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Levando conhecimento para a Indústria da Construção




representação teórica de bim
Você sabe o que é BIM? Entenda o conceito e suas aplicações
Postado dia 8 de setembro de 2016 | Nenhum Comentário
Categorias: BIM, Indústria da Construção, Sienge, Software, Tendências

Na prática, nenhuma obra é igual, mas todas elas têm algo em comum: mobilizam uma variedade extensa de materiais, serviços e demais providências para que sua execução aconteça da forma mais eficiente possível. E dependendo do caso, gerenciar essa colaboração multidisciplinar pode ser uma tarefa um tanto complexa, mas a questão aqui é que, quanto mais dessas informações forem conhecidas, mais assertivo fica o planejamento e a construtora pode programar as atividades da obra com muito mais segurança.

Para captar e organizar o máximo possível desses dados, a cada novo empreendimento a construtora precisa elaborar vários documentos para planejar e acompanhar a execução da obra. Muitos deles você já conheceu aqui no blog, como o orçamento, cronograma de obra e cronograma físico-financeiro. Mas já pensou o quão prático seria se absolutamente todas as informações da obra estivessem consolidadas e integradas em uma mesma plataforma? Acompanhe a nossa série aqui no blog do Sienge sobre BIM, o conceito que é tendência para o futuro da modelagem na construção.

O que é BIM?

O Building Information Modeling (BIM), em português, Modelagem da Informação da Construção, é o novo conceito quando se trata de projetos para construções. Diferente do desenho usual em 2D, uma mera representação planificada do que será construído, a modelagem com o conceito BIM trabalha com modelos 3D mais fáceis de assimilar e mais fiéis ao produto final. Numa comparação simples, seria como abandonar a ideia de fazer o planejamento desenhando mapas e trabalhar diretamente com maquetes.

O projeto ideal realizado em BIM deve agregar todas as partes envolvidas no planejamento de uma construção, fornecendo informações aprofundadas sobre cada detalhe da construção e que podem ser utilizadas por todos os envolvidos, desde engenheiros e arquitetos até planejadores e responsáveis pela compra de materiais. Em um software que aplique o conceito, vários profissionais podem trabalhar no mesmo projeto ao mesmo tempo utilizando o mesmo arquivo, adicionando os dados que competem à sua especialidade e vendo as atualizações no modelo em tempo real.

tela do revit com item em BIM

Tela do software Revit com aplicação de BIM

Não se trata de facilitar apenas dados como dimensões de paredes e localização de canos hidráulicos e tubos de gás, mas também informações relacionadas a tipos e quantidade de insumos e mão de obra utilizados, por exemplo. Isso quer dizer que, ao se modelar uma parede usando o BIM, é possível especificar parâmetros não apenas de espessura, comprimento e altura, mas também, por exemplo, o material do qual será feita a parede, fabricantes de materiais, custos, propriedades térmicas e acústicas, custos envolvidos, dentre outras possibilidades.

superbanner do podcast sobre o que é bim e como aplicar na sua empresa

Aplicações de BIM em softwares e novas tecnologias

Saber como funciona o BIM pode ter feito você pensar nos softwares mais populares nos meios de engenharia e arquitetura, as ferramentas CAD, como o AutoCAD. Estas ferramentas ficaram conhecidas por terem sido pioneiras na transição da prancheta para o computador, fornecendo plataformas de desenho 2D para arquitetos e engenheiros. Pode ter surgido a dúvida, será que estes programas vão incorporar o BIM às suas práticas? A resposta é sim! E isso já está acontecendo. O foco para os softwares do seguimento mudou, os principais devem atuar em BIM, como Autodesk Revit, Vector Works e ArchiCad, por exemplo. Já os programas CAD não vão sumir, mas terão um papel secundário para agregar todas as funcionalidades do BIM.

Se considerarmos que a tecnologia de realidade aumentada está avançando rapidamente e a associarmos ao BIM, em breve, com o uso de smartphones, tablets e ferramentas como o Google Glass, poderemos visualizar o projeto no local em que ele será construído antes mesmo de terminá-lo e interagir com ele, entre outras facilidades.

Principais características e vantagens:

O National BIM Standard-United States® (NBIMS-US™) define a Modelagem da Informação da Construção como uma fonte de conhecimentos compartilhados para a geração de informações sobre um empreendimento, e também destaca a colaboração dos participantes como um dos principais motores da prática. Reconhecendo que trabalhar em conjunto pode ser um aspecto complicado em um projeto, dada a variedade de especializações envolvidas, o NBIMS-US™ constatou que nos Estados Unidos “as construções custam mais do que deviam e demoram muito para serem entregues”. Por isso é importante promover um trabalho de colaboração de informações melhor entre os vários participantes envolvidos no processos de construção – um estudo mostrou que a falta de interoperabilidade nas obras chega a gerar às construtoras um custo adicional de 15,8 bilhões de dólares a cada ano!

