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Alternativas para renegociação de dívidas das construtoras

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18 de maio de 2016

Muitas construtoras enfrentam enxugamentos e renegociação de dívidas para se manterem no mercado. Veja mais sobre essa realidade e as alternativas para driblar a crise:

Em 2016 as construtoras vivem uma rotina difícil: as renegociações de dívidas aumentaram, as obras diminuíram, o cancelamento de contratos aumentou, os pagamentos atrasaram, as verbas públicas estão escassas, o consumidor está cauteloso, todo um cenário de crise instaurado. A situação financeira do país se encontra ruim em todos os setores, especialmente na construção. Outro golpe sofrido foi a perda da confiança do consumidor, ainda mais com o envolvimento de empreiteiras e construtoras na Operação Lava-Jato e o aumento dos distratos imobiliários, que geralmente fazem o consumidor se sentir lesado, desconfiar das construtoras e causam grandes prejuízos e cancelamentos de obras para as empresas. Parece o fim do mundo, não é? Mas o país já passou por situação pior.

Na década de 90, a inflação estava fora do controle e a situação ficou realmente feia quando Collor determinou o confisco da poupança. Os empresários se viram em uma grande enrascada, sem seus fundos de reserva, uma situação nunca vista antes. Mas aqueles que estavam organizados, ou que conseguiram manter a calma e se planejaram, sobreviveram ao período de turbulência e continuaram com seus negócios, afinal depois de toda a tempestade, vem a calmaria.

Não estamos querendo dizer que agora vai ficar tudo bem de uma hora para a outra, mas nenhuma crise é para sempre, por isso é bom se estruturar pensando no futuro, e não no momento. É claro que as contas e as folhas de pagamento pressionam a cada mês, agora é o momento de ajustar o caixa para conseguir um mínimo de saúde financeira para continuar, mas quais as formas de fazer isso.

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Separamos algumas formas de levantar dinheiro para melhorar o caixa:

  • Renegociação de dívidas

Se os seus clientes, compradores de imóveis estiverem inadimplentes, ou se você estiver com problemas no banco, é uma boa ideia sentar para fazer a renegociação de dívidas.

Veja nesse outro post as obrigações das construtoras com os consumidores. 

Dos clientes

O comprador de um imóvel geralmente não abandona as prestações por motivos banais, a casa própria costuma ser uma das prioridades e sonhos do brasileiro. Portanto, se o seu cliente está desempregado, endividado, não consegue vencer as prestações ou procurou a construtora para o distrato do contrato de compra, tente argumentar, conversar, oferecer condições melhores de pagamento e renegociação de dívidas, tudo que estiver ao seu alcance. Mais do que as finanças, o que está em jogo é a imagem da sua empresa, afinal um cliente insatisfeito provavelmente vai fazer propaganda contrária.

Confira o contrato de compra e tente a negociação, mas saiba que ninguém é obrigado a aceitar termos que não estejam no contrato. Oferecer a possibilidade de o cliente diminuir a prestação e pagar por mais tempo é uma atitude recomendada para este cenário, pois assim a empresa mantém a renda e o comprador mantém seu imóvel.

FGTS também pode ser utilizado na renegociação de dívidas para abater o valor das prestações em atraso e assim, pode-se manter o mesmo prazo para quitar o total, diminuindo o preço das parcelas. Mas fique atento: o dinheiro do fundo só pode ser usado em um intervalo de dois anos, por isso se o cliente usou o FGTS na hora da compra, é preciso verificar se o recurso está disponível. Outra maneira de usar o FGTS é para pagar apenas algumas prestações. As regras permitem o pagamento de até 12 parcelas, entre elas, três já vencidas. Neste caso, após a operação, pode-se usar o recurso novamente e, no total, é possível usar os recursos do fundo para pagar até 80% das prestações, somando juros e multas de parcelas vencidas.

Para os contratos futuros, contrate assessoria jurídica para garantir que a empresa não será prejudicada (e nem o cliente). Considere a adesão a seguros que prevem a situação de desemprego do comprador ou ofereçam outras garantias. Dessa forma, você e o cliente ganham espaço e tempo para rever contratos no futuro, se necessário.

Com o banco

Grandes construtoras já conseguiram alongar prazos para quitar dívidas de mais de R$800 milhões e conseguiram empréstimos milionários em negociações com os bancos, melhorando seu valor no mercado e dando margem para vender com tranquilidade o seu estoque de unidades prontas e reestruturar seus ativos. Para renegociação de dívidas com o banco, tenha certeza de que calculou o quanto você pode pagar por mês para sanar suas dívidas e manter a sua empresa saudável, cuidado para não cair na armadilha e aumentar ainda mais o seu problema.

