Confira como fazer um relatório de saúde financeira de sua construtora

3 de junho de 2019

Todo bom gestor da construção civil deve saber com  precisão, a qualquer momento, qual a real situação da sua empresa do ponto de vista das finanças. Para isso, nada melhor que contar com um relatório de saúde financeira periódico da construtora.

Pode ser mensal, bimensal ou, no máximo, trimestral. Mas é fundamental que esse diagnóstico seja extremamente preciso e confiável, uma radiografia muito nítida da organização.

Deve ser mais ou menos como um check-up de saúde de uma pessoa. Você sabe como é, são conferidos vários indicadores, com vários exames. Eles oferecem dados como frequência cardíaca, temperatura, pressão sanguínea e outras informações do estado geral do paciente.

Com base nisso, o médico oferece um diagnóstico, apontando se está tudo bem ou se foi constatada uma ou outra doença. O paciente fica sabendo se é preciso cuidado especial com algum fator de risco, alguma providência, medicamento ou mudança de hábito.

Decisões estratégicas com segurança

Da mesma forma, na avaliação das finanças de uma empresa devem ser escolhidos elementos que ofereçam dados confiáveis para avaliar sua condição atual. Isso muda de uma organização para outra, mas há indicadores que são comuns a praticamente todos os negócios.

relatorio de saude financeira grafico

Com base neles, constitui-se o relatório de saúde financeira da empresa. Ele é vital para o gestor saber se está tudo bem com a organização, se alguma medida corretiva ou de emergência precisa ser tomada.

Mais que isso, o relatório precisa apresentar o cenário exato da organização para que os empreendedores possam tomar decisões estratégicas com absoluta segurança. Somente com esses elementos é possível definir novos investimentos, o reposicionamento no mercado, ou mesmo, cortes de custos.

Pois bem, você deve estar perguntando, como fazer esse relatório de saúde financeira da minha construtora? Eu vou explicar para você, não é tão difícil como parece, mas é preciso planejamento, disciplina e as ferramentas adequadas.

Periodicidade

Você deve começar por decidir a  periodicidade do relatório, levando em conta, por exemplo, o tamanho, nível de organização, volume e intensidade dos seus negócios. Quanto maior e mais complexa a construtora, com vários empreendimentos paralelos, mais frequentes devem ser os relatórios.

Essa é a maneira mais eficaz de detectar qualquer ponto fora da curva e fazer as correções de imediato, antes que situações com potencial crítico se agravem. Resumindo: o ideal é que o relatório seja mensal, pelo menos, nos casos das empresas maiores.

O segundo  passo é determinar quais são os elementos que vão compor o seu relatório de saúde financeira. Na verdade, ele vai ser integrado por relatórios menores, de áreas específicas, que juntos vão oferecer o quadro geral das suas finanças.

Indicadores mais importantes

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Agora você vai conhecer os indicadores mais importantes deste relatório. Não esqueça de nenhum deles e preste atenção em TODOS na sua análise.

1- Balanço patrimonial

Apresenta os ativos (bens e direitos), os passivos (exigibilidades e obrigações) e o Patrimônio Líquido, que é o resultado da diferença entre o total de ativos e o total de passivos da construtora. O Patrimônio Líquido representa  a liquidez da empresa e o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas.

Ou seja:

Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo

2- Fluxo de caixa

É o indicador mais conhecido de todos, refere-se ao fluxo do dinheiro no caixa da empresa. Isto é, o montante de recursos recebidos e gastos por uma empresa durante um período de tempo definido. Pode ser monitorado diariamente, inclusive.

Não há maiores dificuldades na sua elaboração para as empresas que possuem os controles financeiros bem organizados. Deve ser utilizado para controle e, principalmente, como instrumento na tomada de decisões.

No entanto, o fluxo de caixa mal feito traz vários problemas, como o vencimento de pagamentos quando o caixa da empresa está desfalcado. Quando isso ocorre, a gestão se vê obrigada a contrair empréstimos e pagar juros para não ficar em débito com fornecedores.

Atenção: o descontrole no fluxo de caixa é apontado como um dos maiores vilões das finanças e uma das principais causas da falência de empresas. Você tem certeza de que está fazendo corretamente esse controle? Que tal conferir esse item na sua construtora?

3- Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)

A DRE é fundamental porque oferece uma síntese financeira muito ampla dos resultados operacionais e não operacionais das empresas em certo período.  Ela evidencia a formação do resultado líquido.

Apresenta alterações num período que aparecem no confronto das receitas, custos e resultados, que são apurados segundo o Regime de Competência.

Explicando melhor: no Regime de Competência o registro dos eventos (vendas, custos, despesas, etc) acontece na data em que aconteceram. Isto é, a contabilidade faz a sua anotação na data do fato gerador, não importando quando é pago ou recebido.

Para entender a diferença, no Regime de Caixa é o contrário, os documentos são registrados apenas na sua data de pagamento ou recebimento, efetivamente.

Atenção:

Existe uma legislação que regula a DRE e indica quais informações ela deve conter, obrigatoriamente, para se apurar o lucro da empresa no período. São várias, entre elas:

  • as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda;
  • os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.
  • também inclui o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Clique aqui para saber mais sobre esse elemento tão fundamental no controle financeiro das empresas.

