Índices da construção civil mostram sinais positivos do setor

Marcus Vinicius D. B. Castro

Marcus Vinicius D. B. Castro

Head de Produto no Sienge
Atua no desenvolvimento de soluções inteligentes visando otimizar os resultados dos projetos do mercado da Construção

20 de julho 2021

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Os índices da construção civil vêm sendo aguardados e observados com enorme atenção, muito mais do que o normal, desde o ano passado. Afinal, é um setor considerado essencial para a recuperação econômica e a geração de empregos em tempos de Covid-19.

Além do uso intensivo de mão-de-obra, os investimentos em construção repercutem numa longa e diversificada cadeia de geradores de produtos e serviços. Assim, impulsionam as contratações e dinamizam os negócios muito além dos canteiros de obras.

Um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), neste sentido, demonstra que cada real investido numa nova habitação representa, ao final, R$ 2,46 de investimento total por seus efeitos indiretos.

Veja outros dados bem interessantes do mesmo estudo, focado na área habitacional:

  • Encerrado o ciclo de edificações e entregue as chaves, a Construção Civil residencial é capaz de gerar mais 36% dos valores das moradias em termos de demanda para os diversos setores da economia, incluindo a própria Construção;
  • Em termos de geração de renda (PIB), esse adicional após a obra é da ordem de 16%;
  • Em termos de tributos mais 8%;
  • Para cada R$ 1 milhão em residências entregues, geram-se 3,31 empregos no pós-obra;
  • Portanto, cada real investido na produção de moradias gerará mais R$ 0,36 de gastos na fase seguinte;
  • Isso contribui para adicionar a cada real investido R$ 0,16 ao PIB da economia e R$ 0,08 em tributos;

Considerando-se a última década, o setor foi responsável, em média, por 5% do PIB total do País e 22% do PIB da indústria. Também respondeu por 50% dos investimentos nos últimos dez anos.

Índices da construção civil: número de empregos já superam a pré-pandemia

Quando se pensa em recuperação da economia, portanto, não há como deixar de atribuir importância máxima ao desempenho das construtoras. Por isso, vamos olhar com lupa os últimos índices da construção civil, divulgados mais recentemente.

Você vai ver que ainda há dados preocupantes, mas também há boas razões para otimismo, com sinais positivos do setor. Vamos começar por uma boa notícia, então.

De acordo com as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de trabalhadores com carteira assinada na Construção Civil, em maio/21, era 2,430 milhões.

Isto significa que o setor já ultrapassou o número de empregos observados no período pré-pandemia (janeiro/20).

Ao final apresentaremos mais informações sobre esse dado tão fundamental que é a empregabilidade da construção civil. Agora, vamos atualizar outros indicadores igualmente importantes.

Preocupação com  os custos continua

Você viu que as vagas de emprego aumentaram, no entanto permanece uma grande preocupação com a elevação dos custos da construção.

Senão, vejamos:

O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou aumento de 2,3% em junho deste ano. A taxa foi superior ao 1,8% do mês anterior.

Com o resultado, o INCC-M acumula uma inflação de 9,38% no ano e de 16,88% em 12 meses. Numa comparação com o ano passado, em junho de 2020, o INCC-M havia apurado taxas de inflação de 0,32% no mês e de 4,01% em 12 meses.

Esta inflação de 2,3% de junho, segundo a FGV, foi influenciada pelas altas de preços de 2,98% da mão de obra, de 1,75% dos materiais e equipamentos e de 1,19% dos serviços.

Um outro indicador da FGV, contudo, o INCC-10 mostra uma tendência de desaceleração dos aumentos a partir de julho.

Quer saber a diferença desses dois índices?

Ela diz respeito ao período de coleta dos dados, enquanto o INCC-M faz o levantamento do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte,  o INCC-10 apura os preços do dia 11 ao dia 10 do mês posterior.

Neste último, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) passou de um avanço de 2,81% em junho para uma elevação menor neste mês, de 1,37%.

A diminuição no custo da mão de obra e dos materiais de construção desacelerou a inflação do setor.

O índice da construção civil que representa o custo de Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de um aumento de 2,27% em junho para uma alta de 1,30% em julho.

