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Projetos devem prever os tipos de impermeabilização das obras

28 de maio de 2018

Certamente, você já sabe que as infiltrações e vazamentos podem ser um grande problema para as edificações. Afinal, estão todas submetidas às chuvas, ventos, variações de temperatura, pressões físicas e mecânicas.

Tudo isso pode comprometer a resistência dos materiais à ação da água e da umidade. Grandes danos, prejuízos e transtornos podem acontecer sem o devido isolamento contra a água e a umidade.

impermeabilização

Créditos: AEIRJ/Divulgação

“A água infiltrada nas superfícies e nas estruturas afeta o concreto, sua armadura, as alvenarias. O ambiente fica insalubre devido à umidade, fungos e mofo, diminuindo a vida útil da edificação” alerta a arquiteta, consultora e projetista de impermeabilização, Elka Porciúncula, do Recife.

Mas, contra esses riscos, existe a impermeabilização. A seguir, eu vou mostrar a você os principais tipos dessa técnica e orientações que são muito importantes.

Veja aí.

impermeabilização

Impermeabilização de laje (Foto: AEIRJ/Divulgação)

Produtos específicos para cada caso

Por definição, impermeabilizar consiste em isolar e proteger os materiais de uma construção à passagem indesejável de líquidos e vapores.  

Neste trabalho, são aplicados produtos específicos para cada caso, com o objetivo de proteger as diversas áreas de um imóvel à ação desses agentes.

A indicação do sistema a ser usado depende de cada tipo de estrutura sobre a qual se queira impermeabilizar.  

Sendo assim, a definição dos materiais leva em consideração se a estrutura está sujeita ou não à movimentação.  

Por exemplo, as lajes de grande superfície expostas ao sol e intenso resfriamento à noite apresentam grande movimentação. Durante o dia, acontecem movimentos de dilatação e à noite movimentos de retração, que podem provocar fissuras e rachaduras.  

Estruturas assim exigem, para efeito de impermeabilização, produtos com características flexíveis.  

Onde devemos impermeabilizar  

  • Telhados e coberturas planas;  
  • Lajes, terraços, sacadas e áreas expostas à chuva;
  • Calhas de escoamento de águas pluviais;  
  • Caixas d’água, piscinas e tubulações industriais;  
  • Pisos molhados, tais como banheiros, cozinhas e áreas de serviço;  
  • Paredes onde a água escorre e recebem chuva de vento;  
  • Paredes e pisos em contato com o solo;
  • Poços de elevador;
  • Jardineiras;
  • Esquadrias e peitorais de janelas;  
  • Soleiras de portas que abrem para fora;  
  • Água contida no terreno, que sobre por capilaridade ou infiltra-se em solos abaixo do nível freático, entre outros;  
  • Saunas (vapor d’água);
  • Chegou a hora de mostrar a você os tipos básicos de impermeabilização.

Impermeabilização rígida e flexível

Quanto aos materiais utilizados, as impermeabilizações podem ser classificadas em rígidas ou flexíveis.

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Impermeabilização flexível (Foto: RBL Engenharia/Divulgação)

Para impermeabilizar estruturas que não estão expostas a mudanças de temperatura, é utilizada a impermeabilização rígida.  Nessa impermeabilização, aplica-se produtos que utilizam cimento, pois oferecem maior proteção em uma camada espessa.

Já a impermeabilização flexível é aquela formada por materiais como polímeros e asfalto. Pode ser utilizada nas áreas vulneráveis a trincas e fissuras, nos lugares expostos à chuva, umidade e mudanças de temperatura.

Nesse tipo de impermeabilização são utilizadas as membranas, que podem ser moldadas na hora, e materiais como a manta asfáltica, que é pré-fabricada.

Locais onde elas são aplicadas

Impermeabilização rígida:

  • Áreas com carga estrutural estabilizada, como poço de elevador e reservatório inferior de água;  
  • Locais de condições de temperatura constantes, como subsolos, galerias e piscinas enterradas.