4- Orçamento

O orçamento representa a base sobre o dinheiro que a empresa tem, objetivos e gastos possíveis para alcançá-los. Uma dica para calcular essa previsão de gastos é calcular vendas, rendimentos e outros custos dos últimos meses. Desta forma, poderá planejar o melhor valor para investir e obter maiores lucros no futuro.

5- Retorno sobre investimentos (ROI)

Outro indicador importante é o Retorno sobre investimento (ROI), que significa a relação entre o lucro líquido e o custo do investimento resultante da aplicação de recursos. Como medida de desempenho, o ROI, é usado para avaliar a eficiência de um investimento ou para comparar a eficiência de vários investimentos diferentes.

Como se calcula? Através da divisão do lucro líquido pelo total de ativos do balanço. O resultado vai mostrar se a empresa está sendo viável ou está à perigo, mas precisa ser calculado sobre números absolutamente confiáveis.

Um alto ROI significa que o investimento está tendo retorno favorável em relação ao seu custo.

Guia da Contabilidade

Agora, antes de prosseguirmos, vou apresentar uma ótima sugestão para você, o nosso Guia da Contabilidade na Construção Civil. Ele traz um roteiro muito detalhado da contabilidade do setor e explica como as empresas podem otimizar seus processos e tirar vantagem dela.

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Ferramenta de gestão 

“Uma das grandes dicas para facilitar esse processo e evitar erros é adotar uma ferramenta de gestão empresarial. Ela permitiria, por exemplo, o acompanhamento de dados em tempo real, a criação de relatórios unificados e a emissão de notas fiscais de forma automatizada”,  afirma o especialista no tema, Gabriel Marquez, graduado em Sistemas de Informação e pós-graduado em Planejamento Tributário.

Segundo ele, essa é uma forma de assegurar que nada esteja passando despercebido. Além disso, também ajuda para que o gestor possa ser analítico na criação e no acompanhamento de seu relatório.

Nesse sentido, a escolha de um Enterprise Resource Planning (ERP) ou Sistema Integrado de Gestão Empresarial pode ser a alternativa que sua empresa precisa para ter um salto de qualidade nessa área.

Um ERP como o Sienge Platform, por exemplo, centraliza todas as informações da organização e conecta todas as suas áreas, em tempo real. E ainda, como é uma plataforma, permite a conexão no sistema de outros softwares, como o MS Project, sem nenhuma dificuldade.

Módulo Financeiro

O módulo Financeiro do Sienge, por exemplo, está preparado para gerenciar todas as atividades financeiras necessárias às empresas de construção.

As informações dos demais, como Engenharia, Suprimentos entre outros, são refletidas automaticamente no módulo Financeiro. Assim, o software garante que não haverá falha de comunicação entre os setores, o que aumenta significativamente a produtividade e reduz a quantidade de erros, controlando de forma confiável toda a empresa.

Outras dicas

Mas não vamos ficar apenas nisso. Você pode seguir outras dicas, sugeridas por Gabriel Marquez, para fazer um ótimo relatório da saúde financeira da sua empresa.

Veja quais dessas sugestões você já pode integrar nas suas rotinas:

1- Agrupe todas as informações e os dados contábeis e financeiros em um mesmo lugar;

2- Mantenha as informações atualizadas e os funcionários responsáveis cientes dos processos;

3- Acrescente sempre dados relevantes para a realidade da sua empresa, mas dispense os muito complexos e desnecessários;

4- Garanta que a empresa tenha todas as notas emitidas sobre serviços e guardadas pelo período de 5 anos;

5- Se possível, adote ferramentas que automatizam processos financeiros.

Analisar resultados

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De nada adianta você produzir relatórios e mais relatórios na sua empresa, se não usá-los de forma inteligente e continuar tomando decisões intuitivas, sem bases sólidas. É preciso dedicar um tempo e ter ajuda técnica para isso, a fim de analisar com lupa os seus resultados.

Basicamente, podemos conceituar que uma empresa saudável é a que tem mais receitas do que custos e despesas, diz Gabriel Marquez.

“Na análise é preciso cuidar também dos conceitos de competência e caixa. Principalmente em uma construtora que deve ter um descasamento de caixa, pois recebe depois que a obra já começou e precisa comprar materiais e contratar pessoas antes do início do contrato”, acrescenta.

Conclusões confiáveis e úteis

Nas despesas é importante analisar sempre a relação entre as fixas e as variáveis. As despesas fixas costumam ser as maiores vilãs das finanças pois, com receita entrando, ou sem receita, elas estarão sempre lá, aguardando o pagamento.

Em resumo, a saúde financeira da sua empresa não pode ser avaliada apenas pelo saldo bancário, há outras variáveis fundamentais a serem observadas.

Tenha como prioridade, em qualquer análise, uma base muito sólida de dados, ou seja, tenha sempre disponíveis todos os lançamentos financeiros. Só assim se pode realmente analisar a saúde financeira e tirar conclusões confiáveis e úteis para a empresa.

Espero que nosso conteúdo seja útil para você aprimorar suas análises e garantir a saúde financeira da sua empresa. Deixe seu comentário, queremos saber sua opinião! Compartilhe esse conteúdo com seus sócios, amigos e colaboradores.

Obrigado pela leitura e até o próximo artigo.

Martha Ramos

  • Jornalista, Especialista em Marketing
  • Redatora do Sienge
 

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