Crescimento na construção civil: analistas econômicos renovam expectativas

Bruno Loturco

Bruno Loturco

Apaixonado pela Indústria da Construção, atua no setor desde 2002. É especialista em comunicação e acredita que a adoção de tecnologia é o único caminho possível para a transformação da cadeia da construção. Atualmente, é Coordenador de Comunicação Estratégica do Sienge.

4 de outubro 2021

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Não há como negar que o cenário macroeconômico é desafiador para o crescimento na construção civil. Tanto a inflação quanto os juros básicos da economia, a taxa Selic, permanecem em elevação.

Para a primeira as projeções indicam alta de 8,35% até o final do ano. Ou seja, 3,10 pontos percentuais acima do limite superior da meta de 3,75% definida para 2021. A taxa Selic, por sua vez – e para compensar a pressão inflacionária –, já chegou a 6,25% ao ano, com tendência de alta para as próximas duas – e últimas nesse ano – reuniões do Copom, em outubro e dezembro. As projeções desenham um cenário de Selic a 8,25% ao final de 2021.

Ainda assim, a sempre resiliente indústria da construção enxerga um horizonte com viés muito positivo à frente, como ficou bastante claro ao longo dos dois dias de Construsummit, o principal evento do setor. Realizado pelo Sienge, o Construsummit 2021 reuniu toda a cadeia da construção em torno dos temas de maior interesse para o setor: transformação digital e integração da cadeia.

Dessa maneira, o evento apresentou o panorama macroeconômico e setorial, com participação dos principais analistas de mercado, como Ana Maria Castelo, da FGV, Ieda Vasconcelos, da CBIC, Luiz França, da Abrainc, Rodrigo Navarro, da Abramat, dentre outros. Em todas as oportunidades, os analistas reafirmavam as expectativas de otimismo moderado e cauteloso devido às diversas variáveis que impactam no desempenho do setor da construção.

E é exatamente esta a definição mais precisa para o momento que o setor está vivendo. Historicamente tida como a locomotiva da economia, a indústria da construção tem apresentado desempenho muito superior aos demais setores.

Caixa reduz juros do financiamento imobiliário

Indícios da força do setor vem da arrecadação da poupança e, principalmente, do movimento feito pela Caixa Econômica Federal. Principal player no mercado de financiamento imobiliário, a Caixa se posicionou na contramão da elevação da Selic e anunciou a redução de suas taxas de juros para financiamento.

O anúncio foi feito no último dia 16 de setembro pelo presidente da instituição, Pedro Guimarães. Assim, a partir de 18 de outubro, a taxa mínima praticada pela Caixa para a concessão de crédito imobiliário passa a ser de 2,95% ao ano mais o rendimento da poupança (SBPE). Vale lembrar que, em agosto de 2021, a taxa mínima cobrada pela Caixa era de 6,25%.

De maneira geral, Ieda Vasconcelos, do Sinduscon-MG, continua otimista com a atratividade do financiamento imobiliário para a população. “O crédito imobiliário está sendo concedido a taxas médias de 7 a 7,5% ao ano”, diz. “Continua atrativo para quem quer comprar imóveis”, acredita.

Redução de juros e elevação do teto do Programa Casa Verde e Amarela

Outras duas boas notícias para o setor dizem respeito, especificamente, ao programa de habitação popular Casa Verde e Amarela. Em 14 de setembro o Conselho Curador do FGTS aprovou o aumento do teto do valor do imóvel, uma reivindicação recorrente do setor devido, principalmente, às fortes altas nos preços dos materiais.

Esse teto varia de acordo com a região onde se encontra o imóvel. Para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e para o Distrito Federal, o teto de R$ 240 mil foi reajustado em 10%, chegando agora a R$ 264 mil. A alíquota de 10% também foi aplicada a imóveis localizados em municípios com população entre 20 e 50 mil pessoas, bem como para capitais e regiões metropolitanas. Em municípios com entre 50 e 100 mil habitantes, o reajuste é de 15%. Para municípios com população inferior a 20 mil pessoas não haverá reajuste.

O mesmo conselho curador também anunciou a redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros praticada pelo programa. Inicialmente, a medida tem validade até dezembro de 2022 e vale para famílias com renda mensal entre R$ 4 mil e R$ 7 mil. A finalidade da redução é tornar a faixa 3 do programa mais atraente para aos mutuários.

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