7 diferenciais competitivos fundamentais para pequenas construtoras

Dayvson Carvalho

Dayvson Carvalho

Gestor de Projetos. Graduado em Administração pela ESAG. Apaixonado por números, dados e estatística.

27 de abril 2021

Compartilhe

Responda rápido: quais são os diferenciais competitivos da sua empresa? 

É importante que você tenha essa resposta na ponta da língua, com muita clareza, porque isso é determinante para o sucesso e crescimento dos negócios, especialmente das pequenas construtoras.

Ainda mais se pensarmos num setor altamente disputado como é a construção civil, numa economia tão imprevisível, sujeita a tantos altos e baixos.

Numa época de crise como essa, em meio à pandemia de Covid-19, você deve evitar simplesmente se deixar levar, cometer o erro capital de cair na vala comum. Esta é uma atitude de alto risco para sua sobrevivência como empreendedor. 

Mas, então, qual a saída? 

A resposta está lá no início, na implementação de diferenciais competitivos que vão fazer sua pequena construtora se destacar da concorrência. Seguindo adiante, você vai ver quais são eles e sua importância.

O que é competitividade

É com uma atitude proativa, escolhendo seus pontos fortes para desenvolvê-los, que as construtoras menores podem aumentar sua eficiência e produtividade. 

Dessa maneira, constroem as condições para se sobressair às demais, conquistar novos clientes e abocanhar contratos de maior lucratividade. 

Os diferenciais competitivos tornam a sua empresa única em sua área de atuação
No entanto, para chegarmos a este ponto, precisamos definir melhor o significado e a importância dos diferenciais competitivos. Então, vamos detalhar este conceito.

A competitividade representa a capacidade de qualquer organização de cumprir sua missão com mais êxito que as demais organizações competidoras no seu mercado. 

Isto é, uma organização se torna mais competitiva quanto mais for capaz de satisfazer as necessidades e as expectativas dos seus clientes. 

Assim, quando alcança um estágio de grande competitividade, a empresa consegue uma rentabilidade igual ou superior à da concorrência.     

Estratégias competitivas

Uma grande autoridade no tema, Michael E. Porter, classificou as estratégias competitivas que as organizações adotam ou podem adotar em três tipos, baseadas em: 

  1. Custos: Quando a empresa consegue produzir com custo muito menor que seus concorrentes, o que é bastante favorável às pequenas empresas, com suas estruturas mais enxutas.
  2. Diferenciação: Quando a empresa oferece produtos com qualidades ou serviços que são únicos, sem semelhança na concorrência.
  3. Especialização: Quando a empresa se especializa em um nicho específico, onde encontra um ambiente de negócios mais favorável ao desenvolvimento de suas potencialidades.

Então, tendo em mente essas três estratégias, o empreendedor pode determinar a maneira como sua própria empresa vai adotar seus diferenciais competitivos.

O importante é fazer uma boa radiografia de todas as áreas da sua organização e verificar onde é preciso investir um pouco mais de tempo, recursos humanos e financeiro, para seus negócios decolarem.

7 diferenciais competitivos 

Há aspectos que são fundamentais para o bom desempenho dos empreendimentos e precisam ser desenvolvidos ou aperfeiçoados. Estamos falando dos diferenciais competitivos que você deve alavancar em sua organização.

Basicamente, um diferencial competitivo é aquilo que torna a sua empresa única em sua área de atuação. Ou seja, são os atributos que ele oferece aos clientes que ninguém mais consegue oferecer.

Veja quais são os diferencias competitivos mais importantes para a sua empresa:

1. Planejamento estratégico

Por menor que seja a empresa, ela não pode deixar de ter um planejamento estratégico no qual defina claramente seus objetivos, quando e de que maneira pretende chegar até eles.

Diz o Sebrae que:

“O planejamento é o detalhamento de como a empresa vai atuar para alcançar os objetivos gerais e funcionais, cumprindo sua missão e realizando a sua visão de futuro.”

Esta planificação parte, obrigatoriamente, de uma análise dos ambientes externo e interno, ou seja, do conhecimento de suas forças, das suas fraquezas e do cenário onde atua.