Os gastos com Materiais e Equipamentos tiveram alta de 1,43% em julho, enquanto os custos dos Serviços tiveram elevação de 0,70% no mês.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra passou de 3,37% em junho para uma elevação de 1,45% neste mês.

CUB de SP aumentou 3% em junho

Se tomarmos como exemplo São Paulo, no entanto, o Custo Unitário Básico (CUB) global da indústria da construção do Estado registrou variação positiva de 3% em junho de 2021.

O índice já acumula alta de 11,03% no ano.


Imagem: Pxfuel

O resultado da variação na comparação em 12 meses é de um aumento de 17,44%, apontam o Sinduscon-SP e a FGV. O CUB reflete a variação dos custos das construtoras, utilizado na atualização financeira dos contratos de obras.

No mês passado, a variação dos custos com materiais de construção foi positiva em +2,52% no período na comparação com maio, acumulando variação expressiva de +35,25% em 12 meses e de +19,09% em 2021.

A variação dos custos médios das construtoras em junho com administrativo (salário dos engenheiros) foi positiva em +2,68% e com mão de obra aumentou +3,37%. Enquanto isso, as variações em 12 meses foram respectivamente de +5,62% e +7,52%.

“O expressivo aumento do CUB no mês deve-se não somente ao custo dos insumos, que voltou a se elevar, como ao reajuste anual dos salários dos trabalhadores que seguiu a variação do INPC”, disse Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.

“Embora continue a preocupação com a inflação dos materiais, os aumentos da mão de obra devem ter menor impacto nos próximos meses.”

O CUB representativo da construção paulista (R8-N) ficou em R$ 1.708,12 por metro quadrado em junho de 2021.

Dólar é uma das causas da alta dos preços

Todo este aumento de custos está funcionando como um freio para as obras e preocupa demais empreendedores e autoridades da área.

Em artigo no Estadão, o especialista Carlos Perguski aponta que a alta nos preços da construção civil teve uma série de causas e a alta do dólar é uma delas.

Segundo ele, apesar do Brasil exportar minério de ferro e ligas metálicas, a desvalorização do real em cerca de 40%, em um ano fez a compra doméstica dessa commodity ser mais cara.

Além disso, qualquer item importado tem o preço impulsionado.

“O crescimento dos preços na construção civil também vem pelo custo de interrupções na produção por conta da Covid-19 e pelo desencontro entre oferta e demanda em meio à pandemia”, acrescentou.

Índice de Confiança também subiu

Mas, veja só, o empresariado já mostra sinais de otimismo e disposição de empreender nos próximos meses.

Isto se expressa no Índice de Confiança da Construção da FGV que subiu 5,2 pontos de maio para junho e chegou a 92,4 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos.

Esta foi a segunda alta consecutiva do indicador e é o maior patamar desde janeiro deste ano (92,5 pontos), aponta a Agência Brasil.

Qualquer resultado acima de 100 pontos indica confiança.

Situação atual e expectativas

Já o Índice de Situação Atual, que mede a confiança dos empresários da construção no presente, subiu 4 pontos e chegou a 89,5 pontos, maior nível desde fevereiro deste ano (90 pontos).


Imagem: Pixabay

E o Índice de Expectativas, que mede a confiança deles no futuro, cresceu 6,4 pontos e atingiu 95,4 pontos, maior nível desde de dezembro de 2020 (95,5 pontos).

Ao mesmo tempo, segundo a FGV, o Nível de Utilização da Capacidade da Construção subiu 3 pontos percentuais, para 77,4%.

Índices da construção civil: Crédito imobiliário cresceu 4,6% em maio

Outra boa notícia dos últimos meses foi que os financiamentos imobiliários com recursos das Cadernetas de Poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 17,47 bilhões em maio de 2021.

Este foi o maior volume nominal mensal registrado em um mês de maio na série histórica iniciada em 1994, segundo a Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

O valor total superou em 4,6% o registrado em abril e, comparado a maio do ano passado (R$ 7,13 bilhões), foi 144,9% maior!

