BDI: o que recomendam as melhores práticas do setor

Gustavo Prata

Gustavo Prata

Engenheiro Civil com mais de 12 anos de experiência atuando com gerenciamento de obras, planejamentos, controle de cronograma físico-financeiro, orçamentos e organização de obras.
Atualmente Product Manager na Softplan/Sienge

16 de novembro 2020

O cálculo correto do BDI é uma operação fundamental para que construtoras e incorporadoras tenham a lucratividade esperada nos seus empreendimentos. Mas isso ainda gera muitas dúvidas e há, inclusive, empresas que simplesmente ignoram esse levantamento.

Como você deve imaginar, quem calcula mal ou não inclui nos seus custos os valores de Benefícios e Despesas Indiretas, a tradução da sigla BDI, está perdendo dinheiro. E  pode ser muito grande a perda, principalmente nas empresas menores que trabalham com margens mais estreitas de resultados.

Isso acontece porque, sem esse valor, seus orçamentos não retratam realidade, além de sinalizar uma grave falha de gestão que pode estar ocorrendo em outras áreas também. Numa situação dessas, a primeira providência a ser tomada é incluir imediatamente o BDI entre as despesas.


Ele representa tudo aquilo que não integra os custos diretos de uma obra. Pode parecer muito vago mas, na sequência da leitura, você vai conhecer esse conceito detalhadamente, para ter um BDI assertivo nas suas obras. 

O que é o BDI

O conceito do BDI diz que ses trata do elemento orçamentário que representa todas as despesas classificadas como indiretas. Isto é, ficam de fora do cálculo os custos das obras chamados diretos tais como: 

  • Terreno;
  • Materiais de construção;
  • Mão-de-obra;
  • Equipamentos e instrumentos.

Como você vê, estão excluídos do BDI os custos mais óbvios, aqueles que você logo pensa quando imagina uma construção ou reforma. No entanto, os custos indiretos são os mais subjetivos e intangíveis, mas são esses que importam para a apuração do BDI. 

Vou explicar melhor para você.

Custos indiretos no cálculo do BDI

Os custos indiretos são os mais fáceis de ignorar num primeiro momento, mas que depois aumentam bastante o valor final da obra. Fazer o levantamento correto de cada um deles, sem faltar nenhum, é o primeiro e principal passo para o cálculo sem erro do BDI.

Estão incluídos nessa lista:

  • A administração da empresa;
  • Seguros da obra;
  • Garantias do cliente.
  • Permissões e aprovações municipais, estaduais e federais;
  • Tributos e encargos legais;
  • Custo financeiro do contrato
  • Taxa de riscos ou imprevistos;
  • E outros.

Em síntese, o BDI é um um acréscimo aos custos que compõem o orçamento dos empreendimentos de construtoras e incorporadoras. Mas há uma outra forma de ver esse valor, ressalta o engenheiro civil Mozart Bezerra da Silva, autor do Manual de BDI.

Numa palestra online promovida pelo Sienge, ele disse que as várias despesas indiretas desse cálculo podem ser vistas como indicadores desempenho das empresas. Elas precisam ter valores adequados ao mercado e, assim, servem para a mostrar saúde econômico-financeira das organizações, completou.

Na mesma palestra,  a engenheira civil Inaiara Marini, consultora em orçamentos e Owner da Centro de Gestão de Engenharia de Custos, contou que já viu diversas licitações nas quais as empresas esqueceram de incluir o BDI.

Sem esse dado, o resultado do empreendimento fica comprometido, por isso o conjunto de despesas indiretas não pode ficar de fora do orçamento, de maneira nenhuma.

Já Fernando Leite, Engenheiro Civil Sênior de Custos e Consultor de Orçamentos, classificou como “uma falha técnica muito grande você não não dominar esse processo que  é crucial”.

Ele adverte que se, numa licitação, por exemplo uma empresa colocar um BDI muito baixo, ela pode ganhar a obra, o contrato, mas pode não conseguir fazer obra, ou seja, contrata mas não entrega.

BDI desonerado

Uma dúvida muito frequente diz respeito ao BDI desonerado, destacou a engenheira Inaiara Marini. Mesmo que o presidente Jair Bolsonaro tenha suspendido a desoneração da folha de pagamento, há uma grande movimentação, inclusive no Congresso Nacional, para que seja mantida.

Seja como for que isso se resolva, até então as empresas vêm desonerando a sua folha, tirando os 20% de INSS. E ainda usam o Acórdão 2622 do Tribunal de Contas da União (TCU) que regula a aplicação do BDI com valores mínimos, médios e máximos por tipologia de obra.


No entanto, acontece também de esquecerem de incluir nos cálculos a CPRB ou Contribuição Previdenciária Sobre Receita Bruta. Fazendo equivocadamente esse cálculo, muitos acham que o BDI deve diminuir quando, ao contrário, deve subir.