Impermeabilização flexível:

  • Reservatórios e água superior;
  • Varandas, terraços e coberturas;
  • Lajes maciças, mistas ou pré-moldadas;
  • Piscinas suspensas e espelhos d’água;
  • Calhas de grandes dimensões;
  • Galerias de trens;
  • Pisos frios (banheiros, cozinhas, áreas de serviço.

Impermeabilização de banheiro (Foto: RBL Engenharia/Divulgação)

Vou reforçar essa dado: para cada local e destinação, são desenvolvidas técnicas e aplicados materiais específicos, que precisam ser muito bem escolhidos.  

Por isso, são mais de 30 tipos de impermeabilização que podem ser usados.  O mais importante é saber que uma correta impermeabilização pode prolongar a vida útil de uma obra em até 100 anos. Sem impermeabilização, a mesma obra pode durar no máximo 30 anos.  

As fases da impermeabilização

Porém, impermeabilizar não é só aplicar produtos químicos. O objetivo é obter 100% de estanqueidade. Para isso, devem ser observadas as seguintes fases:  

  • Projeto de Impermeabilização;  
  • Materiais Impermeabilizantes;  
  • Mão de obra de aplicação;  
  • Qualidade da construção;  
  • Fiscalização;  
  • Orientação aos usuários na Composição do Projeto;  
  • Memorial descritivo;  
  • Plantas com detalhes específicos;  
  • Especificação e localização dos materiais a serem utilizados;  
  • Definição dos serviços a serem realizados;  
  • Planilha quantitativa de serviços e materiais aplicados;  
  • Estimativa de custos dos serviços descritos.  

Você deve estar querendo saber, afinal, quanto custa isso.

Pois, você vai gostar de saber.

A impermeabilização é o menor custo de uma obra!

Conforme consultas que eu fiz no mercado, o valor nominal é difícil de estimar, pois varia muito. No entanto, é possível fazer estimativas sobre o custo total de um empreendimento.

“O valor destinado à impermeabilização representa a menor porcentagem do valor total da obra”, diz o site da Associação das Empresas de Impermeabilização do Rio de Janeiro.  

“Apesar de sua importância, a impermeabilização é deixada de lado em muitas obras. Os principais motivos da não adoção do processo são a desinformação e a ideia de que assim, é possível conter gastos”, completa.

1,5% a 2% do valor total, apenas!

O engenheiro Rafael Lonzetti é diretor-técnico de uma empresa especializada em impermeabilização no Rio Grande do Sul.  Segundo ele, hoje isso representa 1,5 a 2% do valor de uma obra, apenas.  

No entanto, se for mal feita e o empreendedor tiver que refazer o procedimento, esse custo pode dobrar e subir para 4% do total investido.

A estimativa da AEIRJ é parecida: o valor, conforme a associação, representa 3% do valor total, ou seja, o menor custo de toda a obra.

Veja o gráfico:

Fonte: AEIRJ/Divulgação

“Se for executada apenas depois de serem constatados problemas com infiltrações em construções já finalizadas, a impermeabilização ultrapassa o percentual citado”, alerta a associação.  

“Pode chegar a até 25% do custo total da obra, pois os revestimentos, que estão entre os itens mais caros da obra, precisarão ser removidos e depois repostos.”

Norma de Desempenho de Edifícios Habitacionais

Alguns conselhos que o engenheiro Rafael Lonzetti considera fundamentais:

  • No caso de condomínios ou contratação por pessoa física, buscar empresas com registro no CREA e engenheiro responsável.
  • Contratar empresa que tenha acervo técnico, com obras realizadas que atendam à necessidade do serviço que está sendo contratado.

Vou lhe falar um pouco mais sobre essa norma:

Em vigor desde 2013, depois de muitos anos de discussão, ela estabelece critérios para a construção civil.  