Explicando melhor o que você precisa conhecer:

  • Macroambiente: É externo à empresa, aquele do qual ela recebe as influências e os impactos, porém, sobre os quais não tem controle. São os fatores políticos, econômicos, sociais e tecnológicos que dinamizam o setor, as oportunidades e as ameaças que a empresa precisa considerar para prosseguir. Inclusive sua concorrência, que você deve procurar conhecer muito bem.
  • Microambiente:  É aquele sobre o qual a empresa tem ou deveria ter total controle, ou seja, suas competências, seus recursos, seus pontos fortes e fracos. É o seu negócio, que você deve conhecer e controlar melhor ainda, não deixando escapar nenhum detalhe do seu dia a dia.

Com esta análise em mãos, o empreendedor deve anotar detalhadamente suas metas de produção, de crescimento e de posicionamento no seu mercado. Da mesma forma, estabelecer prazos, meios, recursos e as ações que vai empreender para para realizá-las.

2. Mão de obra qualificada

O fato de ter uma equipe reduzida lhe dá condições de fazer uma seleção mais apurada, para contar com trabalhadores mais qualificados, que lhe entreguem maior produtividade e qualidade nas suas atividades.

Comece adotando o critério da escolaridade, que sempre ajuda, assim como a experiência e conhecimentos específicos obtidos em cursos de qualificação da construção civil. Na medida do possível, desenvolva políticas próprias de incentivo e valorização do trabalho.

O aporte que você fizer em qualificação, certamente, vai ter retorno em agilidade, eficiência, redução significativa de desperdícios, com repercussão no produto final e na sua lucratividade.

3. Gestão financeira eficiente

Os donos de construtoras menores costumam ser cuidadosos com suas obras, mas nem tanto com suas finanças, e aí está o calcanhar de aquiles de muitas pequenas construtoras.

Orçamento é parte importante da administração de obras

A gestão financeira envolve o planejamento, análise e controle de todas as atividades financeiras de uma empresa com o objetivo de melhorar sua lucratividade sempre.

Veja cuidados imprescindíveis de um controle financeiro eficiente:

Banner Ebook Gestão de Obra do Inicio ao Fim. Baixe Agora!
  • Custos, despesas, recebimentos e pagamentos na ponta do lápis: Sabendo precisamente seus custos e suas despesas, é possível se planejar de forma mais assertiva para não ter problemas de fluxo de caixa e precificar de forma adequada cada serviço. Isso ajuda na obtenção de um valor justo, que valorize seu trabalho, pague as contas e ainda o auxilie a obter o lucro desejado.
  • Contas a pagar e a receber em sintonia: Conciliar pagamentos e recebimentos ajuda, e muito, a alcançar e manter o equilíbrio financeiro de uma empresa. É possível, por exemplo: combinar acertos de compras com fornecedores e o depósito dos salários para alguns dias após a data em que os seus clientes fazem o pagamento dos serviços que sua empresa realizou.
  • Faça orçamentos assertivos, sempre: Se sua empresa, além de prestar serviços específicos, também trabalha com a execução de obras, é importante destacar a importância de se elaborar orçamentos assertivos. E, ainda, acompanhar sempre os seus gastos por meio de ferramentas de gestão como o cronograma físico-financeiro. Nunca considere uma obra pequena demais como justificativa para não fazer orçamento.
  • Cronograma físico-financeiro: Da mesma forma, o cronograma físico-financeiro é indispensável para o acompanhamento dos custos à medida que a obra avança. É gerado a partir da integração de informações do cronograma de obra e do orçamento. Assim, a construtora pode controlar se a obra está evoluindo de acordo com o que já foi gasto e identificar possíveis desvios.

4. Controle e planejamento de compras

Com o crescimento absurdo dos preços dos insumos, nos últimos tempos, este se tornou um fator ainda mais crucial como diferencial competitivo. Uma escolha de bons fornecedores e o controle eficiente do estoque de materiais podem reduzir bastante os seus custos.

Um conselho prático: procure centralizar as compras no menor número possível de fornecedores para obter maiores descontos, pois fica mais fácil pagar menos quando o volume de compras é maior.

Além disso, o estabelecimento de parcerias com fornecedores permite mais flexibilidade na negociação de preços, prazos e condições de pagamento.

Pesquise e compare preços, busque descontos e negocie condições de pagamento – ao final do mês, de um serviço ou de uma obra, ao final de um ano, tudo isso fará diferença!

Por último, considere que fazer compras de insumos em grandes volumes é uma boa tática para reduzir custos. Mas tenha certeza de que sua construtora possui condições adequadas de armazenamento para cada material adquirido, para que não haja perdas

5. Tecnologia e inovação são excelentes diferenciais competitivos

Por ser um setor tradicionalmente de uso intensivo de mão de obra, a construção civil no Brasil é bastante conservadora e ainda patina na modernização dos seus processos.

