9 tendências da construção para 2017

Se 2015 foi tenebroso e 2016 – até porque seria difícil conseguir ser pior – apresentou algumas melhoras, quais as perspectivas para o setor da construção civil em 2017?
Esse post aponta tendências, perspectivas e previsões econômicas e tecnológicas para 2017. A ideia é ajudar o empresário da construção civil a decidir os rumos a serem tomados mesmo com uma economia ainda incerta.

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Perspectivas indicam retomada das atividades na construção civil para 2017

De modo geral, as perspectivas entre empresários e especialistas de mercado é de retomada do crescimento. Ainda que de forma lenta, para alguns executivos o primeiro passo – parar de cair – já foi dado!

É hora, portanto, de os empresários se prepararem para as perspectivas de aquecimento da economia, retomada dos investimentos e até mesmo de melhores salários.

Os indicadores da Sondagem da Construção, da FGV, que mede o Índice de Confiança da Construção, têm evidenciado isso.

A última análise, de dezembro de 2016, registrou leve recuo nas perspectivas de melhora por parte dos empresários do setor. Ainda assim, o índice mostra que o otimismo do setor cresceu mais entre junho e novembro últimos do que nos cinco anos anteriores.

O resultado é que entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016 a confiança do empresariado subiu dois pontos. É importante lembrar que em agosto de 2016 o segmento de preparação de terrenos mereceu destaque na Sondagem da Construção, o que “costuma registrar aceleração no início efetivo de obras previamente contratadas”.

Confira alguns motivos para apostar em melhoras no cenário macroeconômico do setor da construção civil em 2017.

1) Operação Lava Jato: ao que tudo indica, operação da Polícia Federal já atingiu todas as grandes empresas envolvidas com a infraestrutura do País. Até mesmo subempreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço foram atingidos. O mercado tende a se organizar para preencher as lacunas deixadas.

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2) Juros: o terceiro corte consecutivo na taxa básica de juros da economia brasileira veio no último dia 11 de janeiro. O Banco Central, na primeira reunião de 2017, anunciou redução de 0,75 pontos percentuais na Selic. O corte é maior do que o mercado esperava e indica que o governo pretende acelerar a retomada da economia. A expectativa é de que a taxa de juros chegue a 11% ainda em 2017.

3) Confiança do consumidor: a melhora na economia em geral, com esforços do Governo Federal para organizar as contas públicas, diminui o receio de desemprego, o que aumenta a confiança do consumidor. Há entidades de classe que já têm notado aumento na procura por unidades em estoque ou por lançamentos. 

4) Inflação: a manutenção da inflação dentro da meta levou o Copom a reduzir a taxa Selic de forma mais acelerada. Outro benefício do controle inflacionário é a redução do custo de vida, com mais folga para os salários das famílias. Logo, as perspectivas indicam aumento no consumo, com respectiva movimentação no mercado.

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5) Financiamento imobiliário: com a queda nos juros, a tendência é que o crédito fique mais barato tanto para empresários quanto para consumidores. Imediatamente após o corte na taxa Selic, diversos bancos anunciaram quedas nos juros de suas linhas de crédito. Ainda em novembro de 2016, quando o Banco Central cortou em 0,25 pontos percentuais a taxa básica de juros da economia, a Caixa Econômica Federal, principal agente de financiamento imobiliário do País, anunciou repasse do corte às suas linhas de crédito para compra de imóveis.

6) Pequenas e médias empresas: as grandes empresas estão, em sua maioria, endividadas devido aos alavancamentos de crédito feitos nos últimos anos. Assim, o crédito fica mais disponível para pequenas e médias empresas com boa saúde financeira. Além disso, os investidores – sobretudo os estrangeiros – veem nessas empresas a possibilidade de crescimento consistente e sustentável em médio prazo.

7) Mão de obra: com a taxa de desemprego em torno de 12%, há muita mão de obra disponível. Consequentemente, não há pressão para aumento salarial no horizonte próximo. E projeção é de que 200 mil empregos sejam gerados na construção civil em 2017.

8) Minha Casa, Minha Vida: a retomada dos investimentos no programa habitacional foi bem recebida pelo mercado, que espera novidades para 2017. Em pronunciamento, o Governo Federal anunciou a contratação de 500 mil unidades em 2017.

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9) Cartão reforma: criado no final de 2016, tem o objetivo de beneficiar mais de 100 mil famílias. O programa disponibiliza, em média, R$ 5 mil para quem tem renda de até R$ 1,8 mil mensais para aquisição de materiais de construção. De acordo com o Governo Federal, não se trata de empréstimo. Ou seja, o beneficiário não precisa devolver o dinheiro, que não pode ser usado para pagamento de mão de obra.