  • O documento aborda seis sistemas, que tratam de requisitos gerais, estrutura, pisos, vedações verticais, cobertura e sistemas hidráulicos.  
  • Também estabelece exigências de conforto térmico e acústico, proteção ao fogo, estanqueidade e ciclo de vida da edificação.  
  • A estanqueidade refere-se, justamente, à questão da infiltração de água.

Portanto, é fundamental você conhecer esse documento ao tratar da impermeabilização de um prédio.  

E agora, um bônus para você:

Temos aqui, como sugestão, um Guia de Normas Regulamentadoras para você baixar gratuitamente do nosso site.

Vamos adiante. Chegamos a outro aspecto importantíssimo:

Impermeabilização deve ser compatível com demais projetos da obra

A AEIRJ recomenda expressamente que “o projeto de impermeabilização deve ser desenvolvido em conjunto e compatibilizado com os demais projetos da obra. Isso vai garantir que sejam usados produtos adequados para cada finalidade”.

Em obras comerciais, industriais ou residenciais, a impermeabilização deve ter um projeto específico, ressalta a arquiteta Elka Porciúncula. Ele deve detalhar os produtos e a forma de execução das técnicas de aplicação para cada caso.  

Tem outra questão que precisa ser lembrada: numa época de grande preocupação com o meio ambiente, a sustentabilidade é um aspecto fundamental.  

Sustentabilidade e Impermeabilização

impermeabilização

Foto: AEIRJ/Divulgação

A AEIRJ destaca que esse processo pode ser sustentável. Podem ser usados produtos que contemplem esse conceito tanto na sua fabricação como na forma de aplicação.  

Além disso, a sustentabilidade quanto à impermeabilização pode ser pensada sob diversos aspectos:

  • Impactos ambientais decorrentes da aplicação do produto – e também de seu descarte depois de expirada sua vida útil
  • Agressão que o produto pode oferecer ao meio ambiente e ao instalador, no momento em que for utilizado
  • Resultados esperados com relação à estanqueidade e conforto proporcionado por uma impermeabilização adequada

Entretanto, nas atividades relacionadas com a impermeabilização, ainda não existem normas que definam um produto como sustentável ou não sustentável. 

Mas a associação defende que itens básicos da sustentabilidade sejam observados nesse contexto. Por exemplo: em relação aos impactos ambientais dos produtos, eles devem ser considerados não somente no momento de sua aplicação, como também após os trabalhos realizados.

Este é uma aspecto que todas as empresas construtoras devem estar atentas pois é cada vez mais observado pelos contratantes.

Problemas do serviço mal feito

Enfim, uma das causas mais comuns de vazamentos e infiltrações nas edificações é a falta de um bom projeto de impermeabilização.  

Isso deve ser pensado detalhadamente, como tudo na construção civil. As especificações precisam ser corretas tanto em relação aos termos técnicos quanto às normas existentes.  

O serviço mal feito podem ocasionar, entre outros, os seguintes problemas:  

  • Retrabalhos de instalações hidráulicas;  
  • Enchimentos desnecessários;  
  • Mudança no dimensionamento final dos acabamentos;  
  • Manutenções e reparos futuros na própria impermeabilização, diminuindo sua vida útil.

Por outro lado, com uma boa impermeabilização são evitados todos os problemas decorrentes da degradação e corrosão precoce das estruturas.  

Há uma redução de queixas de infiltrações, vazamentos e outros contratempos relacionados. Valoriza os imóvei, os contratantes ficam satisfeitos, a empresa contratada ganha credibilidade e todos têm o retorno esperado, ao final.

Ou seja, a construção civil tem tudo a ganhar com bons projetos de impermeabilização.  

Então, espero que essas informações tenham sido úteis para você. Se gostou, deixe seu comentário e repasse para seus amigos.  

Afinal, ninguém quer ter infiltração em casa ou no seu empreendimento, não é?

Tomás Lima

  • Gestor de Conteúdo
  • Graduado em Administração pela UFMG
  • Apaixonado por Construção Civil
 

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