“A Caixa Federal inclusive fez uma planilha de cálculo para explicar para os usuários como calcular o BDI desonerado, que na verdade o nome é desonerado mas eu poderia interpretar como onerado por que ele aumenta”, diz a engenheira.Vale lembrar que o acórdão do TCU é anterior à desoneração da folha

Também é preciso ficar claro que não há como estipular um percentual genérico, fixo, para o BDI, pois cada obra tem um protótipo diferente e o seu próprio regime tributário. Umas trabalham com lucro presumido e outras com lucro real.

Como calcular o BDI

A essa altura você já deve estar mais do que convencido não apenas da importância do BDI, mas também da necessidade de um detalhamento rigoroso dos custos indiretos. É a hora, então, de vermos uma fórmula para esse cálculo.

Você vai conhecer a sugestão do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos ou IBEC, com base num consenso internacional para a estimativa do BDI. No caso de obras públicas, ela vale tanto para o contratante como para o licitante, a ser contratado.

  • AC = Administração Central (%);
  • CF = Custo Financeiro (%);
  • MI = Margem de Incerteza (%);
  • TM = Tributos Municipais (%);
  • TE = Tributos Estaduais (%);
  • TF = Tributos Federais (%);
  • MC = Margem de Contribuição ou Lucro (%).

Para sua melhor compreensão, vou explicar um pouco mais cada um desses elementos que compõem o cálculo. 

AC – Administração Central 

É o rateio do custo da sede entre as obras da Construtora. Varia de 7% a 15% para empresas com grande faturamento anual e de 10% a 20% nas empresas com pequeno faturamento anual.

CF – Custo Financeiro

Em razão das condições de medição e pagamento previstos no contrato, bem como o programa de desembolso, cabe verificar a necessidade de incluir o custo financeiro.

S – Seguros

Representa os custos referentes aos seguros previstos no contrato ou não, por exemplo: performance bond, garantia de execução contra terceiros e outros.

G – Garantias

Este item refere-se ao custo para cumprir o contrato oferecendo as garantias previstas. Podem ser adotadas diversas formas: a caução, o seguro garantia ou papéis selecionados.

MI- Margem de Incerteza

Atenção: a MI deve ser levada em conta no cálculo do BDI apenas por empresas contratantes. Visa melhorar eventuais distorções no valor aproximado pelo cálculo estimado, devido ao seu caráter genérico adotado pelos contratantes. Geralmente varia de  5% a 10%.

TM – Tributos Municipais

Leva-se em conta tributos municipais como o ISS.

TE – Tributos Estaduais

Refere-se a tributos estaduais tais como o ICMS.

TF – Tributos Federais

Incluem-se tributos federais tais como PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e INSS.

MBC – Margem Bruta de Contribuição (ou Lucro Bruto Previsto)

A Margem Bruta de Contribuição é um valor aleatório, próprio de cada empresa ou da proposta de preços, e é baseado principalmente em função do mercado.

Ferramentas de cálculo do BDI

Com todos esses elementos em mãos, para um resultado seguro é indispensável que você utilize ferramentas de cálculo de eficiência comprovada. Uma alternativa, por exemplo, é a planilha do Sienge, acessível no link.


Ela vai lhe permitir fazer essa operação sem maiores complicações e definir um preço de venda mais preciso e condizente com a realidade do mercado. Após o cálculo do BDI com a planilha você aplica o índice obtido da seguinte maneira: 

Preço de venda = custo direto x (1 + BDI/100)

Mas conforme o perfil da sua empresa, essa tarefa pode se tornar muito mais complexa, com a planilha deixando de ser a ferramenta mais apropriada para chegar ao BDI. Principalmente quando você começa a ter que cruzar os dados de diversas planilhas. 

Neste caso, é chegado o momento de você pensar numa solução à altura do problema, como um sistema de gestão ou ERP que dê conta do cálculo do BDI entre suas funcionalidades. O mais utilizado no mercado é o Sienge, capaz de integrar e alinhar as operações de todas as áreas de uma empresa construtora.

Controle rigoroso do BDI

Não  há como um negócio evoluir e conquistar espaço no mercado se não tiver um controle rigoroso dos seus custos, com orçamentos realistas e preços de venda competitivos. É comum, porém, os gestores terem muita preocupação com as despesas mais evidentes e esquecerem os gastos “invisíveis” ou indiretos.

Mesmo quem já faz o cálculo do BDI habitualmente, deveria revisar o seu modelo e conferir se não há algum item escapando desse levantamento. Como disse um dos palestrantes citados, a apuração das despesas indiretas é também um modo de se avaliar a eficácia dos processos de gestão dos negócios.

Tome o BDI como um diagnóstico capaz de apontar correções que podem significar saltos de qualidade na administração da sua construtora ou incorporadora. Em tempos tão difíceis, todos os ajustes possíveis são necessários para que os negócios tragam a lucratividade planejada. 

Então, espero que você tenha gostado desse conteúdo e seja útil para o seu negócio. Deixe seu comentário, por favor, e compartilhe com seus amigos, pode ser útil para eles também.

Obrigado pela leitura, até o próximo artigo.