Essa interoperabilidade é considerada uma das principais características (e vantagens) do BIM, além do intercâmbio de informações. Ou seja, todos os profissionais envolvidos na execução do empreendimento podem exercer suas funções de forma integrada e alinhada ao objetivo do projeto.Arquitetos, engenheiros, construtores, fornecedores e demais partes interessadas podem extrair informações de acordo com suas necessidades para tomarem decisões mais assertivas. Sem contar que toda e qualquer alteração que os profissionais fizerem no modelo será processada em tempo real e atualizada. Essa automação dos processos ajuda bastante na economia de tempo e na redução dos custos. Confira outros benefícios que o BIM pode levar à sua construtora:

  • Cumprimento das datas estipuladas no cronograma de obra;

  • Oportunidade de testar soluções previamente;

  • O projeto pode ser compreendido, revisado e visualizado mais facilmente, o que ajuda a garantir mais precisão e avaliar alternativas para otimizar recursos e processos;

  • Comunicação mais eficiente entre os participantes do projeto e fluência no compartilhamento de informações da construção.

     

3D ou BIM?

O 3D foi a evolução natural do desenho de projeto, mas qual a diferença entre o 3D e o BIM? Um objeto modelado em 3D ou “objeto volumétrico” muitas vezes era apenas uma representação do modelo real, uma ferramenta de visualização. Com a aplicação da tecnologia BIM, esse modelo 3D passa a ter diversos “objetos paramétricos” com a adição das informações que o BIM proporciona. Ou seja, cada objeto modelado passa a aceitar parâmetros e informações que agregam ao trabalho de outros profissionais que não sejam apenas os projetistas. É possível, por exemplo, adicionar informações de marca do material a ser utilizado, custos e outras especificações dentro do arquivo onde o projeto está sendo modelado. Desta forma, vários profissionais (engenheiros, arquitetos, orçamentistas, compradores, etc) podem acessar e editar várias informações ao mesmo tempo, economizando tempo e evitando erros de comunicação que se traduzem em desperdício e atraso nas obras.

Costuma-se dizer no segmento de construção civil que quanto mais próximo da realidade o planejamento da obra estiver, maiores são as chances de sucesso do empreendimento no futuro. As tecnologias que utilizam BIM estão sintonizadas com essa realidade e criaram recursos para que a visualização prévia das edificações fique ainda mais apurada, permitindo planejamentos ainda mais precisos.

Acompanhe nosso blog e conheça melhor no próximo post o BIM Manager , profissional que surgiu para ajudar sua construtora e obras a tirarem o máximo proveito da prática desse conceito.

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bim normas bim abnt wilton catelani
Leia entrevista sobre as normas BIM da ABNT com Wilton Catelani, consultor BIM na CBIC
Postado dia 4 de julho de 2016 | Nenhum Comentário
Categorias: BIM, Indústria da Construção, Software, Tendências

O engenheiro Civil é membro da comissão da ABNT que desenvolve a tabela com a padronização na classificação das informações BIM

 

wilton catelani

Wilton Catelani, Engº Civil membro da comissão da ABNT que desenvolve a padronização da classificação BIM

Wilton Catelani é Engenheiro Civil formado há 30 anos: estudou em São Carlos (SP), começou a carreira como engenheiro de obras, trabalhou em empresas de diferentes portes, como multinacionais, Pini e Autodesk. Ele é um dos membros convidados pela ABNT para fazer parte da CEE 134, a Comissão Especial de Estudos relacionados a BIM e que trata de estabelecer as NBRs que compõem o Sistema de Classificação da Informação da Construção.

A norma desenvolvida pela comissão é a primeira sobre o Building Information Modeling (BIM) desenvolvida no Brasil e será publicada em 7 partes, das quais 4 já estão prontas. A comissão foi formada em junho de 2009 e dela participam os 3 setores da economia consumidores das informações BIM: fornecedores, um grupo de pessoas ou agentes, e entidades neutras: ONGs, universidades, associações sem fins lucrativos. A comissão é voluntária e os interessados podem fazer parte manifestando interesse através de contato com a ABNT.