Numa comparação de 12 meses, entre junho de 2020 e maio de 2021, os financiamentos somaram R$ 167,28 bilhões, uma alta de 96,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Unidades financiadas

No mês de maio, nas modalidades de aquisição e construção, foram financiados 73,2 mil imóveis, número 4,3% maior que o de abril. Comparado a maio de 2020, a alta foi de 194,6%.

Em 12 meses, até maio de 2021, foram financiados 630,98 mil imóveis, resultado 98% superior ao do período anterior, com 318,61 mil unidades.

Emprego cresceu em maio

Agora vamos detalhar melhor para você a situação dos empregos, que é sempre uma referência fundamental em qualquer levantamento de situação.

A indústria da construção abriu 22.611 empregos em maio, aumento de 0,94% na comparação com abril. Antes, tinham sido 21 mil contratados em abril, 24 mil em março, 44 mil em fevereiro e o mesmo número em janeiro.

Isto é, o setor retomou ligeiramente o ritmo de crescimento do emprego depois de ter desacelerado por alguns meses.

No ano, a construção já criou 156.693 postos de trabalho com carteira assinada, acréscimo de 6,89% na comparação com dezembro.

Todos esses dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados em 1º de julho pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

De junho de 2020 a maio de 2021, a construção abriu 317.159 novos empregos, um aumento de 15,01%.

Foi o quarto setor que gerou o maior número de postos de trabalho formais nestes 12 meses, atrás de serviços (566.306), da indústria (641.729 vagas) e do comércio (654.196), e na frente da agropecuária (153.631).

Veja o que diz a respeito o presidente do SindusCon-SP:

“A construção segue contratando, mas preocupa que o projeto de lei do governo de alterações no Imposto de Renda venha a prejudicar os investimentos no setor. É o que pode acontecer se prevalecer a proposta de tributação dos dividendos dos fundos imobiliários e dos dividendos entre empresas sócias de SPEs (Sociedades de Propósito Específico) que lançam os empreendimentos imobiliários.”

Mais informações sobre as contratações:

  • Ao final de maio, a construção empregava 2.430.363 trabalhadores com carteira assinada no País.
  • O saldo entre admissões e demissões entre todos os setores dessa atividade econômica no País resultou na abertura de 120 mil empregos em maio.
  • Das vagas abertas pela construção em maio, 2.546 registraram-se no Estado de São Paulo.
  • Além de São Paulo, os Estados que mais empregos abriram no setor no mês foram Minas Gerais (4.943), Pará (3.041), Goiás (1.874), Paraná (1.648), Santa Catarina (1.358) e Mato Grosso (1.127).

Controle da Covid-19 nos canteiros

Por fim, é interessante você ver os resultados da última pesquisa sobre o andamento das obras e os procedimentos nos canteiros para proteção dos trabalhadores contra a Covid-19.

A pesquisa é realizada semanalmente pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e foi divulgada dia 16 de maio. O estudo com as 40  maiores incorporadoras do País mostrou que não há obra parada devido à Covid.

Estão em atividade nos canteiros 81 mil funcionários ativos e o número de recuperados corresponde a 9.279 ou 11,3% do total. Os casos suspeitos ativos são 209 (0,3%) e os infectados ativos 113 (0,01%).

Além disso, há dois casos somente de internações hospitalares e foi registrado um óbito nesta semana, somando 27 óbitos no total até agora (0,03%).

Cuidados das empresas

O levantamento constatou ainda que 100% destas empresas estão adotando medidas para proteger seus funcionários e também 100% não permitem a entrada de funcionários com sintomas ou de grupo de risco.

Da mesma forma, 100% reforçaram os procedimentos de higiene, adotaram horários escalonados de vestuário e almoço, e 100% já fornecem máscaras para transporte e máscaras extras nas obras.

Por último, 42% liberam todos seus funcionários com 60 anos ou mais para Home Office e 18% estão com esquema especial de transporte onde não há transporte público ou onde ele não é eficiente.

Então, com este apanhado geral dos principais índices da construção civil espero que você se sinta bem informado sobre a situação da construção civil e mais animado para o que está por vir. Agora, se for possível, deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.

Muito obrigado pela leitura e até o próximo artigo!

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