Posts Tagged / Artigo

Levando conhecimento para a Indústria da Construção




planejamento estratégico artigo
Planejamento estratégico: Por que as estratégias falham
Postado dia 3 de junho de 2016 | Nenhum Comentário
Categorias: Artigo

O planejamento estratégico foi finalizado e chegou o momento de colocá-lo em prática. Lá se foram meses de preparação, análise e detalhamento da estratégia. Tudo deveria funcionar como as engrenagens de um relógio, mas para surpresa de todos, nada acontece. E agora, o que fazer? Para algumas empresas, essa é a pergunta de um milhão de dólares.

Uma pesquisa realizada em 2009, pela Forbes Insights, com 163 CEOs apontou que 33% das estratégias falham, na opinião dos pesquisados. Segundo eles, há cinco razões principais para o fato:

1. Circunstâncias externas imprevistas (24%);
2. A falta de entendimento entre os envolvidos no desenvolvimento da estratégia e o que precisam fazer para torná-la bem sucedida (19%);
3. A estratégia em si é imperfeita (18%);
4. Há um desajustamento entre a estratégia e as competências essenciais da organização (16%);
5. Há uma falta de definição de responsabilidades (13%).

Outra pesquisa, mais recente, realizada pela organização mundial PMI (Project Management Institute) em parceria com a revista The Economist em 2013, com 587 executivos seniores de todo o mundo, revelou que 44% dos planos estratégicos desenhados por eles fracassou. Muitos deles não sabem apontar exatamente o que não funcionou, alegando razões genéricas como falta de habilidade para gerenciar mudanças e a falta de recursos para executar a estratégia.

Há centenas de artigos e livros dedicados à elaboração da estratégia nas organizações. Entre eles, o grande destaque é Strategy Safari, de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel, que se dedica a explicar o processo de geração da estratégia segundo dez pontos de vista que os autores chamam de escolas da estratégia. No entanto, são poucos os livros e artigos que se dedicam a uma etapa tão importante (e na opinião de alguns até mais importante) do processo de Administração Estratégica, sua execução. Uma das poucas exceções a regra é Execution: The Discipline of Getting Things Done, de Larry Bossidy e Ram Charam, publicado originalmente em 2002.

O livro se dedica a explicar porque estratégias brilhantemente desenhadas não alcançam os resultados esperados. Basicamente, os autores defendem a ideia de que toda organização possui processos ligados a estratégias, pessoas e operações, porém, poucas são eficazes em coordená-los. Em outras palavras, aestratégia não se relaciona com as pessoas e a operação, estando, portanto, descolada do cotidiano da empresa.

Uma pergunta que devemos nos fazer é se a competência da execução é verdadeiramente valorizada em nossas empresas. Nossa organização é cheia de participação, diálogos e ideias ou decisões e ações? Os sistemas de avaliação de desempenho e de reconhecimento atribuem mais valor a quem gera ideias ou a quem as torna realidade? Afinal, um líder eficaz é mais importante para a organização do que alguém inteligente e motivado que não realizada nada, que não entrega resultados.

Outra questão importante diz respeito à operação. A estratégia faz parte do dia a dia das pessoas? Ela está diretamente relacionada com a operação? Quando um colaborador no chão de fábrica atinge suas metas, está ajudando a empresa a alcançar seus objetivos estratégicos? E ele sabe disso?

Muitas decisões tomadas em toda a organização cotidianamente não levam em consideração a estratégia da empresa e, por isso, estão a margem do processo estratégico. Isso se deve à dificuldade dos líderes de compartilhar sua visão de futuro, a visão estratégica, portanto, a uma comunicação ineficaz. Chester Barnard, no livro The Functions of the Executive, publicado em 1938, destaca a importância da comunicação no processo de cooperação. O mesmo raciocínio se aplica ao processo de execução da estratégia. Isso significa na prática que as pessoas, além de tudo o que precisam realizar no seu dia a dia (que não costuma ser pouca coisa), ainda precisam se preocupar com “essa tal de estratégia”.

 

Marcelo Silveira
(+) Sobre o autor
  • Gerente de Marketing e Desenvolvimento Humano e Organizacional na Softplan Planejamento e Sistemas Ltda
  • Mestre em Gestão e Política Organizacional pela Universidade Federal de Santa Catarina
  • Especialista em Gestão de Pessoas pela Universidade Federal de Santa Catarina
  • Bacharel em Ciências da Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina
  • Professor em cursos de graduação e pós graduação em diversas Instituições de Ensino Superior nas áreas de Marketing e Estratégia Empresarial
arte-update-verde-blog
Artigo de opinião: impacto da Lei da Terceirização na construção civil
Postado dia 23 de março de 2016 | Nenhum Comentário
Categorias: Artigo

A regulamentação da terceirização dos serviços é tema de grandes debates, causou alvoroço e exaltou opiniões com a chamada “Lei da Terceirização”, que foi aprovada no Congresso na forma do Projeto de Lei 4330/04 após 10 anos emperrada. Agora, essa iniciativa está em trâmite no Senado e deve passar por comissões e ajustes até ser finalmente apreciada. Se o encaminhamento do Senado for positivo, ainda é preciso a sanção da Presidente da República, portanto o processo ainda deve demorar.