Analise o contrato de financiamento com a instituição financeira e não se intimide, pois pode ser que o banco tente te oferecer a contratação de serviços como se fosse condição à renegociação da dívidas, e isso configura venda casada, que é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.r

Caso não haja acordo e o seu perfil se classifique como superendividado ou inadimplente, pode procurar os Núcleos de Superendividamento do Procon ou fazer valer a parceria entre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com as Defensorias Públicas de Estado do Rio de Janeiro, de Rondônia e do Tocantins, que auxiliam acordos entre consumidores e instituições financeiras. Se nenhum desses for o seu caso, o melhor a fazer é contratar um advogado.

Precatórios – sem medo de cobrar dívidas públicas

Para cobrar dívidas de verbas do Governo, a saída é usar os precatórios , que são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de municípios, estados ou a União, assim como de autarquias e fundações, o pagamento de valores superiores a 60 salários mínimos por beneficiário após condenação judicial definitiva. Ou seja, acione a Justiça para receber o que é seu de direito.

Se você tem uma sede, um prédio, casa, ou qualquer imóvel de propriedade da empresa, pode alugar uma parte ou o todo do espaço. O aluguel é uma fonte recorrente de renda e pode ajudar a aliviar a incerteza dos pagamentos que está acontecendo no momento.

  • Mudança para uma sede menor

Caso você perceba que os gastos com o espaço que a sua empresa ocupa não estão mais condizentes com o tamanho da sua empresa, por que não mudar de sede? Não adianta de nada se enganar e manter gastos só pela aparência, ajuste o seu negócio à sua realidade, o crescimento pode ser retomado depois.  

  • Enxugar o quadro de funcionários 

Ninguém gosta de diminuir a sua equipe, mas às vezes é necessário. Mantenha os funcionários em quem você confia, ou que são essenciais para o bom funcionamento da empresa. Procure terceirizar alguns serviços, pode sair mais barato, mas fique atento para fazer um bom contrato de empreitada. Outra boa ideia é automatizar ou usar um sistema de gestão para organizar o seu setor de Recursos Humanos.

  • Usar a tecnologia

Uma solução tecnológica com foco em Business Intelligence e no Suporte à Decisão pode auxiliar no diagnóstico do que pode ser feito, da viabilidade econômica, dos gastos que podem ser cortados, verificando onde está o desperdício. Parece estranho investir em um momento de crise, mas às vezes um bom investimento se torna uma ideia inteligente, pois um pequeno gasto evita que as despesas inúteis se mantenham, gerando uma economia maior no longo prazo.

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  • Diferenciar-se:  

Com menos obras acontecendo, pode ser que haja mais tempo para que você consiga frequentar cursos, ou adaptar sua empresa para obter certificações, como por exemplo a Certificação Leed ou a PBQP-H. Também é interessante procurar por novas formas de construir e mais econômicas, como por exemplo Wood Frame e Steel Frame. Estruture o seu departamento para oferecer condições especiais, desconto, unidades especiais ou outras vantagens que ajude na hora da venda, como por exemplo, você pode começar a usar o inbound marketing – uma técnica para captar leads usando a presença online da sua empresa.

  • Cursos e capacitação de equipe

Aproveite a escassez de trabalho para fazer aqueles cursos e treinamentos que você e sua equipe estão adiando há tempos. Não tem como perder investindo em educação e capacitação. Para ajudar, veja a nossa lista com os principais cursos para engenheiros civis.

  • Reposicionamento de mercado e oportunidades

Aproveite as oportunidades da crise e invista para crescer. Faça uma avaliação honesta do seu portfólio de obras e veja no que a sua empresa se sai melhor. É um bom momento para refletir e focar na área em que você é experiente. Se você tiver um perfil mais empreendedor, pode transformar a área de atuação da sua empresa e olhar para os mercados que estão aquecidos mesmo na crise, como as empresas de reformas, e o mercado imobiliário de luxo. Mantenha-se aberto a novos mercados e evite priorizar investimentos públicos nesse momento, afinal os Estados reduziram seus investimentos em 46% em 2015.

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Com  informações do jornal O Estado de S. Paulo, G1, Pini, Exame

Brenda Bressan Thomé

  • Editora do blog Sienge
  • Especialista em comunicação em mídias digitais
  • Jornalista formada pela UFSC
  • Filha de Engenheiro Civil e apaixonada por Construção

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