Em relação às pequenas construtoras, ainda persiste a ideia de que as novas tecnologias são dirigidas primeiro para as grandes organizações e só residualmente para os menores negócios.

Tecnologia e inovação são diferenciais competitivos E, assim, o setor vai tocando em frente, com antigos métodos, rotinas, materiais, equipamentos, que há muito já deveriam ter sido substituídos por outros mais produtivos.

Na verdade, já existe muita tecnologia dirigida especialmente para pequenas construtoras, inclusive sistemas de gestão voltados para este segmento, como é o caso do Sienge Go.

Outro exemplo é o BIM – Building Information Modeling ou “Modelagem de Informação da Construção”, que é perfeitamente adequado e acessível às pequenas construtoras.

No BIM, todos os detalhes de um projeto, como estrutura, hidráulica, elétrica, composição dos materiais e outros são controlados, modificados e aprimorados, em um único modelo.

Velhos projetos em desenhos e plantas 2D são substituídos por novas “camadas de modelagem” 3D, 4D e diversas outras possibilidades. O BIM pode contribuir muito para proporcionar um salto de qualidade no desempenho das micro e pequenas construtoras.

6. Muita atenção ao marketing

Esta é outra área onde é preciso reforçar que não se trata de assunto apenas para grandes empreendedores, pois o marketing também é um diferencial competitivo ao alcance das pequenas construtoras.

Envolvidos com tantas questões relacionadas diretamente com as obras, os gestores costumam descuidar deste aspecto. Então, comece por atentar que você precisa ter uma boa marca e tratar de divulgá-la no seu mercado.

Para isso, temos todo o potencial das redes sociais. Não seja tímido, tenha uma presença forte no mundo online, além dos tradicionais recursos gráficos como os cartões, folders, cartazes, placas e outros.

Mas o primeiro passo é ter um bom site, construído com muito profissionalismo.

Assim, ele deve funcionar como se fosse a sua vitrine, ou seja, leve, moderno, bonito, com todas as informações sobre seus serviços e formas de contato, bem como os recursos para ser encontrado com facilidade nos mecanismos de busca como o Google.

Também use muito as redes sociais, como Facebook, Linkedin e Twitter, para divulgar a empresa e suas realizações.

Através delas, cultive o relacionamento com os clientes, estimule o diálogo, apresente informações úteis sobre obras e serviços, esclarecendo dúvidas e colocando-se sempre à disposição para novos contatos.

Além disso, o marketing de conteúdo sobre temas relacionados a esse mercado também é uma excelente forma de firmar a sua marca entre as mais conhecidas e respeitáveis do setor.

Mesmo que comece devagar, dê logo o primeiro passo no seu trabalho de marketing. Busque suporte profissional, se achar necessário, mas não deixe de dar atenção para mais esse fator que pode fazer uma grande diferença para os seus negócios.

7. Responsabilidade social e ambiental

Você está vendo toda a discussão sobre meio ambiente no País? E a preocupação mundial com o aquecimento global, a mudança do clima, o desaparecimento de espécies e energias limpas?

Pois é, esta é uma preocupação crescente e que só vai aumentar, exigindo uma postura socioambiental responsável das empresas. Isso, cada vez mais, vem se tornando um critério de seleção dos consumidores quando fazem suas escolhas.

Não poderia ser diferente na construção civil, que é o setor de maior impacto sobre o meio ambiente.

Transforme isso numa oportunidade de estabelecer um diferencial competitivo, adotando as melhores práticas nessa área no âmbito da sua construtora.

Além de cumprir a legislação, tanto em relação a seus colaboradores como na relação com sua comunidade, estabeleça diretrizes claras de transparência, correção e baixo impacto.

Adote medidas, por exemplo, de redução e reciclagem de resíduos, diminuição do consumo de água e energia. Apoie e participe de iniciativas sociais e ambientais da sua região.

Ao mesmo tempo, conheça e tente obter todas as certificações socioambientais que forem possíveis.

Finalmente, divulgue as suas iniciativas nessa área, deixando muito claro que sua empresa é uma organização comprometida com as causas socioambientais. Isso certamente agregará valor ao seu negócio.

Obrigado pela leitura e até o próximo artigo!

Compartilhe