As decisões acerca desta Lei terão grande impacto sobre o setor da construção, por isso é importante discuti-la e acompanhar opiniões sobre o assunto. Confira o artigo de opinião do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, sobre o assunto:

 

A SUBEMPREITADA GARANTE E AMPLIA OS POSTOS
DE TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

presidente da CBIC

José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

A indústria da construção está mobilizada em torno da tramitação do Projeto de Lei da Câmara dos Deputados (PLC 30/2015) que regulamenta a terceirização e trabalha para o seu aperfeiçoamento. Esse esforço de esclarecimento e convencimento dos parlamentares destina-se à manutenção de dispositivo que permita a subempreitada como ferramenta de gestão. A construção civil não terceiriza seus trabalhadores, mas a subcontratação é uma ação essencial para o nosso setor, pois garante eficiência na execução das obras. Será um retrocesso não vê-la aprovada no Senado. Na nossa avaliação, caso seja aperfeiçoado, esse projeto pode significar um avanço: estimulará a formalização da mão de obra em vários setores da economia, aumentará a arrecadação e favorecerá a produtividade das empresas. É nessa direção o esforço da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC): garantir que não haja um retrocesso nesse tema.

Para isso, é importante que a proposta contemple peculiaridades dos diversos setores que geram emprego e renda, o que exige um conhecimento aprofundado das relações de trabalho no Brasil. A subempreitada é uma ferramenta prevista no Código Civil (artigos 618 e seguintes) e na própria CLT (Artigo 455), o que esvazia o debate sobre atividade meio ou atividade fim. Na construção civil, que tem características específicas, a subcontratação de empresas prestadoras de serviços é uma ferramenta insubstituível para a organização produtiva da atividade, que requer trabalhadores especializados em diversos segmentos e tem subcontratados nas mais variadas etapas da obra, como eletricistas, azulejistas e pintores, por exemplo. A lógica da subempreitada é valorizar a especialização do trabalhador e melhor aproveitar esse conhecimento e experiência acumulados na execução das obras.

banner sobre o quiz insumos da construção civil

Com a subcontratação, ganha o setor produtivo como um todo. O construtor, quando contrata uma empresa especializada para atuar em uma determinada etapa da obra, gera ganho em qualidade e produtividade; aumenta a competitividade e diminui os custos. O trabalhador também ganha, pois é admitido por uma empresa especializada que prestará serviços para outras construtoras, garantindo assim o seu emprego e preservando sua qualificação. Esse é um aspecto fundamental da subempreitada: estimular a qualificação dos profissionais do setor nas suas diversas atividades, fortalecendo sua presença no mercado. Por fim, e também muito importante, ganha o consumidor, que recebera serviços e produtos de maior qualidade.

Há um outro fator a ser considerado nesse debate, especialmente no momento em que o Brasil atravessa tão grave crise econômica. A subempreitada tem como resultado, também, a redução do desemprego, contribuindo não apenas para a manutenção, como principalmente, para a criação de novos postos de trabalho. É preciso que o Legislativo bem compreenda como a construção funciona, para impedir prejuízo ao trabalhador. Algumas etapas das obras são realizadas por profissionais especializados, que não participam de todo processo. Um eletricista, por exemplo, entra apenas quando for necessária a sua intervenção. Antes e depois disso, esse trabalhador fica sem função, a não ser que possa ser aproveitado em outra obra da construtora. Se esse trabalhador for admitido em uma empresa especializada, que preste serviços a várias empresas, pode prestar serviços para outras construtoras, participar de reformas, entre outras atividades. Assim, seu emprego e direitos estão garantidos de forma perene.

A CBIC tem liderado um amplo esforço de esclarecimento do Legislativo para evitar que a falta de informação distorça o debate e traga mais insegurança para o trabalhador. A construção civil trabalha estritamente dentro das normas da legislação trabalhista e espera ver garantida mais esse instrumento operacional. A manutenção da subempreitada interessa ao setor como um todo, mas principalmente, protege o trabalhador.

José Carlos Martins

Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

banner sobre o quiz insumos da construção civil

 

planejamento estratégico artigo
Em tempos de crise, planejar e treinar a mão de obra é pensar no futuro
Postado dia 17 de junho de 2015 | Nenhum Comentário
Categorias: Artigo

As previsões para 2015 não são favoráveis. Se elas se confirmarem, o ano será mais difícil que os anteriores para toda a cadeia produtiva do setor da indústria da construção.

Vejo esta afirmação por um ângulo um pouco diferente. Esse é um cenário de oportunidades para quem faz bem feito. Ao invés das empresas pararem e ficarem somente se preocupando com esse momento, que é passageiro, elas deveriam se preparar para o que virá depois.