Tendência Bônus 1) Concessões e PPPs: sem recursos, Estados e municípios tendem a ampliar investimentos em infraestrutura por meio de concessões e parcerias público-privadas. Essa pode ser uma boa oportunidade para diversas empresas que tenham capacidade de construir e administrar esse tipo de obra.

Tendência Bônus 2) Para onde vão as grandes construtoras
As boas perspectivas para o setor de construção civil em 2017 apresentaram resultados quase que imediatos nas grandes construtoras com ações listadas na BM&FBovespa. As ações da Rossi, PDG Realty e Helbor dispararam entre 5% e 11% no pregão do último dia 16 de janeiro. Tecnisa, Gafisa e Even subiram entre 2,5% e 3,7%. Apenas nos primeiros quinze dias o setor já apresentava valorizações de mais de 30% em alguns casos.

O setor da construção civil apresenta boas projeções na bolsa de valores para 2017, com perspectiva de altas rentabilidades. A orientação dos especialistas é para manter as ações das grandes incorporadoras no radar.

Os estoques ainda em alta podem ser fonte de valorização para essas empresas, pois a tendência é que se transformem em caixa. Como as empresas ainda estão se recuperando e não devem investir na compra de terrenos, o lucro deve ser distribuído entre acionistas, valorizando os papéis. O cenário é especialmente interessante para empresas que atuam na classe média/alta e que não está alavancadas, como Eztec, Cyrela e Even.

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Confira as projeções e estimativas para cada uma das empresas abaixo.

Cyrela
A Cyrela entrou na lista de ações recomendadas pelo BTG Pactual em janeiro. A instituição financeira acredita que a incorporadora irá se beneficiar diretamente das melhores condições de crédito do País. Assim, a tendência é acumular volumoso fluxo de caixa em 2017. O BTG afirma que os papéis da incorporadora têm potencial de valorizar até 27% em 2017.

Even
A Even tem se beneficiado do contexto geral de mercado no que diz respeito a incorporadoras. Tanto é que a empresa registrava, em 16 de janeiro, alta de 17,30% no mês.

Eztec
Também beneficiária do contexto favorável decorrente do corte de juros, a Eztec tem um trunfo a mais. É uma das incorporadoras menos endividadas do mercado. Tanto que é a única empresa a registrar ganhos nos últimos seis anos. Em 2010 a companhia valia R$ 1,78 bilhões, em dezembro chegou a R$ 2,49 milhões, crescimento de 39,78%. A perspectiva para a Eztec é de crescimento contínuo e sustentável para 2017.

Gafisa
Dos R$ 924 milhões em novos empreendimentos lançados pela incorporadora, 70% foram no segundo semestre. Os últimos seis meses também concentraram a maior parte das vendas da companhia. Foram R$ 319 milhões dos R$ 774 milhões em todo o ano de 2016. Outro dado positivo foi a redução na quantidade de distratos no segundo semestre em comparação ao primeiro. A perspectiva da Gafisa é reduzir ainda mais esse número em 2017. O foco da empresa em 2017 será a redução do estoque, atualmente no nível de R$ 1,9 bilhão.

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Helbor
As ações da incorporadora Helbor valorizaram, em 2017, 52,60%. O resultado é decorrente do corte da taxa básica de juros promovido pelo Copom. A perspectiva da Helbor para 2017 é de crescimento. Afinal, a empresa também figura dentre uma das menos endividadas do setor de construção.

PDG Realty
A PDG Realty anunciou, em 21 de dezembro de 2016, que não pagará juros a detentores de debêntures. A incorporadora acumula dívida de R$ 7,5 bilhões e a tendência é de que peça recuperação judicial. O endividamento e o fato de estar sujeita a protesto de títulos se somam a atrasos na maioria das 30 obras em execução. Com mais de 700 Sociedades de Propósito Específico (SPEs) configuradas, o pedido de recuperação judicial da PDG Realty deve ser mais lento que o usual. A expectativa é que o pedido seja feito após o dia 20 de janeiro de 2017. Ou seja, após o fim do recesso do Judiciário.

Tecnisa
Em 2016 a Tecnisa lançou apenas dois empreendimentos, totalizando valor geral de vendas (VGV) de R$ 80,4 milhões. Para 2017, as perspectivas são mais otimistas. A previsão é lançar mais e priorizar empreendimentos de até R$ 400 mil, que se enquadrem no programa Pró-Cotista. A empresa projeta movimentar até R$ 500 milhões por ano em um cenário de estabilidade econômica. A Tecnisa teve geração de caixa de R$ 165 milhões no terceiro trimestre de 2016, ante queima de R$ 3 milhões no segundo trimestre. A posição de caixa no fim de setembro era de R$ 172 milhões, queda de 7,7% na comparação entre os mesmos períodos. A dívida líquida totalizou R$ 998 milhões, redução de 14,4%. Com isso, a alavancagem (relação entre dívida e patrimônio líquido) caiu de 70,7% para 57,7%.

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