A classificação dos elementos é importante quando se está trabalhando em BIM para evitar retrabalhos e conflito de dados causados por erros de informação. É importante que todos os dados que estão relacionados a um componente sejam padronizados, de forma a garantir a consistência das informações.

Veja um pouco da nossa conversa com Wilton Catelani e entenda melhor sobre essa nova padronização da ABNT:

1- Como funciona a comissão da ABNT para normas BIM?

É uma comissão voluntária da ABNT sobre BIM, que faz reuniões públicas e envia convites para pessoas e entidades interessadas, quem manifestar interesse pode participar. Essa comissão existe desde 2009 desenvolvendo a primeira norma BIM que consiste no Sistema de Classificação das Informações BIM.

Por exemplo, se um arquiteto está desenvolvendo um banheiro e chama, em seu projeto, um item de “bacia sanitária” e um orçamentista chama de “vaso sanitário”, uma coisa simples como essa pode gerar retrabalho, ainda mais se quem estiver fazendo a análise não for uma pessoa, mas um software.

A norma propõe termos um código, de abrangência nacional para unificar essa classificação dos componentes. O texto base é a classificação Omniclass americana. A ideia é que a classificação da ABNT possa ser aplicada em todo o país. O Sistema de Classificação da Informação da Construção foi planejado em partes 7 partes, das quais 4 já estão prontas.

Ao final, serão 13 tabelas de classificação da informação tratando de assuntos diferentes. Combinando essas tabelas, você consegue classificar qualquer elemento. Explico: um elemento é o que está no plano mas ainda não especificado, sem um código atrelado a ele. Assim que for relacionado a um código, vira um componente.

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2- Quando o conjunto total de tabelas estará disponível?

A aprovação de um conteúdo para publicação segue um protocolo: a leitura do conteúdo é feita em reunião plenária e é necessária a aprovação formal dos presentes. Algumas tabelas chegam a ter 6 mil itens, portanto é um processo demorado.

3- Quais os ganhos com essa padronização?

É muito melhor do que não ter regras, pois assim todos terão acesso à mesma informação padronizada e os softwares e profissionais podem trabalhar com uma única classificação, evitando erros e retrabalhos.

 

4- Em que outros lugares já existe uma normatização quanto ao BIM?

Reino Unido, Cingapura e Chile, tomaram a decisão de usar BIM como estratégia nacional: nenhum projeto com dinheiro público pode ser realizado sem BIM, ele é obrigatório. É também uma prática comum nos EUA, Austrália e nos países nórdicos.

5- Como um profissional da construção pode encontrar o seu caminho para ser um especialista em BIM?

Em sua maioria, não existe ainda na grade de disciplinas nos cursos de Arquitetura e Engenharia o assunto BIM. A adaptação não será fácil por motivos estruturais: na rede pública, muitos professores estão defasados e não têm nenhum estímulo para se atualizarem. Além disso, uma mudança de grade curricular é um processo demorado. Hoje, o que eu vejo, é que as pessoas se capacitam por 2 motivos:  necessidade da empresa, através cursos particulares ou contratam uma consultoria e dentro de um projeto real acabam sendo treinados no trabalho.

As pessoas mais jovens se interessam pelo assunto, aproveitam o material na internet e aprendem sozinhos. A falta de informação disponível é uma barreira que existe. Por isso são importantes iniciativas como o guia BIM da CBIC, que deve sair em breve. A capacitação ainda é um dos problemas no país e existem muitos oportunistas que usam o termo BIM frouxamente. Assim como aconteceu com a sustentabilidade na construção, acontece com o BIM: muitos oportunistas aplicam o termo para publicidade, sem ter o domínio do assunto.

6- Você provavelmente ouviu falar da iniciativa do Sienge de fazer uma integração BIM, qual a sua opinião sobre?

O Sienge é o primeiro ERP que eu vejo fazer um esforço para se adaptar ao BIM. É uma iniciativa ainda modesta, relacionada a expressões de quantidades. O trabalho a partir daí pode ser interessante, e deve evoluir. A grande base de clientes já consumada pelo Sienge garante um bom ambiente para testar essa integração BIM no mercado e desenvolvê-la.

7- Como você enxerga o cenário atual e o futuro da construção aqui no país?

O cenário está muito difícil com a crise econômica, motivada por fatores macroeconômicos. Também afeta o cenário o fato de que as operações anticorrupção afetaram as grandes empresas do ecossistema da construção. Grandes players como Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, estão paralisadas, isso afeta a confiança do setor inteiro. Em breve o país deve voltar a produzir, aliás, já está até demorando demais, pois temos grandes necessidades de infraestrutura que precisam ser atendidas.

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