Quando observamos o comportamento humano na prática, o das pessoas que estão por trás das empresas, vemos que ele varia entre extremos, como euforia e pânico. Euforia quando tudo vai bem e pânico quando vai mal. Em momentos de euforia, somos mais propensos a criar problemas que podem aparecer lá na frente, quando a economia piorar. Porém, é no pânico que as oportunidades aparecem. Para quem tem bons diferenciais e tem um negócio rentável, a hora de aproveitar é agora, quando os concorrentes estão retraídos. Não quando todos eles estão eufóricos, brigando com você em todos os mercados e com a rentabilidade caindo devido ao aumento da competição. É assim que as grandes fortunas são construídas.

Esse é um momento propício para que as empresas revejam seus procedimentos/processos de trabalho. Usar como exemplo aquilo que deu certo. Entender o que deu errado, investigar para tornar esses processos consistentes, de modo que andem por si só. Os processos não devem ter pessoas que os empurrem, ou seja, não precisa ter uma pessoa cobrando as áreas para que façam suas atividades respectivas. Isso deve acontecer de forma natural.

É necessário rever como as empresas da Construção Civil estão trabalhando. Mudar o que precisa ser mudado, avaliando onde estão os maiores problemas e onde estão os gargalos. Um ditado popular diz que “nunca sabemos o que pode acontecer durante uma construção, por causa de uma série de imprevistos que ocorrem”. São exemplos desses problemas: mão de obra desqualificada, falta de materiais nas obras, prazos que não são cumpridos, desperdícios nas diversas fases dos projetos, materiais mal armazenados que levam ao desperdício e multas que podem sobrevir com a destinação incorreta de RCD.

O que fazer para evitar que esses problemas ocorram? Ou, caso ocorrerem, como minimizá-los?

O que fazer:

Com a mão de obra desqualificada? É necessário orientar esses profissionais sobre onde buscar melhor formação, fazendo uma parte do papel do estado, incentivando e criando oportunidades para que essa mão de obra estude e se torne qualificada. Por exemplo, as empresas devem oferecer, na medida do possível, cursos/treinamentos de qualidade em suas unidades de trabalho, respeitando também os turnos de trabalho para que seus funcionários possam estudar em horários fora de seu expediente.

Para que os prazos sejam cumpridos? São duas atividades importantes: definir o processo para solicitação de material e fazer planejamento e acompanhamento constantes, para evitar falta de materiais nas obras, para que a produção aconteça sem percalços e não pare, além de permitir que os prazos sejam cumpridos. A empresa evitará, dessa forma, gastos com a mão de obra não utilizada e com aquela da qual precisará para finalizar a obra atrasada, sendo que esse custo pode não ter sido orçado. As obras, ao serem concluídas dentro do prazo, evitam custos deste tipo. Criar uma imagem positiva com os clientes é outro aspecto importante, que passa a ser um diferencial perante um mercado que não conclui as obras dentro do prazo.

Para evitar desperdícios com materiais? Em muitos casos, esses desperdícios ocorrem no descarregamento, na movimentação e no armazenamento. No descarregamento, é necessário saber o local e planejar o horário de recebimento. Em alguns casos, será necessário planejar o equipamento que será utilizado para evitar que esse descarregamento seja feito de forma braçal (arcaica), pois com o passar do tempo, o operário se cansará e pode não ter o mesmo rendimento que o inicial. Com o desgaste físico, pode-se ter perdas e até provocar algum acidente de trabalho.

Para armazenar corretamente? Para materiais como cimento, aço e fôrmas, alvenaria, revestimentos, esquadrias, instalações hidráulicas, chapas de compensado, cerâmicas de revestimento, tubos e conexões e materiais elétricos (fios, tomadas, interruptores, disjuntores, entre outros), é necessário definir uma área para armazenamento. Conforme o material, algumas orientações específicas para o tipo de produto devem ser respeitadas. Para materiais como o cimento, deve ser respeitado o FIFO e o empilhamento máximo de 10 sacos de cimento ou gesso, 15 sacos de cal e 20 sacos de argamassa.

Para evitar multas decorrentes da destinação incorreta de RCD? É necessário atualizar os engenheiros e arquitetos sobre as implicações da Lei 12.305, sobre os riscos da destinação em lugares não autorizados e as oportunidades de geração de recursos dentro da cadeia produtiva.

As empresas que reverem seus processos e investirem em ferramentas e treinamentos para suas equipes irão sair na frente na retomada do mercado e estarão melhor preparadas para atender às demandas e se destacarem no mercado, fazendo assim novas fortunas.

Sobre o autor:

Prof. Ms. Celso Luchezzi

  • Mestre em Engenharia de Materiais – MACKENZIE, MBA em Logística Empresarial – FGV, Tecnólogo em Processos de Produção – FATEC e Matemático.
  • Consultor internacional em Logística, PCP, Planejamento de Materiais e Administração de Estoques.
  • Experiência em administração de matéria–prima (in bound), fabricação, armazenamento e distribuição (out-bound), acompanhamento e dimensionamento da capacidade produtiva, na indústria e logística reversa na construção civil.
  • Professor universitário para cursos de graduação, pós graduação e MBA e professor convidado do CIESP e SETRANS.
banner sienge
Saiba como o Sienge pode ajudar a sua empresa