, a arquitetura se preocupa, por exemplo, com algumas especificações, como as necessidades particulares de cada família, de uma pessoa que vai morar sozinha, ou de alguém que pretende construir uma estrutura grande, como um shopping.

“O ideal é que arquitetos e engenheiros trabalhem em conjunto, pois os dois se complementam. Os dois, juntos, pensam melhor o urbanismo da obra”, analisa Márcia.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) reafirma a importância desse ideal de corroboração entre urbanistas e arquitetos, e defende que: “assim como o trabalho do arquiteto não pode estar dissociado da sociedade a quem seu projeto serve, o do urbanista não pode estar alheio ao tecido social da cidade. O conhecimento acumulado dos urbanistas reforça a necessidade, muitas vezes inalcançável, de construir a cidade ideal, e com ela, os projetos das cidades planejadas, cujas intervenções urbanísticas já estão prontas antes que elas existam”.

Caso de Brasília

O Plano Piloto de Brasília é citado pelo CAU/BR quando se fala em projeto urbanístico ambicioso no Brasil. O projeto desenvolvido por Lúcio Costa foi o vencedor, pois trazia um conceito inovador: a cidade horizontalizada. A proposta foi construir dois eixos que cruzavam, sendo um residencial, com base na ideia de superquadras, e outro em um monumental para obras públicas.

A paisagem de Brasília, portanto, é baseada em sua própria arquitetura, pois a natureza de sua topografia é um planalto de cerrado.

Nesse sentido, a especialista em Arquitetura e Urbanismo aproveita o caso de Brasília para mostrar que a cidade foi planejada segundo os valores da época (inaugurada no ano de 1960). “Naquele tempo não havia uma preocupação com o meio ambiente e a questão dos combustíveis fósseis. As cidades eram planejadas priorizando o tráfego de automóveis, com vias largas e muitas pistas”, exemplifica Márcia.

Ela ressalta que, atualmente, percebeu-se o problema que essas cidades estão enfrentando. Por isso o que se valoriza no planejamento é exatamente o contrário, ou seja, os bairros com usos heterogêneos. Isso promove justamente a circulação de pessoas a pé ou de bicicleta, enfim, transportes que não tenham impacto ambiental ao longo da vida.

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Conclusão

Vimos que o sucesso de qualquer construção depende de um trabalho integrado e que, quando o assunto é arquitetura e construção, é indispensável se pensar no urbanismo.

Olhar todo o âmbito que compreende um empreendimento, o que inclui o seu entorno, faz parte deste trabalho desempenhado por arquitetos, urbanistas, engenheiros e suas respectivas equipes.

Afinal, deve-se se ter em mente que, quando se constrói um empreendimento de grande porte, ele será o lar de diversas famílias. Por isso, o principal produto final a ser entregue é a qualidade de vida que elas terão neste local.